Nascidos para Correr
“Você não deixa de correr porque fica velho. Você fica velho porque você para de correr” – Jack Kirk em Born to Run, de Christopher McDougall
Em 2008, quando estava no Pacific Center em Seattle para assistir à largada de Laurent em sua primeira maratona, acompanhei também o falatório sobre um homem que faria a prova inteira descalço. “Esses hippies anti-tudo”, pensei, “existe tênis para evitar que a gente se machuque, brother!” Ontem, terminei de ler o livro-reportagem Born to Run, do jornalista esportivo Christopher McDougall, e percebi que a louca talvez fosse eu.

by Aarmono, Creative Commons/Flickr
McDougall estava intrigado com o fato de sofrer constantes lesões no pé, tornozelo, joelho e bacia toda vez que voltava a correr. Consultou diversos especialistas e pareceu continuar sem uma resposta aceitável…
“o corpo não foi feito para correr, somos feitos para nadar” (ahn? temos nadadeiras?)
“tente um novo tênis com mais apoio para seu tipo de pé (entressola com gel, molas, bolsas de ar comprimido, colchão especial de amortecimento, controladores de movimento) ou palmilha ortopédica por causa da sua pronação/supinação”
“você precisa de uma cirurgia nos quadris”
Então resolveu buscar explicações em outro solo. O jornalista revirou pistas e investigou:
- grupos que correm e não se machucam
- ultramaratonistas de longas distâncias (75km e mais)
- grupos que correm por prazer, estilo de vida ou cultura: crianças, comunidades em países na África, Ásia e América Latina
- a história da evolução do homem
- Homo neanderthalensis versus Homo sapiens; o último saiu na frente porque desenvolveu a capacidade de correr como meio de caça até deixar a presa cansada; correr como meio de defesa para fugir de perigo; correr como meio de união, correr como meio de transporte
- nossa anatomia e capacidade física
- suor para esfriar: com poucos pelos e distribuição de glândulas sudoríparas na pele humana, temos um perfeito sistema de resfriamento do corpo durante atividade física (uma vantagem humana na pré-história quando comparados com outros animais que correm)
- senso de equilíbrio desenvolvido
- capacidade de administrar reservas de energia
- forma do pé: estudos de universidades sobre a anatomia do pé e sobre como o nosso pé é projetado para tocar no chão evitando impacto na coluna (o parte fofinha do pé primeiro e depois o calcanhar, exatamente como as crianças fazem)
- a invenção industrial do tênis para jogging (um tipo de trote) na década de 70 que redirecionou o impacto da pisada para o calcanhar, negando o estilo natural do pé de entrar em contato com o chão
- a promoção comercial de maratonas e corridas urbanas resultando em treinamentos abusivos e sem limites
- o aumento de lesões desde a década de 80 entre atletas e pessoas que correm com tênis moderno
- pesquisas acadêmicas apontando maior impacto na coluna entre pessoas que usam tênis com mais amortecimento
- na falta de prazer e no desaparecimento da cultura de correr da sociedade moderna
Pé, querido pé


Só de olhar a imagem acima até um leigo pode desconfiar que o calcanhar não seria a parte ideal para tocar no chão primeiro e absorver todo impacto, não é? Logo abaixo das falanges dos dedos, o nosso metatarso (a parte da almofadinha da planta do pé) tem por dentro um complexo conjunto de extensores e parece um sistema de suspensão perfeito. Quando corremos com um calçado de sola fina só para proteger a planta do pé, naturalmente pisamos com a parte mediana do pé primeiro. O corpo é sábio: se ao correr descalços nós aterrissássemos com o calcanhar, não aguentaríamos a explosão do impacto e a repercussão do choque na coluna por muito tempo. Também damos passos mais curtos, o que facilita a resposta física correta (corrida leve, pisada mais no centro do pé, coluna/cabeça mais ereta), fortalecendo do nosso corpo.

