Economia solidária

Mode de produção alternativo ao capitalismo, ao mesmo tempo que se revela como um movimento social. Isto, alternativo ao capitalismo, porque não tem resultados financeiros como único fim, mas por buscar, principalmente, um desenvolvimento humano, mantendo harmonia social, política e econômica.

  • Solidariedade: baseia-se na igualdade
  • Autogestão: trabalhadores são coproprietários
  • Estrutura não-hierárquica: coordenação existe, mas todos estão na base e no topo ao mesmo tempo, reforçando igualdade e isonomia
  • Cooperação: interações sociais são pautadas pela colaboração

Origens históricas

  • Vertente europeia: nasce para contrabalançar a exclusão social e a crise da regulação estatal, clamando por uma economia que não separe o social do econômico
    • Contexto histórico
      • Surge na Revolução Industrial (século XIX).
      • Resposta à exploração do trabalho urbano e à pobreza operária.
      • Primeiras experiências estruturadas na Inglaterra.
    • Marco clássico:
      • Rochdale (1844) — operários criam cooperativa de consumo.
      • Define princípios que viram base mundial do cooperativismo.
    • Objetivo principal
      • Melhorar condições econômicas dos trabalhadores dentro do sistema.
      • Acesso justo a bens, crédito e trabalho.
      • Organização eficiente de produção e consumo.
      • → Não nasce como movimento revolucionário, mas reformista.
    • Características centrais
      • Forte organização institucional.
      • Regras formais e princípios universais.
      • Gestão empresarial eficiente.
      • Integração com mercado capitalista.
      • Neutralidade política relativa.
    • Visão de sociedade
      • Cooperação como mecanismo de equilíbrio social.
      • Busca eficiência econômica + justiça social moderada.
      • Influência do pensamento liberal e social-democrata.
    • Palavras-chave
      • eficiência
      • organização
      • mercado
      • autogestão econômica
      • reforma social
  • Vertente latinoamericana: opondo-se a lógica de acumulação privada
    • Contexto histórico
    • Surge ligada a:
      • colonialismo
      • desigualdade fundiária
      • exclusão social
      • luta pela terra e território
      • comunidades tradicionais
    • Fontes principais:
      • organizações camponesas
      • movimentos indígenas
      • economia solidária
      • teologia da libertação
      • educação popular (Paulo Freire)
      • resistência ao capitalismo dependente
    • Objetivo principal
      • Sobrevivência coletiva.
      • Defesa do território e dos bens comuns.
      • Autonomia política e cultural.
      • Justiça social estrutural.
      • → Muito mais ligada à transformação social.
    • Características centrais
      • Base comunitária e territorial.
      • Forte dimensão política.
      • Relação com movimentos sociais.
      • Identidade cultural como elemento econômico.
      • Economia como instrumento de emancipação.
    • Frequentemente inclui:
      • agroextrativismo
      • economia solidária
      • cooperativas de base comunitária
      • redes de apoio mútuo.
    • Visão de sociedade
      • Cooperação como resistência ao sistema desigual.
      • Economia subordinada à vida coletiva.
      • Forte crítica ao modelo capitalista.
    • Palavras-chave
      • território
      • comunidade
      • autonomia
      • justiça social
      • resistência
  • Vertente asiática
    • Origem histórica
      • Surge após a Revolução Chinesa (1949).
      • Baseado no socialismo de Estado.
      • Coletivização forçada da terra no período maoísta.
      • Fases importantes:
    • Comunas populares (1958–1980) → produção totalmente coletiva.
    • Reformas de Deng Xiaoping → fim da coletivização rígida.
    • Cooperativas rurais modernas → modelo atual híbrido.
    • Objetivo principal
      • Organização da produção agrícola.
      • Planejamento econômico nacional.
      • Controle da produção e estabilidade social.
    • Características
      • Forte direção estatal.
      • Baixa autonomia comunitária.
      • Cooperativa como instrumento de política pública.
      • Eficiência produtiva e segurança alimentar.
    • Diferença das outras vertentes
      • Não nasce de movimentos sociais (como América Latina).
      • Não nasce da auto-organização operária (como Europa).
      • Surge “de cima para baixo” pelo Estado.
    • → É uma terceira lógica: cooperativismo como ferramenta de planejamento estatal.

Na Índia, ele se desenvolveu principalmente como instrumento de desenvolvimento rural e redução da pobreza, combinando organização comunitária, fortalecimento de pequenos produtores e inclusão social, com destaque para cooperativas agrícolas, de crédito e grupos de autoajuda, especialmente de mulheres, influenciados pela ideia gandhiana de autonomia local e autossuficiência comunitária; trata-se de um modelo com base territorial e forte dimensão social, próximo em alguns aspectos da experiência latino-americana.

Já no Japão, o cooperativismo surgiu como estratégia de modernização econômica e reconstrução nacional, especialmente após a Segunda Guerra, com cooperativas agrícolas, de pesca e de consumo altamente organizadas, integradas ao Estado e orientadas pela eficiência produtiva e pela proteção dos produtores, apresentando um modelo institucionalizado, tecnicamente estruturado e mais próximo da tradição europeia de cooperação econômica.

RegiãoMotor principal
Europareação operária ao capitalismo industrial
América Latinaresistência social e territorial
Chinaplanejamento estatal socialista
Índiadesenvolvimento rural comunitário
Japãoeficiência econômica nacional

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