Capítulo 1 do livro Experimentação Agrícola – tópicos 1.4 a 1.7
1.4 Unidade experimental ou parcela
São as unidades sobre os quais os dados de um experimento científico são coletados e as conclusões tiradas.
Definir unidades experimentais uniformes:
- para minimizar a variabilidade que pode ocorrer devido a diferenças entre as unidades;
- para permitir comparar efeitos das variáveis independentes;
- para aumentar a confiabilidade das conclusões do experimento;
- para conseguir detectar efeitos de diferentes tratamentos;
- para minimizar erro experimental.
Variações de tamanho dependem de:
- cultura a ser estudada;
- objetivo da pesquisa;
- custo, tempo e mão-de-obra;
- quantidade de tratamentos e materiais em estudo;
- necessidade de equipamentos grandes;
- área total disponível para pesquisa.
Variações de forma dependem do tamanho do experimento:
- quando grande, adotar forma retangular (compridas e estreitas);
- quando pequeno, não importa a forma
- casa de vegetação: pode ser um conjunto de vasos ou até um único vaso;
Efeito de borda
As unidades experimentais próximas às bordas de uma área de estudo estão expostas a condições diferentes ou podem interagir com o ambiente externo de maneira distinta das unidades no interior. Dessa maneira, podem ser afetadas de maneira diferente das unidades no centro da área.
- coletar dados somente da área útil da unidade, para evitar a influência de tratamentos aplicados em unidades vizinhas
1.5 Princípios básicos para redução do erro experimental
- Repetições independentes: realizar o mesmo experimento básico em diferentes momentos ou condições para obter resultados adicionais (erro estatístico), identificar falhas metodológicas ou viés e verificar a consistência das descobertas;
- permite a estimativa do erro experimental
- aumenta a precisão do experimento
- quando maior o número de repetições, menor o erro
- Casualização DBI (condições homogêneas das unidades experimentais): atribuir aleatoriamente as diferentes condições ou tratamentos experimentais às unidades experimentais. Isso garante a todos os tratamentos a mesma probabilidade de serem designados a qualquer das unidades experimentais;
- evitar que algum tratamento seja favorecido (sol/sombra/umidade etc)
- deve ser feita por sorteio
- deve ser identificada no croqui do experimento
- deve estar presente em todos os tipos de delineamentos experimentais
- Controle local DBC (condições heterogêneas das unidades experimentais): aplicar tratamentos em blocos que devem conter o número de unidades equivalente ao número de tratamentos a ser testado e, da forma mais homogênea possível; pode-se ainda sortear a ordem dos tratamentos em cada bloco;
- qdo condições locais são heterogêneos
- criar sub-ambientes mais homogêneos (blocos), diminuindo o erro experimental
- Análise de variância: para testar a hipótese do tratamento ser significativo, usa-se uma técnica estatística para comparar as médias dos grupos independentes para verificar se há diferença relevante entre essas médias. É importante fazer a decomposição do número de graus de liberdade (grupos independentes em tratamento menos 1) e da variância total de um material heterogêneo em partes atribuídas a causas conhecidas e independentes (fatores controlados) e a uma porção residual de origem desconhecida e de natureza aleatória (fatores não controlados)
Variáveis independentes e dependentes
- Independentes: aquelas variáveis que serão manipuladas no experimento
- Dependentes: aquelas variáveis que serão medidas
Delineamentos experimentais
- Inteiramente casualizado (condições homogêneas das unidades experimentais): por meio de sorteio, para que cada unidade experimental tenha a mesma probabilidade de receber qualquer um dos tratamentos;
- fator controlado: tratamentos (GL: n-1);
- de natureza aleatória: resíduo ou erro.
- Em blocos casualizados (condições heterogêneas das unidades experimentais): as unidades experimentais são agrupadas em blocos com base em uma característica que pode afetar a variável dependente, chamada de variável de bloqueio. Dentro de cada bloco, os tratamentos são alocados aleatoriamente.
- fatores controlados: tratamentos e blocos;
- de natureza aleatória: resíduo ou erro.
- Em quadrado latino (condições duplamente heterogêneas das unidades experimentais): os tratamentos são agrupados em pares ou grupos de tal forma que cada par contenha cada tratamento uma vez e apenas uma vez, e cada tratamento aparece uma vez em cada linha e coluna de uma matriz.
- fatores controlados: tratamentos, linhas e colunas;
- de natureza aleatória: resíduo ou erro.
1.6 Métodos para aumentar a precisão dos experimentos
- Escolha do material experimental: material uniforme, cuidadosamente selecionado.
- Escolha da unidade experimental: o tamanho e a forma das unidades afetam a precisão. No campo da agricultura, as parcelas retangulares são mais eficientes na superação da heterogeneidade do solo quando seu eixo maior está na direção da maior variação do solo.
- Escolha dos tratamentos: ao se estudar o efeito de um tratamento, é melhor determinar como as parcelas respondem a doses crescentes do tratamento. O uso de experimentos fatoriais (no quais dois ou mais fatores são testados simultaneamente) pode aumentar a precisão do experimento.
- Aumento do número de repetições: de um modo geral, para a obtenção de uma precisão razoável em experimentos de campo com culturas, são necessárias de quatro a oito repetições.
- Agrupamento das unidades experimentais: o uso do princípio do controle local remove algumas fontes de variação ao longo da área experimental.
- Técnicas mais refinadas: o objetivo de refinar a técnica é a) garantir a aplicação uniforme dos tratamentos; b) proporcionar medidas adequadas e não viciadas dos efeitos; c) prevenir erros grosseiros; d) controlar influências externas.
- Planejamento de experimentos: a partir da hipótese, descrição detalhada das variáveis analisadas no experimento e seus objetivos, um estatístico pode aconselhar o número das unidades experimentais, a necessidade blocos e calcular o número repetições mínimas necessárias.
Saiba mais:
Livro: “Experimentação Agrícola”, de Banzatto, David A e Kronka, Sergio do N. – 4a. edição, FUNEP, 2006.