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Web 2.0 Expo Keynotes
20080430 21:48Gostaria de inserir somente alguns destaques dos keynotes do Web 2.0, mas o blip.tv não me deixa fazer isso. Então, acima, divido com vocês o que aconteceu no auditório principal do Moscone West. Os textos das outras palestras, discussões, apresentações, lançamentos que ocorreram nos dias 22-25 de abril podem ser encontrados no site do evento ou, futuramente e em posts aleatórios, aqui.
Alguns favoritos do vídeo acima:
- Matt Mullenweg, WordPress (1o. vídeo)
Depois do panorama sobre o WordPress (a plataforma para blogs que cresceu de 2 milhões de usuários, em 2006, para 168 milhões, em 2008), Max anuncia o lançamento da função de navegação “Possibly related post”, que oferecerá no rodapé da cada post de blog, links para outros blogs do WordPress e jornais. De assunto para assunto… “Doutor, eu sou um nodo?” - Fake Steve Jobs, Dan Lyons (4o. vídeo)
Com muito humor, Lyons fala sobre jornalismo de revista (ele escreve para a Forbes), blogs, personalidades da indústria de tecnologia, sua motivação para fazer um blog do Steve Jobs fumado, o sucesso e a nova bolha da Web! Namaste!
- Jonathan Schwartz, da Sun Microsystems (4o. vídeo )
Cabeludo e com óculos, Schwartz explica a estratégia opensource da Sun (com o MySQL) e também a solução para storage. Olha que genial, a Sun agora tem storages físicos já dentro de containers -isso mesmo, container que vai em navio, trem, caminhão- para facilitar possível deslocamento em busca de mercados de energia mais competitivos. - Clay Shirky, “Here Comes Everybody” (20o. vídeo)
Inteligente, Shirky fala sobre o “excedente cognitivo da humanidade” que antes era passivamente gasto na frente da TV e agora é usado para criar, transformar, construir, encontrar soluções e organizar o mundo. Depois da internet, o “excedente cognitivo” não dorme no sofá. - Max Levchin, Slide (24o. vídeo)
Olha o pai do Paypal e agora da Slide.com, uma empresa de sucesso que vende aplicativos para Facebook. Max tem a manha. Além de ser uma caixinha de idéias (e idéias Web 2.0), o menino sabe colocar seus projetos para frente.
- Tim O’Reilly (26o. vídeo)
Web2.0 – A internet como plataforma. Tim conversa sobre Web 2.0, lê poesia e deixa uma mensagem otimista para o homem que aprende com suas tentativas e tropeços, sem renunciar. Errar faz parte, faz o homem forte, faz o homem grande.
Divirta-se!!
Até couch potato ficou com vontade…
20080217 17:08Desde que o inverno chegou, paramos de correr no parque. É muito frio e muita lama. Para não perder o pique, fizemos matrícula na academia do bairro no ano passado. Este ano, quando venceu nosso contrato, mudamos para outra academia mais bem cuidada e com menos avisos de máquina em manutenção. E olha só que legal: esteiras de ginástica com monitor individual, conexão para iPod, entrada de USB e mais de 50 canais de TV a cabo. Pois é, agora vou para a academia e ao passo que corro 5km, assisto aos programas da Nigella Lawson, Family Guy ou os vídeos do meu iPod. Em dia de filme bom, vou precisar correr 10km!
Game ideas: seria tão legal criar um jogo para uma esteira apostar corrida com a outra. Já que as telas são individuais, eu poderia sempre ter a minha perspectiva da corrida.
Iguais no mundo inteiro
20070908 13:04
Moss, It Crowd – Channel 4
Os holandeses são muito simpáticos, educados, engraçados e irônicos. Dou muita risada o dia inteiro. Entra um que fala meia hora sobre o Brasil, EUA, faz piada e vai embora. Depois outro, depois outro.
Sexta-feira, no entanto, eu estava sozinha no escritório porque as outras meninas foram para a Indonésia fazer o lançamento do programa. No meio da manhã entrou um rapaz na sala, com cabelo cacheado longo e camiseta preta, olhou para mim e disse:
“Você tem problemas?”
