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Você está aqui: 'business idea'

Durandeau 2.0

20070804 09:54

Resumo do conto “Complementos”, de Émile Zola

Paris, século XIX - o belo inebria mais que hálito de vinho ou fumo. Beleza vira commodity e os investidores franceses produzem cosméticos e vestuários em larga escala. A indústria está a toda. Neste cenário competitivo, o inventor L. Durandeau busca uma idéia diferente para investir, algo com pouco risco e verdadeira chance de sucesso. Perambula. Eis quando passa por um casal de jovens amigas que atraem seu olhar com magnetismo. Apesar de indelicado, ele olha para trás de impulso: uma linda e a outra hedionda, repulsiva! Meu deus, como pode existir tamanho deseqüilíbrio! Qualquer sujeito faria a comparação inevitável. Uma tão assustadora e a outra a cada gesto mais cheia de graça. Euréka! É isso! Sem titubear, Durandeau abre sua Agência de Complementos, especializada em “acompanhantes de contraste” para mesdemoiselles ricas desfilarem na cidade da luz. O aluguel pode ser diário, para casos de festa, ou somente por hora, para vaguear pelas calçadas largas da Champs-Elysées. O produto prova-se mais eficiente que o melhor cosmético.

Já pensei antes em montar a rede pat-rent-a-pet para alugar cachorros na entrada de parques. Filhotes seriam mais caros. Mas depois de ler o conto de Zola, imaginei a versão da agência Durandeau para o século XXI. Um site especializado no aluguel de pessoas “extravagantes e inadequadas” para ocasiões especiais. Por favor, evite o julgamento precipitado. A agência não ofereceria qualquer tipo, somente os mais grosseiros, arrogantes e sem discernimento. Aqueles que fazem o comentário indevido, promovem guerras, têm convicções pavorosas, defendem causas nazistas e podem ser bodes expiatórios para quase toda ocasião.

They misunderestimated me“, diria o presidente americano. O primeiro desafio seria encontrar os candidatos, já que muitas das aberrações parecem bem empregadas. Mas com persistência e calma, perceberíamos que há matéria-prima para dar e vender, um artigo mais comum que vexame de celebridade pop americana em capa de revista. Mesmo assim, muita cautela na hora de convidá-los para o projeto. Nossos candidatos poderiam se ofender facilmente.

Até o mestre Durandeau enfrentou apuros para encontrar suas fealdades. Somente meninas razoavelmente jeitosas candidatavam-se espontaneamente. Um trabalhão para convencê-las do engano: veja bem, você não é suficientemente feia. No caso da agência de “extravagantes e inadequados” o problema seria outro: como atender um sujeito em fase de descoberta? Devemos estabelecer desde o princípio que não somos um consultório de psicanálise. Eu descartaria todo candidato voluntário na hora, sem dó. Se a pessoa já desconfia da própria falta de senso, isso é sinal de melhora, filosofia ou milagre.

Queremos pessoas categoricamente estúpidas, aquelas com o rei na barriga, certas de sua genialidade, missão, título e ética. Donos da solução para o mundo, para as gerações futuras e passadas, capazes de narrar qualquer caso em tom de sermão. Pessoas acima do bem e do mal, contra raios UV-A e UV-B, possíveis pastores evangélicos. O crème de la crème.

A agência ofereceria acompanhantes para toda ocasião, online e offline: chats no uol, lista de discussão, blogs, exposições e eventos culturais, convenções de vendas, jantares com sogros, festas da firma, casamentos. Um sucesso, principalmente entre políticos e assessores de imprensa.

Só não nos responsabilizaríamos pelo uso impróprio do material. Um pequeno contrato, com dois pontos obrigatórios, seria suficiente. A primeira regra: essencial destacar as diferenças e não as semelhanças entre você e o acompanhante. Regra número dois: nunca, nunca contrate um complemento para fazer uma entrevista de emprego na mesma empresa que você pretende trabalhar. Em testes realizados no mundo inteiro, ele tem mais chance de ser contratado.

Ah, que agito. Tantas solicitações, corre-corre, reservas… Teríamos um estoque de verdades. E depois viriam as notícias, escândalos, queixas, processos. Correntes, possíveis revelações, líderes e… seguidores. Começou a soar perigoso. Meu coração. Talvez seja melhor retrabalhar a idéia de pat-rent-a-pet no Ibirapuera. Menos risco, diria mestre Durandeau, menos! E filhotes sempre serão irresistíveis.

O fim dos tempos. Para isso que você tem blog?

Som na caixa de Pandora

20070620 21:02

John Woodcock

Deixe a música entrar. Leve consigo apenas uma peneira com um entrançado suficientemente aberto para passar grãos de novidade e surpresa. Como este espírito livre e atento, a rádio online Pandora.com tem conquistado muita gente. O site promove uma experiência democrática para estimular a descoberta de músicas, sem que haja qualquer interferência de gravadoras, mídia, palpites de críticos ou sabichões. Lançado em dezembro de 2006, o site já conta com mais de 7 milhões de assinantes nos Estados Unidos. Infelizmente, por dificuldades da legislação brasileira, foi impedido de funcionar no país.