À esquerda, o gráfico mostra a força do impacto absorvido pelo calcanhar de indivíduo com suporte dando passos muito largos para seu corpo, com forte deslocamento do peito para frente. À direita, o gráfico mostra o amortecimento do impacto quando absorvemos o choque com o metatarso, de indivíduo sem suporte especial que dá passos médios, mantém o peito aberto, coluna/cabeça eretos.
fonte: Universidade de Harvard
Por que a indústria do tênis resolveu que seria melhor mudar a pisada natural e fazer nosso calcanhar absorver o impacto? Questionadas sobre o assunto e sobre a base científica para provocar a mudança na forma da gente pisar, nenhuma fabricante de tênis tinha dados científicos. Até mesmo atletas de distâncias curtas patrocinados por grandes fabricantes treinam descalços para fortalecer o metatarso. Crianças correm com leveza e agilidade, dando passos curtos e pisando mais no meio do pé. No México, os índios Raramuri que correm longas distâncias usam uma sandália fina de couro somente para proteger a planta do pé das pedras. Na África, diversas tribos correm somente com um calçado fino improvisado ou totalmente descalços, pois usam o corpo para ouvir a forma certa da pisada.
Em janeiro deste ano, o jornal acadêmico americano Nature divulgou mais uma pesquisa sobre o assunto, “A biomecânica de correr descalço“, falando sobre a pisada natural. De fato, diversas universidades e centros de pesquisa no mundo reúnem evidências que correr sem suporte (ou com um calçado fino simples) fortalece mais o pé e por isso causa muito menos lesões para o corpo que correr com um tênis com sistema para amortecer choques. A apreensão é que toda essa tecnologia de proteção no calcanhar, além de ensinar a gente a pisar errado quando corre, possa atrofiar o metatarso do pé e não ajuda a fortalecer o pé, seus músculos e extensores (ex: Biomecânica da Pisada, Universidade de Harvard; A verdade nua do pé descalço, Universidade de Glasgow).
Redescobrindo o prazer em correr
Seu corpo se torna tão familiarizado com o ritmo de balanço de berço da corrida que você quase esquece que está se movendo. [Em certo ponto,] você entra em outro fluxo ainda mais leve, como se estivesse levitando. Você tem que ouvir atentamente ao som de sua própria respiração, estar ciente de quanto suor está pingando de suas costas, ter certeza de tomar água e comer um snack, perguntando-se, honestamente e muitas vezes, exatamente como se sente. – Ann Trason em Born to Run, de Christopher McDougall

Arnulfo Quimare & Scott Jurek na ultramaratona de 47 milhas (75km) no Copper Canyon no México
McDougall vai muito além da discussão do tipo de pisada e uso ou não de calçado. Escolhe personagens maravilhosos, narra a mais linda maratona da história, fala do prazer de correr, de motivação, saúde e liberdade, da nossa história como homens corredores, do nosso estado de espírito leve ao correr, revela um mundo gostoso, em harmonia e bonito de gente que corre não para vencer, mas para viver.
“Se você realmente quer entender os índios Raramuri, você precisava ver quando esse homem de 95 anos de idade subiu 25 milhas (40km) ao longo daquela montanha. Sabe por que ele pode fazer isso? Porque ninguém disse que ele não poderia. Ninguém nunca disse que ele devia estar morrendo em um lar de idosos. Você vai até onde suas próprias expectativas alcançam, cara.” – Caballo Blanco (Micah True) em Born to Run, de Christopher McDougall

A melhor explicação que eu já vi em português. Para vir todas essa teorias na pratica só precisa passar uma hora no parque de aclimação ou ibirapuera, e depois passar uma hora olhando crianças jogando bola descalços na periferia ou no interior.
deixando o par de tênis de lado… vai ser, além de tudo, uma grande economia!!
Gostei muito, bem elucidativo. Mande sempre estas verdades!
“o aumento de lesões desde a década de 80 entre atletas e pessoas que correm com tênis moderno”
Esta informação está incorrecta, não houve alterações significativas na incidência de lesões nos corredores em 30 anos, não devemos esquecer que o tempo médio de uma maratona dos anos 80 para hoje aumentou de 3,5 para 4,5 horas, significando que cada vez existem pessoas menos preparadas a correr (com maiores probabilidades de se lesionarem)
“Por que a indústria do tênis resolveu que seria melhor mudar a pisada natural e fazer nosso calcanhar absorver o impacto? ”
Não existe um único estudo que prove inequivocamente que o calçado (d)esportivo (sou de Portugal), previne ou evita lesões desportivas.
De igual modo não existe nenhum estudo que prove inequivocamente que correr descalço evita ou previne lesões desportivas.
Os investigadores sabem que o calçado desportivo afecta de forma consistente alguns dos parâmetros que se suspeita poderem contribuir para o aparecimento das lesões, este facto é revelado em inúmeros estudos, mas não se pode afirmar que o calçado previne as lesões, simplesmente porque a ciência baseia-se em factos e não em suposições.