Bem, eu não falo holandês, ele está fazendo um esforço para falar “oi” em inglês, mas isso aí não é “bom dia” que se dê. Já descobri que aqui posso responder como no Brasil, com leveza, em tom de piada.
“Mm, não que eu queira dividir agora”.
Ele não riu.
“E você, tem problemas?”, eu continuei rindo e ele ainda não riu.
Bem, eu descobri depois de 2 minutos que ele era do IT! Ah-ha!
“Ah, tenho problemas sim: preciso de uma segunda tela, um password para a rede blablabla”.
E por falar em IT Crowd, eles estão de volta!
Som na caixa de Pandora
20070620 21:02Deixe a música entrar. Leve consigo apenas uma peneira com um entrançado suficientemente aberto para passar grãos de novidade e surpresa. Como este espírito livre e atento, a rádio online Pandora.com tem conquistado muita gente. O site promove uma experiência democrática para estimular a descoberta de músicas, sem que haja qualquer interferência de gravadoras, mídia, palpites de críticos ou sabichões. Lançado em dezembro de 2006, o site já conta com mais de 7 milhões de assinantes nos Estados Unidos. Infelizmente, por dificuldades da legislação brasileira, foi impedido de funcionar no país.
Música e matemática – como tudo começou
Era uma vez um estudante de tecnologia e músico que sonhava com um superfantástico sistema de classificação musical. O desconhecido Tim Westergren estudava na Universidade de Stanford e trabalhava na criação de trilhas sonoras para filmes para ajudar a pagar a faculdade. Escolher trilha não era uma tarefa fácil. “Diretor de cinema não é músico e não tem o conhecimento teórico para explicar objetivamente o que quer. São indicações subjetivas, pistas, caminhos”, conta. “Eu mostrava músicas, centenas de músicas, para extrair o que o diretor queria”. O filme passava, o diretor cantava, notas pululavam na cabeça de Tim e aproximações matemáticas ganhavam forma. Nascia a idéia de um genoma musical.
Em 2000, com o boom de novos negócios de Web, Tim resolveu agarrar a oportunidade. Na época, era fácil conseguir investimento. Oba-oba, a festa do start-up, euforia na Nasdaq. Havia muito dinheiro na praça e faltava idéia boa. Ele lançou a flecha: faria o primeiro genoma da música da história, um software capaz de entender o DNA musical para agrupar composições em diversas maneiras. Ainda não sabia o futuro do projeto, se seria usado para educação, composição, indicação de artistas em lojas de CD, ou uma rádio. Conseguiu investimento e colocou a pesquisa para andar.
Taxonomia musical
Tim Westergren em Seattle, na Biblioteca Pública Central || foto de Patrícia Kalil
Montou um núcleo de pesquisa para identificar quais seriam os “genes” da música. Mais de 400 qualidades musicais classificáveis foram definidas: tipo de melodia, harmonia, ritmo, instrumentação, orquestração, arranjo, harmonia vocal, vigor e tom vocal, gênero musical, gênero do vocalista líder, nível de distorção da guitarra, tipo de background vocal, etc.
A partir desse algoritmo mestre, a equipe começou o trabalho de classificar músicas para entrar no sistema. O trabalho de taxonomia é lento, pois cada faixa precisa ser analisada individualmente e por um profissional treinado. Uma única canção demora cerca de 30 minutos para ser analisada. Não existe um meio para automatizar o processo. Tim conta que eles até fizeram um teste com profissionais não treinados e sem background musical, mas foi um desastre. “Leigos não sabem o que é harmonia, identificar nível de distorção, classificar uma escala como maior ou menor”, comenta.
Chega 2001, uma bolha no espaço. Quando a primeira bolha da Web estourou, o dinheiro sumiu, diversas “pontocom” fecharam. “Ninguém queria mais financiar o nosso projeto, parecia loucura levar 30 minutos para classificar uma única música”. Só restava esperança na caixa, nem mais um tostão.
