copy writing, translation, localization and communication in Portuguese

Você está aqui: 'música'

o tom zério

20080610 14:15


A Mão e o Coração – quem levava a cesta com Pão?
foto em Manhiça/MZ

Por que então esta mania danada
esta preocupação
de falar tão sério
de parecer tão sério
de ser tão sério
de sorrir tão sério
de chorar tão sério
de brincar tão sério
de amar tão sério?

Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!

Tom Zé

(Mono no Aware)

20080321 15:39

“Everything exists in emptiness: flowers, the moon in the sky, beautiful scenery”
Sotoba, Zenrin Kushū

sakura

Sakura (florescência da cereja em japonês) by Sakura

Uma pausa para falar algo precioso e passageiro, tempo das cerejeiras e ameixeiras explodirem cobertas de pequenas flores brancas e rosas. Desabrocham para revelar toda a delicadeza e transitoriedade da vida, a relação do homem com o mundo, com a vida, com o próximo. O que é importante? O que é a ausência? Sakura conta sobre a impermanência e a existência. Vem e vai, sua idéia fica. Fora e dentro, sua idéia é. O que é efêmero mesmo?, pergunta Sakura com um sorriso. O menino floresce, o homem floresce… e segue.

Quem sabe um dia terei a sorte de vivenciar Sakura ao lado de Tani no Japão.

Som na caixa de Pandora

20070620 21:02

John Woodcock

Deixe a música entrar. Leve consigo apenas uma peneira com um entrançado suficientemente aberto para passar grãos de novidade e surpresa. Como este espírito livre e atento, a rádio online Pandora.com tem conquistado muita gente. O site promove uma experiência democrática para estimular a descoberta de músicas, sem que haja qualquer interferência de gravadoras, mídia, palpites de críticos ou sabichões. Lançado em dezembro de 2006, o site já conta com mais de 7 milhões de assinantes nos Estados Unidos. Infelizmente, por dificuldades da legislação brasileira, foi impedido de funcionar no país.

Música e matemática – como tudo começou

Era uma vez um estudante de tecnologia e músico que sonhava com um superfantástico sistema de classificação musical. O desconhecido Tim Westergren estudava na Universidade de Stanford e trabalhava na criação de trilhas sonoras para filmes para ajudar a pagar a faculdade. Escolher trilha não era uma tarefa fácil. “Diretor de cinema não é músico e não tem o conhecimento teórico para explicar objetivamente o que quer. São indicações subjetivas, pistas, caminhos”, conta. “Eu mostrava músicas, centenas de músicas, para extrair o que o diretor queria”. O filme passava, o diretor cantava, notas pululavam na cabeça de Tim e aproximações matemáticas ganhavam forma. Nascia a idéia de um genoma musical.

Em 2000, com o boom de novos negócios de Web, Tim resolveu agarrar a oportunidade. Na época, era fácil conseguir investimento. Oba-oba, a festa do start-up, euforia na Nasdaq. Havia muito dinheiro na praça e faltava idéia boa. Ele lançou a flecha: faria o primeiro genoma da música da história, um software capaz de entender o DNA musical para agrupar composições em diversas maneiras. Ainda não sabia o futuro do projeto, se seria usado para educação, composição, indicação de artistas em lojas de CD, ou uma rádio. Conseguiu investimento e colocou a pesquisa para andar.

Taxonomia musical

Tim Westergren em Seattle, na Biblioteca Pública Central || foto de Patrícia Kalil

Montou um núcleo de pesquisa para identificar quais seriam os “genes” da música. Mais de 400 qualidades musicais classificáveis foram definidas: tipo de melodia, harmonia, ritmo, instrumentação, orquestração, arranjo, harmonia vocal, vigor e tom vocal, gênero musical, gênero do vocalista líder, nível de distorção da guitarra, tipo de background vocal, etc.

A partir desse algoritmo mestre, a equipe começou o trabalho de classificar músicas para entrar no sistema. O trabalho de taxonomia é lento, pois cada faixa precisa ser analisada individualmente e por um profissional treinado. Uma única canção demora cerca de 30 minutos para ser analisada. Não existe um meio para automatizar o processo. Tim conta que eles até fizeram um teste com profissionais não treinados e sem background musical, mas foi um desastre. “Leigos não sabem o que é harmonia, identificar nível de distorção, classificar uma escala como maior ou menor”, comenta.