O estudo “Biomecânica da Pisada, Universidade de Harvard”, divulgado pela revista Nature foi mal interpretado, basta ler o aviso na entrada do site:
http://www.patriciakalil.com/blog/?p=1291
“Please note that we present no data or opinions on how people should run, whether shoes cause some injuries, or whether barefoot running causes other kinds of injuries. We believe there is a strong need for controlled, prospective studies on these problems. ”
Não me levem a mal, defendo a teoria de termos nascido para correr, faz sentido, defendo correr descalço como complemento de treino, fortalece os pés, defendo que quem corre descalço sem problemas deve continuar , não defendo fanatismo, como o do sr Christopher McDougall e outros, não defendo má interpretação dos estudos, ataques os fabricantes de calçado, defendo precaução para quem quer começar a correr descalço sem um período de ajustamento, o mais provável é resultar em lesão.
Pois é…E pensar em quanta chatice já tive que ouvir “somente” por gostar de caminhar sem tênis…KKkkkkkkkk…
Para Paulo:
Para Teresa e Jue
Para Laurent e Miriam
Olá de novo
Na verdade estou no retalho (varejo) de calçado desportivo desde 1993, o site no entanto não vende calçado, a metodologia de venda que utilizo não pode ser feita por Internet.
O tema ainda não chegou aos média aqui em Portugal (não entendo bem porque razão), imagino que saltará nos próximos tempos. Não me sinto afectado muito afectado, nem sinto que tudo o que acreditei está em jogo, em baixo explico a razão:
O meu ponto de vista:
O Livro foi escrito por um indivíduo, baseado nas suas experiências pessoais e portanto parcial. Os média e os corredores descalços (principalmente nos EUA, onde existem fundamentalistas) interpretaram os estudos de forma errada e mesmo desonesta. Imagine o “furo” correr descalço reduz as lesões; claro que vende mais jornais.
Os estudos são de credibilidade duvidosa, por exemplo; verifique na página inicial da Harvard de Daniel E. Lieberman (no final ), quem financiou o estudo (será que com outro financiamento o resultado seria outro), o pior é serem mal interpretados (o próprio investigador colocou essa informação no site). Outros investigadores apontam que a conclusão final do estudo é pura especulação; com os dados do estudo o Dr Lieberman não podia afirmar que correr descalço “may protect the feet and lower limbs from some of the impact-related injuries now experienced by a high percentage of runners. (mais uma vez factos não suposições)
O Ponto do financiamento é interessante no texto original não foi mencionado o conflito de interesses, como mandam as regras da comunidade cientifica.
Sobre esta passagem: “Só de olhar a imagem acima até um leigo pode desconfiar que o calcanhar não seria a parte ideal para tocar no chão primeiro e absorver o impacto do peso do nosso corpo, não é? Logo abaixo das falanges dos dedos, o nosso metatarso (a parte da almofadinha da planta do pé) tem por dentro um complexo conjunto de extensores e parece um sistema de suspensão perfeito.” Pergunte a um ortopedista ou um especialista em biomecânica sobre isso, provavelmente a resposta será tipo; “O calcâneo é o maior osso do pé, e possui por baixo a maior camada adiposa do corpo (gordura natural que amortece). Os metatarsos são ossos pequenos e possuem menor protecção adiposa por baixo, comparando com o calcâneo, não estão desenhados para sofrer três vezes o peso do corpo em impactos.” é anatomia básica.
Factos inquestionáveis sobre o assunto:
Na indústria e na biomecânica, há anos que se sabe que o calçado com demasiados materiais ou tecnologias de amortecimento de impactos diminui a proprioceptividade do corpo humano, levando-o a atrasar algumas reacções naturais de amortecimento de impactos como a flexão da anca, joelho, rotação da tíbia e articulação subastragalina (subtalar), O problema é que quem manda verdadeiramente nesta indústria é o marketing e não o departamento de investigação.
Não se sabe quanto, mas a verdade é que o calçado por mais materiais ou tecnologias que possua pouco amortece; a atenuação do choque (terminologia mais correcta) é feita pelos mecanismos do corpo (como descrito no paragrafo anterior), e não pelo calçado.
Veja as perguntas mais frequentes no meu site sobre se “o mais importante no calçado desportivo é o amortecimento?”: http://calcadodesportivo.com/faq_pmf.htm#10 (esse texto está escrito desde 2006).