Plano de negócio
reprodução da página principal do Pandora
Cada vez mais envolvidos e apaixonados com os resultados da engenhoca, a equipe inicial do Pandora não queria parar. Com trabalhos paralelos, dinheiro emprestado ou dívida, o pequeno núcleo continuava a classificar músicas diariamente. Depois de 4 anos, eles atingiram um volume razoável de faixas catalogadas no sistema. No ano início de 2006, a versão beta do site entrava na Web. Em menos de um mês, milhares de pessoas já tinham assinado, criado rádios e testado as indicações do sistema Pandora. A prova do sucesso. Os investidores reapareceram.
Atualmente, o banco de dados tem mais de 500 mil músicas classificadas e o núcleo de análise tem capacidade de adicionar aproximadamente 12 mil novas músicas por mês. O PandoraClassics está em fase de desenvolvimento e terá um genoma com mais de mil atributos.
A rádio é totalmente gratuita e sustentada por investidores e anunciantes. O modelo de publicidade é excelente, pois possibilita o direcionamento para públicos bem específicos – exemplo: mulher, 25-30 anos, Seattle, que gosta de jazz; ou homem, 15-20 anos, Los Angeles, que gosta de surf rock. Adicionalmente, o site tem parcerias com as lojas Amazon e Itunes e recebe comissão das vendas geradas. Segundo Tim, 40% dos usuários compram CDs e o Pandora já comemora 171 mil vendas de discos na Amazon. A Microsoft, também atenta, fechou parceria ainda no ano passado e adotou o sistema Pandora para reciclar e melhorar o serviço de rádio livre no MSN.
A rádio tem capacidade para transmitir músicas constante e continuamente, sem a necessidade de copiar o arquivo de áudio para seu computador (streaming). Mas isso não basta, música existe além do computador. Como teste de mercado, a empresa começou este mês uma parceria com a operadora de telefonia celular Sprint e o lançamento de um tocador especial. E não pára por aí. Tim já tem planos para um adaptador para rádios de carro e outros aparelhos.
Tim mostra celular Spring com Pandora || foto de Patrícia Kalil
Direitos autorais e licença no Brasil
Cada vez que uma música toca no site Pandora, o artista recebe sua fração de direitos autorais. No caso da transmissão via internet, a legislação americana apresenta um artigo que dá o direito de sites pagarem direitos autorais diretamente para os artistas. O Digital Millennium Copyright Act (DMCA) viabilizou o pagamento sem intermediários e, por outro lado, também aumentou a pena de prestadores de serviço online no caso de infrações.
O problema é que fora dos Estados Unidos tal lei não existe. Para transmitir uma única música no Brasil seria necessário negociar separadamente com a gravadora proprietária do título e com cada profissional envolvido. Fazer isso para cada faixa de música tornaria a situação muito difícil, cara e morosa. “Seria um trabalho inviável! Imagina, só com o nosso banco atual de 500 mil músicas. Passaríamos mais tempo procurando todos esses profissionais do que classificando novas músicas”, comenta Tim o custo de rodar o Pandora no Brasil. Ele conta que na Europa a maioria dos países já está com lobby para conseguir a aprovação da nova lei de transmissão digital e pagamento de direitos sem intermediários. “Só podemos torcer para que novas leis sejam criadas no Brasil”. A esperança pulsa.
Em todo sólido , todo gás e todo líquido
20070427 13:34Luzes acesas, computadores ligados, música. A mesa de jantar estava posta: suco e água com gás, um delicioso salmão com molho de endro (dill), arroz e salada. Eu e Laurent. Tudo. Todos. No meio de uma história, servidos.
Discutíamos com entusiasmo o vôo do físico Stephen Hawking no avião do Zero Gravity Corp, para experimentar a sensação de ter seu corpo em gravidade zero. Esta é a fase preparatória para uma possível viagem espacial a bordo Virgin Galactic, em 2009.
Portador de uma doença rara degenerativa, o físico tem movimento próprio apenas por meio de seus cálculos cosmológicos. Neste buraco negro, nossos passos e sobressaltos são pequenos e vulgares. Ontem, para sentir o novo, Hawking testou como é ficar em condições sem gravidade por 25 segundos. A sensação não foi corporal, talvez uma mistura entre o racional e o sonho da liberdade física.