Chega 2001, uma bolha no espaço. Quando a primeira bolha da Web estourou, o dinheiro sumiu, diversas “pontocom” fecharam. “Ninguém queria mais financiar o nosso projeto, parecia loucura levar 30 minutos para classificar uma única música”. Só restava esperança na caixa, nem mais um tostão.

Plano de negócio

reprodução da página principal do Pandora

Cada vez mais envolvidos e apaixonados com os resultados da engenhoca, a equipe inicial do Pandora não queria parar. Com trabalhos paralelos, dinheiro emprestado ou dívida, o pequeno núcleo continuava a classificar músicas diariamente. Depois de 4 anos, eles atingiram um volume razoável de faixas catalogadas no sistema. No ano início de 2006, a versão beta do site entrava na Web. Em menos de um mês, milhares de pessoas já tinham assinado, criado rádios e testado as indicações do sistema Pandora. A prova do sucesso. Os investidores reapareceram.

Atualmente, o banco de dados tem mais de 500 mil músicas classificadas e o núcleo de análise tem capacidade de adicionar aproximadamente 12 mil novas músicas por mês. O PandoraClassics está em fase de desenvolvimento e terá um genoma com mais de mil atributos.

A rádio é totalmente gratuita e sustentada por investidores e anunciantes. O modelo de publicidade é excelente, pois possibilita o direcionamento para públicos bem específicos – exemplo: mulher, 25-30 anos, Seattle, que gosta de jazz; ou homem, 15-20 anos, Los Angeles, que gosta de surf rock. Adicionalmente, o site tem parcerias com as lojas Amazon e Itunes e recebe comissão das vendas geradas. Segundo Tim, 40% dos usuários compram CDs e o Pandora já comemora 171 mil vendas de discos na Amazon. A Microsoft, também atenta, fechou parceria ainda no ano passado e adotou o sistema Pandora para reciclar e melhorar o serviço de rádio livre no MSN.

A rádio tem capacidade para transmitir músicas constante e continuamente, sem a necessidade de copiar o arquivo de áudio para seu computador (streaming). Mas isso não basta, música existe além do computador. Como teste de mercado, a empresa começou este mês uma parceria com a operadora de telefonia celular Sprint e o lançamento de um tocador especial. E não pára por aí. Tim já tem planos para um adaptador para rádios de carro e outros aparelhos.

Tim mostra celular Spring com Pandora || foto de Patrícia Kalil

 

Direitos autorais e licença no Brasil

Cada vez que uma música toca no site Pandora, o artista recebe sua fração de direitos autorais. No caso da transmissão via internet, a legislação americana apresenta um artigo que dá o direito de sites pagarem direitos autorais diretamente para os artistas. O Digital Millennium Copyright Act (DMCA) viabilizou o pagamento sem intermediários e, por outro lado, também aumentou a pena de prestadores de serviço online no caso de infrações.

O problema é que fora dos Estados Unidos tal lei não existe. Para transmitir uma única música no Brasil seria necessário negociar separadamente com a gravadora proprietária do título e com cada profissional envolvido. Fazer isso para cada faixa de música tornaria a situação muito difícil, cara e morosa. “Seria um trabalho inviável! Imagina, só com o nosso banco atual de 500 mil músicas. Passaríamos mais tempo procurando todos esses profissionais do que classificando novas músicas”, comenta Tim o custo de rodar o Pandora no Brasil. Ele conta que na Europa a maioria dos países já está com lobby para conseguir a aprovação da nova lei de transmissão digital e pagamento de direitos sem intermediários. “Só podemos torcer para que novas leis sejam criadas no Brasil”. A esperança pulsa.

Festival Sasquatch

20070528 00:28

Solmaz e eu

Ontem, fomos ao festival ao ar livre aqui pertinho de Seattle, no cânion do rio Colombia. Na programação, Björk chamava atenção entre outros 56 shows. Três palcos armados para uma multidão de mais de 50 mil pessoas.