Música e matemática – como tudo começou

Era uma vez um estudante de tecnologia e músico que sonhava com um superfantástico sistema de classificação musical. O desconhecido Tim Westergren estudava na Universidade de Stanford e trabalhava na criação de trilhas sonoras para filmes para ajudar a pagar a faculdade. Escolher trilha não era uma tarefa fácil. “Diretor de cinema não é músico e não tem o conhecimento teórico para explicar objetivamente o que quer. São indicações subjetivas, pistas, caminhos”, conta. “Eu mostrava músicas, centenas de músicas, para extrair o que o diretor queria”. O filme passava, o diretor cantava, notas pululavam na cabeça de Tim e aproximações matemáticas ganhavam forma. Nascia a idéia de um genoma musical.

Em 2000, com o boom de novos negócios de Web, Tim resolveu agarrar a oportunidade. Na época, era fácil conseguir investimento. Oba-oba, a festa do start-up, euforia na Nasdaq. Havia muito dinheiro na praça e faltava idéia boa. Ele lançou a flecha: faria o primeiro genoma da música da história, um software capaz de entender o DNA musical para agrupar composições em diversas maneiras. Ainda não sabia o futuro do projeto, se seria usado para educação, composição, indicação de artistas em lojas de CD, ou uma rádio. Conseguiu investimento e colocou a pesquisa para andar.

Taxonomia musical

Tim Westergren em Seattle, na Biblioteca Pública Central || foto de Patrícia Kalil

Montou um núcleo de pesquisa para identificar quais seriam os “genes” da música. Mais de 400 qualidades musicais classificáveis foram definidas: tipo de melodia, harmonia, ritmo, instrumentação, orquestração, arranjo, harmonia vocal, vigor e tom vocal, gênero musical, gênero do vocalista líder, nível de distorção da guitarra, tipo de background vocal, etc.

A partir desse algoritmo mestre, a equipe começou o trabalho de classificar músicas para entrar no sistema. O trabalho de taxonomia é lento, pois cada faixa precisa ser analisada individualmente e por um profissional treinado. Uma única canção demora cerca de 30 minutos para ser analisada. Não existe um meio para automatizar o processo. Tim conta que eles até fizeram um teste com profissionais não treinados e sem background musical, mas foi um desastre. “Leigos não sabem o que é harmonia, identificar nível de distorção, classificar uma escala como maior ou menor”, comenta.

Chega 2001, uma bolha no espaço. Quando a primeira bolha da Web estourou, o dinheiro sumiu, diversas “pontocom” fecharam. “Ninguém queria mais financiar o nosso projeto, parecia loucura levar 30 minutos para classificar uma única música”. Só restava esperança na caixa, nem mais um tostão.

Plano de negócio

reprodução da página principal do Pandora

Cada vez mais envolvidos e apaixonados com os resultados da engenhoca, a equipe inicial do Pandora não queria parar. Com trabalhos paralelos, dinheiro emprestado ou dívida, o pequeno núcleo continuava a classificar músicas diariamente. Depois de 4 anos, eles atingiram um volume razoável de faixas catalogadas no sistema. No ano início de 2006, a versão beta do site entrava na Web. Em menos de um mês, milhares de pessoas já tinham assinado, criado rádios e testado as indicações do sistema Pandora. A prova do sucesso. Os investidores reapareceram.

Atualmente, o banco de dados tem mais de 500 mil músicas classificadas e o núcleo de análise tem capacidade de adicionar aproximadamente 12 mil novas músicas por mês. O PandoraClassics está em fase de desenvolvimento e terá um genoma com mais de mil atributos.

A rádio é totalmente gratuita e sustentada por investidores e anunciantes. O modelo de publicidade é excelente, pois possibilita o direcionamento para públicos bem específicos – exemplo: mulher, 25-30 anos, Seattle, que gosta de jazz; ou homem, 15-20 anos, Los Angeles, que gosta de surf rock. Adicionalmente, o site tem parcerias com as lojas Amazon e Itunes e recebe comissão das vendas geradas. Segundo Tim, 40% dos usuários compram CDs e o Pandora já comemora 171 mil vendas de discos na Amazon. A Microsoft, também atenta, fechou parceria ainda no ano passado e adotou o sistema Pandora para reciclar e melhorar o serviço de rádio livre no MSN.

A rádio tem capacidade para transmitir músicas constante e continuamente, sem a necessidade de copiar o arquivo de áudio para seu computador (streaming). Mas isso não basta, música existe além do computador. Como teste de mercado, a empresa começou este mês uma parceria com a operadora de telefonia celular Sprint e o lançamento de um tocador especial. E não pára por aí. Tim já tem planos para um adaptador para rádios de carro e outros aparelhos.