Depois, em entrevista coletiva, Hawking falou sem encanto. Fez um paralelo sobre a possibilidade de o homem comum ir ao espaço e a vida caótica na terra. Falou da guerra, aquecimento global, a disseminação de epidemias incuráveis e o risco de ataques nucleares. Cá estamos, entre o retrocesso e o avanço. Sua voz digitalizada não revelava emoção com o futuro. Só dizia.
A mesa de jantar tinha um único copo, o suco de uva que eu ainda não havia terminado. Meus copos sempre demoram a esvaziar. Luzes acesas, micros ainda ligados, alguma música. Pratos limpos.
Comecei a ler o novo livro do escritor japonês Haruki Murakami, “Blind Willow, Sleeping Woman”. Sou suspeita para falar do escritor, sou fã. No primeiro conto, ele buscou referência no filme “Fort Apache”, 1948. Resgatou a fala de John Wayne: “Don’t worry. If you were able to spot some Indians, that means there aren’t any there (Não se preocupe. Se você foi capaz de ver alguns índios, isso quer dizer que não havia nenhum lá)”. Absorta.
Laurent, no outro sofá, tinha acabado de ler a New Yorker dessa semana e comentava dois artigos: um sobre a inevitabilidade do envelhecimento e outro sobre o massacre na Universidade Virginia Tech. O último questionava o direito civil de porte de armas nos Estados Unidos. O texto começava com uma cena brutal: enquanto os bombeiros retiravam os trinta e tanto corpos da universidade, os celulares nos bolsos dos estudantes baleados tocavam incessantemente. Pais desesperados procuravam um alô para saber se o filho estava bem. Sem resposta.
Se eu tivesse visto algum índio, teria certeza que não tinha visto nada. Talvez fosse o dono de um cassino na estrada. Apache. Don’t worry. Be happy.
P selector
20070423 10:04Propriedades dentro do elemento <p> recebem características de <p>. Quando as propriedades estão acima de <p>, em um <body> pai, <p> recebe a mensagem como se fosse por inspiração divina, uma tendência natural e maior que <p>. E <p> simplesmente <é>, sem saber ou duvidar. Eis o kantismo do css, a mostrar propriedades inerentes à constituição universal do style.
Wii is the champion, my friend
20070331 19:26Os vídeo-games estiveram fora da minha lista de consumo durante os últimos 15 anos. A vida mudou, sei, mas os aparelhos haviam mudado bastante também. As fabricantes de consoles iniciaram uma longa corrida em busca de processadores mais rápidos, gráficos mais chocantes e perfeitos, jogos violentos. Enquanto a Sony (linha PlayStation) e a Microsoft (linha XBox) disputavam o público de hardcore gamers, a Nintendo seguia (GameCube) na liderança dos jogos infantis. Ora, havia eu realmente deixado de ser alvo desse lucrativo mercado? Havia eu ficado velha, sem tempo e condenada para sempre?

Lenta, mas atenta, a Nintendo deu o bote. Lembrou que jogo é diversão e pode ser para toda família, para festas, para dar risada. Lembrou que o jogo de última geração deveria incluir todas as gerações iniciadas em games, mas abandonadas no meio do caminho. Wii love it!
Abaixo, fiz um pequeno gráfico para entender quando e porque eu havia parado de jogar vídeo game! Ora veja, toda minha atenção foi para o computador!
Instructables
20070327 22:43Instructables é uma plataforma de documentação na Web onde as pessoas apaixonadas por tecnologia, gadgets e arte compartilham suas invenções, projetos e maluquices. Além de mostrar o passo a passo para fazer cada projeto, o site colaborativo abre espaço para quem quer aprender e participar.
Internet Wireless
20060729 10:50Sábado, 8h30AM, nós ainda na cama, com cara de cinco minutos. Toca o celular de Laurent. Tonny, a técnica da empresa de cabo Comcast, estava perdida no bairro. Depois de um mês a compartilhar o sinal de Internet do vizinho –sem que ele soubesse-, chegaria a nossa conexão oficial. Acordei. Deu tempo para gente escovar os dentes e esperar o carro da Comcast, da janela.