Chegamos no evento por volta das 15h, preparados para assistir a três grandes shows: Björk, Manu Chao e Arcade Fire. O cantor franco-espanhol Manu Chao subiu ao palco depois das 19h. Chao revisitou velhos hits e exibiu canções do álbum que será lançado em setembro. O cantor fez o povo levantar, falou da importância da imigração para o mundo, da tristeza da exclusão social dos mexicanos e do horror à guerra no Iraque. Esquentou o público, formado principalmente por estudantes universitários.

Laurent vê o show do Arcade Fire

Na sequência, a banda canadense de indie rock The Arcade Fire embalou o público no cair da tarde. A banda entrou no palco com metade de uma orquestra: violinos, viola, cello e um grande órgão. As letras melancólicas beijavam a lua crescente, com doçura e acidez.

Olhar atento, todos à espera de Björk no palco principal. A cantora da terra do gelo surgiu como fogo. O novo álbum “Volta” é um grito de socorro para a “tribo humana planetária”, como diz a cantora. Depois de apresentar as novas composições, Björk resgatou hits de “Vespertine”, seu álbum de 2001. Dona de voz e estilos únicos, ela fechou a noite com uma explosão de criatividade. Poucos dançavam, Björk é feita para ouvir e contemplar. Magia. Aquela voz que ecoou no meio do deserto até agora repercute no meu coração.

Björk

Bippity-bippity-doo-wop

20070427 21:47

O cantor e também maestro Bobby Mcferrin rege a orquestra de Seattle em noites marcadas por simpatia e frescor criativo. O músico surge como um embaixador do clássico e do jazz, no balanço entre técnica, leveza musical e improviso. Mcferrin já tocou com Yo-Yo Ma, Chick Corea e Herbie Hancock. Atualmente, participa de vários programas de educação musical infantil.

Abriu a noite com a Sinfonia no. 1 de Profokiev. Seus braços dançavam com a música. Energia e vivacidade. No segundo bloco, apresentou “Le Tombeau de Couperin” de Ravel. Chegava o momento das improvisações vocais de Mcferrin. O músico explorou temas clássicos, outros de televisão, alguns musicais da Broadway e Disney, além de fazer o público cantar Ave Maria enquanto improvisava Bach. Música está em tudo. Fechou a noite com a Sinfonia no. 8 de Beethoven.

Profokiev Sinfonia no. 1

  • “Allegro con Brio”
  • “Larghetto”
  • “Gavotte: Non Troppo Allegro”
  • “Finale: Molto Vivace”

Ravel – Le Tombeau de Couperin

  • “Prelude”
  • “Forlane”
  • “Menuet”
  • “Rigadon”

McFerrin

  • IMPROVISAÇÃO

Beethonven Sinfonia no. 8

  • “Allegro Vivace con Brio”
  • “Allegretto Scherzando”
  • “Tempo di Menuetto”
  • “Allegro Vivace”

37 Cello Parts

20061025 19:51
Ethan Winer playing 37 separate cello parts to create one song. It was recorded on 23 tracks using 37 plug-in effects. He spent hundreds of hours on this project so its worth a listen.

Cara de Destino

20060913 21:34


Psilone e eu desenvolvemos um plano de conquista para usar com Chico Buarque. Nada do desperdício de gastar 100 reais para sentar atrás da pilastra no show, com trocentas mulheres perfumadas e enlouquecidas na roda. Nada de voltar com uma fotografia tosca de celular, sem foco ou tempero.