Tim mostra celular Spring com Pandora || foto de Patrícia Kalil

 

Direitos autorais e licença no Brasil

Cada vez que uma música toca no site Pandora, o artista recebe sua fração de direitos autorais. No caso da transmissão via internet, a legislação americana apresenta um artigo que dá o direito de sites pagarem direitos autorais diretamente para os artistas. O Digital Millennium Copyright Act (DMCA) viabilizou o pagamento sem intermediários e, por outro lado, também aumentou a pena de prestadores de serviço online no caso de infrações.

O problema é que fora dos Estados Unidos tal lei não existe. Para transmitir uma única música no Brasil seria necessário negociar separadamente com a gravadora proprietária do título e com cada profissional envolvido. Fazer isso para cada faixa de música tornaria a situação muito difícil, cara e morosa. “Seria um trabalho inviável! Imagina, só com o nosso banco atual de 500 mil músicas. Passaríamos mais tempo procurando todos esses profissionais do que classificando novas músicas”, comenta Tim o custo de rodar o Pandora no Brasil. Ele conta que na Europa a maioria dos países já está com lobby para conseguir a aprovação da nova lei de transmissão digital e pagamento de direitos sem intermediários. “Só podemos torcer para que novas leis sejam criadas no Brasil”. A esperança pulsa.

Marketing: o micro dentro do macro

20051212 21:15

Você sabia que além da planta dos pés, na ponta dos dedos da mão você também tem todos os pontos essenciais da medicina chinesa? Nada mais de consultas com o pai Liu para furar suas costas inteiras. O negócio é inventar o TECLADO CHINÊS no Brasil e mandar fabricar na China, por questões de autenticidade. A invenção é simples: teclado com 100 micro agulhinhas em cada tecla. Assim, depois de 8 horas de trabalho, você vai para casa totalmente eqüilibrado.

<!– isso não é uma exclamação “!!” –> ai

Wash away your sins

20050812 20:57

Melhor que a linha Ekos,
melhor que a confissao.
Coloque em sua mao,
uma gota de sabao.

Patrícia para o Nobel da Paz!

20050624 19:40

Outro dia, Leen Nadeau bateu à porta. Uma militante da esquerda, anti-Bush, contra o Wal-Mart e contra tudo. Lésbica, teve uma filha com seu melhor amigo gay. Ele morreu de AIDS há cinco anos. Ela mudou de São Francisco para cá. Chorou. Leen morou no Egito e entende o conflito árabe. Em julho, irá “fazer ponte” entre palestinos e israelenses.

- Ah, você vai para a faixa de Gaza! Que coragem!

- Eu vou! Só não vou para Bagdá porque ainda tenho algum cuidado.

Que diacho essa mulher queria fazer em Bagdá. Gritar contra quem? Se ela fosse fotógrafa, jornalista, eu entenderia. Mas uma militante americana é tudo que iraquiano não quer ver!

Se eu tivesse os contatos certos e força de vontade, abriria uma empresa chamada Phoenecian ou Cananeu. A instituição só venderia um “selinho”, com um símbolo de um barco fenício. A mensagem: compre produtos árabes. Eu buscaria empresas no Oriente Médio com potencial para exportação e venderia minha estampa. Depois, faria um trabalho de Relações Públicas forte, com o objetivo de sensibilizar o torto e o direito. Conseguiria o apoio da ONU. Isso não deve ser difícil, toda ONG tem. Falaria com as câmaras de comércio. Pronto! Conservadores comprariam produtos com a estampa Phoenecian para ajudar os militares americanos morrendo em Bagdá; liberais e militantes da esquerda buscariam os produtos para mostrar que são contra a guerra; os estudantes, então, usariam até véu e comprariam o Corão! Seria o maior sucesso! Este é um jeito de promover a paz no mundo. Patrícia para o Nobel.

A gang dos velhinhos

20050623 12:52

Mathias Waske

Deu no NYT que três velhinhos alemães, com mais de 70 anos, foram presos na semana passada. Eles assaltaram 14 bancos e roubaram cerca de U$ 1,5 mi. Este foi o melhor plano privado de aposentadoria!!! Os rapazes tiveram a idéia em um bar, há pouco mais de dez anos. Imagine.

1 – Bem,quem topa fazer uma gang de velhinhos comigo, daqui 20 anos? Não quero me aposentar muito depois disso.

O sacramento da confissão

20050531 21:25
Quando o padre sai do armário

Deu no New York Times, a onda é confessionário online! Pois é, foi-se o tempo em que precisávamos ir à igreja falar todas as nossas faltas e violações. Agora, basta clicar em endereços como Not Proud.com , ou Daily Confession.com, ou Post Secret.com . Porém, nesses sites, ninguém busca exatamente a absolvição católica. Talvez, um espaço para desabafar, ou uma chance para dividir segredos obscuros. O usuário não precisa dizer nem nome, nem e-mail, nada. Só entrar e escandalizar.