EUA Eleições Presidenciais 2008

Primárias definem quais candidatos concorrerão em 4 de novembro
Nos Estados Unidos, voto não é obrigatório. Para votar, o cidadão precisa falar que deseja exercer seus direitos políticos voluntariamente – uma participação consciente e um processo democrático. Depois, ele aguarda o envelope com a cédula de votação em casa*, faz sua escolha e envia a resposta pelo correio. Bacana, não é? Tudo seria simples, se cada voto tivesse o mesmo peso na urna. No entanto, aqui, o presidente não é eleito pela escolha direta do povo (maioria popular), o que conta mesmo é a vitória do candidato no Colégio Eleitoral (representatividade dos estados).
Popularidade ou Representatividade
Supostamente tal sistema eleitoral garante a união dos 50 estados independentes na forma de federação e evita um racha político no país. Cada um dos estados, mesmo aqueles menos populosos, tem alguma voz na escolha presidencial.
A distribuição demográfica americana
Por outro lado, o problema do modelo de eleição por Colégio Eleitoral é a distorção da vontade popular, o favorecimento de estados com baixa densidade (na maioria, estados republicanos) e a desvantagem para a formação de novos partidos políticos.
Ao todo, são 538 votos de deputados e senadores distribuídos nacionalmente (veja o próximo mapinha). Se os estados mais populosos têm mais representantes, isso não é nada proporcional à população total do país. Uma comparação rápida: o estado da Califórnia tem 55 votos para representar uma população de 36,5 milhões de pessoas, enquanto North Dakota tem 3 votos para uma população de 640 mil. Por isso, às vezes, pode acontecer de um candidato ter maioria popular e, mesmo assim, perder no colégio eleitoral. Quem se lembra da disputa entre Al Gore e Bush em 2000, quando apesar de Al Gore ter mais votos, ele perdeu as eleições?
Qual o peso do voto do povo, afinal?
A maioria popular de cada estado define para qual partido os votos daquele colégio irão na disputa presidencial. Por exemplo, se no estado da Califórnia a maioria dos eleitores votou para o candidato democrata, os 55 votos daquele colégio são contados para o partido democrata. Salvo algumas exceções**, os votos dos colégios estaduais não podem ser divididos e são considerados como blocos. Aquele estado é para o partido republicano, aquele para o democrata. O candidato que conseguir a maioria dos estados (ou seja, 270 votos no Colégio Eleitoral) é eleito presidente.
Mapa da disputa eleitoral
( ) votos de cada estado no Colégio Eleitoral

Em azul, democratas; em vermelho, republicanos;
em roxo, o campo de batalha
Inclusão ou estratégia?
Como moramos no estado de Washington e aqui existe uma grande imigração chinesa, o envelope e cédula de votação são impressos em inglês e chinês. Para o estado da Califórnia, os documentos oficiais são impressos em inglês e espanhol.
Na hora das eleições, imigrantes naturalizados são lembrados com carinho (e recentemente, para um estrangeiro imigrar legalmente e se naturalizar basta ele entrar no exército americano por um ano). Voltemos aos votos válidos! Na campanha de 2004, Bush ganhou 40% dos votos latinos. Vai desprezar essa bocada libre?
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*Em Washington, você envia seu voto por correio. No entanto, essa é uma decisão estadual e o modelo varia no país inteiro. Ainda tem estado que usa a velha urna e cédula de papel.
**Os estados de Maine (4) e Nebraska (5), devido a acordos políticos bem antigos, permitem divisão dos votos.


Adorei essa aulinha, vou linkar para ela em breve. Beijoca, amiga mais sabida.
Gostaria de saber mais sobre a cédula eleitoral, pois vocês não votam apenas para o Presidente, há outras questões que são resolvidas ao mesmo tempo, não é mesmo? Se puder escreva sobre elas, muito agradecida, abraços, Dalva