Passo a passo
1. Listar todos os amigos de Chico.
2. Virar as melhores amigas dos amigos de Chico.
3. Listar os mais variados interesses de Chico.
4. Estudar a fundo, para ter assunto.
5. Comprar passagens para Paris.
6. Descobrir o café favorito do cantor.
7. Enquanto ele não aparece, vamos ligar para Paulo Coelho, que já será nosso amigo (e possivelmente ‘conhecido’ de Chico) e usar parte da nossa conta no Banco de Favores (nutrida no passo 2, deste plano). Coelho deve dar um jantar para Chico e nos convidar.
8. Provocar um encontro surpresa no café. ‘Chico?’. Agir naturalmente. ‘Psilone Maria’ e ‘Patricia Maria’. Fazer “cara de destino” e conversar rapidamente, sem revelar muito interesse.
9. Ir ao jantar na casa de Coelho e encontrar Chico novamente. Fazer mais uma vez a ‘cara de destino’ e falar sobre os assuntos extremamente interessantes que aprendemos nos últimos anos: Fluminense, peladas, Renata Maria, álcool, Leblon, vizinha

Me leve à toa pela última vez

20060810 14:41
“Pense como eu vim de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será um caminho bom
Mas não me leve
Leve, Chico

Pedaço de mim

20060109 20:22

“Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais”
- Pedaço de Mim – 1978 – Chico Buarque

O som deste domingo

20051113 11:52

O violonista Baden Powell, que ganhou o nome em homenagem ao general inglês fundador do escotismo, foi mestre na arte do dedilhado. Criador de um estilo próprio ao violão, Powell reformulou a MPB pós-bossa nova. Em 2000, aos 63 anos, lançava o álbum Lembranças. E naquele mesmo ano, seu violão ficou mudo. As cordas calaram na observância de um som que ainda existe, num “Encontro com a Saudade” e noutro “Samba Triste”.

O repertório, escolhido a dedo, traz clássicos da MPB e da bossa nova. Entre as canções, figuram “Falei e Disse”, uma parceria com o sambista Paulo César Pinheiro, “Tem Dó”, parceria com Vinicius de Moraes, “Pastorinhas”, de Noel Rosa e João de Barro, e “Inquietação”, de Ary Barroso. O álbum –todo instrumental – revela rigor estético ao violão e beleza.

Breve perfil

Sua habilidade nas cordas não decorreu do acaso, desde menino interessou-se por música. Filho de violonista, ele acompanhava as reuniões musicais na própria casa. Aos oito anos, tomava aulas de violão com um professor particular. Foram cinco anos dedicados ao estudo de clássicos, num dedilhar sem fim. Aos 13, já animava bailes do subúrbio carioca, matava aula para tocar com os amigos no morro da Mangueira.

Quando terminou o ginásio, Powell fugiu para a Rádio Nacional. Fez excursões no país acompanhado pelo pessoal da emissora. Quando atingiu a maioridade, em 1955, entrou para o trio do pianista Ed Lincoln, tocando jazz em uma boate carioca. Aos 19, compôs em parceria com Billy Blanco a canção “Samba Triste” —gravada quatro anos depois, por Lúcio Alves.

O melhor ainda estava por vir. Aos 25 anos, conheceu o poetinha Vinicius de Moraes, de quem virou parceiro. Surgiram das mãos dos dois “Samba do Prelúdio”, “O Astronauta”, “Consolação”, “Samba da Benção”, “Tem Dó” e “Só Por Amor”. No fim dos anos 60, o músico foi para França com seu violão. Ao exibir seus sambas e composições eruditas, Baden fez tanto sucesso, que fechou um contrato para produzir a trilha sonora do filme “Le Grabuje”.

Na volta ao Brasil, partiu em uma pesquisa sobre as sonoridades africanas, com o intuito de incorporá-las em sua música. Passou seis meses na Bahia, quando estudava os cantos dos terreiros e o candomblé. Quando encerrou a pesquisa, compôs uma série de afro-sambas como “Tristeza e Solidão”, “Canto de Xangô”, “Canto de Ossanha” e outras bonitezas.

Enquanto isso, na Europa, fazia fama. Entre seus grandes feitos, participou do Festival de Jazz de Berlim, ao lado dos guitarristas Jim Jall e Barney Kessel; tocou com a Orquestra Sinfônica de Paris; gravou os discos “Baden Powell Quartet”, “Baden Powell”, “Baden Powell Trio & Opera Frankfurt”, entre outros. Com personalidade avessa ao rebuliço, preferiu silenciar a façanha. No Brasil, era lembrado em composições eternizadas na voz de grandes nomes da MPB. Mas seu forte era o violão, que sozinho, tinha caldo, tinha sonho e encantava.