Aparece na curva um caminhão branco, que tocava música de sorvete. Era Tonny. Ela é uma ex-funcionária da empresa Boeing que agora zanza daqui, zanza para lá. Nos anos 80, a fabricante de avião cortou muita gente e deixou Seattle num mar de desemprego. Depois veio Bill Gates e resolveu o problema: a empresa Microsoft trouxe prosperidade à terra da chuva. Em Belleville, um bairro ao norte da cidade, programadores indianos, diretamente de Bangalore, marcam a era da globalização. Aqui, as pimentas e perfumes são de cardamon, canela, mostardas, cominho, noz moscada, cravo… Os vizinhos latinos não chegam nem a esquentar com seus hot jalapeños e sweet chipotles. Ficam ilegais na região sul e sudeste, semi-escravos. Trabalham no setor primário e gritam por inclusão.
Abrimos a porta. Entra a americana Tonny, uma loira, acima do peso, com grave dificuldade para respirar. Talvez seja claustrofobia: aquele elevador velho do prédio pode dar uma sensação asfixiante. Usava botas, calça jeans e uma camiseta branca, com a logomarca da empresa. Estava nervosa. Tonny está na Comcast há quatro semanas. Seu trabalho ainda não é rotina: uma mistura de medo, no início do atendimento, e excitação, quando ela finaliza cada caso.
A sua dificuldade em respirar começava a me causar certo desconforto. Parecia sofrer de asma. Se eu tivesse uma das bombinhas de minha mãe… Bem, ofereci café. Ela disse que não tomava mais de duas xícaras de café por dia, mas agradeceu. Eu ofereci um suco. Ela disse que tinha acabado de tomar uma Soda Pop. Sentei no sofá com meu lap, ainda conectada pelo vizinho, e fui ler o jornal. Ela respirava fundo, ligava e desligava o outro computador, concentrava-se na solução do problema.
No jornal Seattle Times, li sobre o atentado na Federação Judaica, há dez quadras daqui. Um muçulmano entrou armado no prédio e abriu fogo. Matou uma mulher e feriu outros 5. Ainda bem que não fui trabalhar ontem, teria passado na frente do prédio.
Ontem, conversei com meu amigo libanês que mora em Londres, Ghassan Saba. Ele é dono de uma fábrica de perfumes, óleos e outros “produtos caros para pessoas ricas (como ele mesmo diz)”. Inevitável não falar sobre o Líbano. O choque. A estupidez de Israel, essa guerra armada. Mais de 400 civis mortos, a infra-estrutura do país destruída, um atentado à humanidade. Os Estados Unidos, a consentir e apoiar atrocidade, enviam a Condessa do Arroz para negociar com o Líbano. Como assim negociar com o Líbano? Vai negociar com Israel! Mais, o grupo terrorista Hizbollah, que não é libanês e sim palestino, só existe porque um monte de árabe ficou sem terra em 1948, com a criação do estado judeu. Como assim, negociar com o Líbano? A família do meu pai foi para o Brasil porque o Líbano virou um caos pós-48. Quer ensinar negociação para fenícios, Condessa. Então, primeiro, vamos à história.
Fechei o micro. Um atentado aqui do lado. Tonny estava aflita com outra coisa. Não conseguia configurar o sistema. Estava literalmente deitada no nosso chão, com a barriga para baixo e o telefone celular na mão. Conversava com outro técnico e respirava mal. Laurent também estava angustiado. Eu não sabia ajudar. Ela perguntou nossa nacionalidade. Eu disse que era brasileira e Laurent disse que era americano. Nunca ninguém acredita que ele é americano. “Morei muitos anos fora e minha mãe é francesa. Talvez seja isso”. Ela entendeu. No Brasil, Laurent também não é brasileiro. Na França, também não é francês.
Laurent resolveu ajudá-la. A mulher estava a beira de um ataque. Ele seguiu o passo a passo da configuração, com o tutorial no CD-ROM que ela trouxe. Caso resolvido. Tonny agradeceu e saiu com pressa. O vizinho, que não nunca soube da nossa existência, vai comemorar a velocidade de sua conexão.