Dados inquestionáveis:
Correr descalço fortalece os múlculos dos pés
Correr descalço aumenta a proprioceptividade e equilíbrio
Aparentemente modifica o comportamento biomecânico dos indivíduos (não está completamente provado se em todos)
Não existem estudos sobre os efeitos de correr unicamente descalço a longo prazo.
Não existem estudos que indiquem que correr com calçado tradicional aumenta as lesões ou que correr descalço reduz as lesões, apenas especulações, é necessário investigar mais.
Claro que não acredito que a maioria das pessoas não vai começar a correr ou caminhar descalço.
Parte do problema advém do paradoxo da civilização versus evolução; o ser humano evoluiu para caminhar descalço e superfícies irregulares, mas inventou superfícies regulares e duras, o que contraria a sua evolução (pela minha experiência cerca de 2/3 ou mais dos problemas biomecânicos são resultantes do pé tentar se adaptar aos solos regulares e duros). Por causa deste paradoxo o ser humano continuará a comprar calçado, e eu continuarei a fazer o meu trabalho que é “casar” sapatos com pés.
Se pesquisar no google o meu nome + correr descalço provavelmente encontrará posts antigos em fóruns a defender a corrida descalça, eu defendo: como complemento, mas é opinião, não afirmação pseudo científica.
Se procura opiniões equilibradas sobre o assunto, visite o fórum Podiatry Arena, (em inglês sobre Podologia), secção “Biomechanics, Sports and Foot orthoses” onde estão mensagens dos “gurus” da investigação biomecânica mundial, incluindo simples vendedores de calçado até podiatras que trabalham para marcas desportivas.
Esqueci; o estudo não mostra redução das forças máximas (o pico) de impacto sofridas (calçado vs descalço), são semelhantes em ambos os casos.
Para Paulo:
Valeu, um abraço do velho continente.
Pati querida, que ótima discussão!
Há anos tenho sérios problemas com meus pés. Digo brincando que se pudesse eu os trocava por novos.
Joanetes, esporão, dores, constantes inflamações… É eterna minha busca por sapatos que me sejam mais adequados e percebo que as pesquisas apenas recentemente tem apontado algumas possíveis saídas indicando, por exemplo, a angulação dos solados adequada, em relação à sustentação da coluna, etc..
Concordo com o que dizem sobre a vida moderna. Homens evoluiram e asfaltaram ruas, impermeabilizaram o solo, nosso estilo de vida mudou e a consequencia disso, claro, se reflete em nós, assim também, como o que comemos.
A moda inventou o salto, verdadeira tortura; os tênis com ou sem impacto, e uma variedade imensa de opções, mas esqueceram de dizer às pessoas, que o que elas precisam mesmo é ouvir seu próprio corpo e suas reais necessidades e parar de querer ter o sapato igual a essa ou aquela celebridade, ou porque é a chuteira assinada pelo ídolo, ou porque é dessa ou daquela grife…
Enquanto isso, Viva o debate!
Beijo
http://ajs.sagepub.com/content/38/3/486.abstract
Correr…correr…correr…
Run Pat, run…run back to Niterói. We are missing you both so much…
Hoje fomos a um lugar aqui perto de casa de onde flagramos o sol se pondo deslumbrantente sobre a baía da Guanabara. Um espetáculo para olhos e alma.
Como a luminosidade era muito intensa pelo reflexo do sol na água vindo diretamente contra nossos olhos, não podíamos distiguir lá em baixo nem formas, nem rostos, nem cores…apenas o sol sobre a baía. Atrás um capela rústica, cachorros brincando na grama e a certeza de que os laços são enternos, as buscas infinitas, as decisões efêmeras, as paixões ilusões, a corrida cansativa, o fim certo.
Te amo desde sempre….
Para Ronaldo Martins
Minas pede um olhar para o lado de cá…. quem sabe as cachoeiras não conseguem representar o mar.
Mama
…ouvir o próprio corpo sempre! Aprendi na faculdade a pisada correta, a corrida correta, a respiração correta…enfim, td pronto! Porém, meu corpo sempre reclamando e sentindo dores, incômodos. Então, se está correto, o está saindo errado? Mas quem gosta de correr, gosta. Com tantos estudos que têm saído, experimento de tudo para concluir algo mais satisfatório e que me desvie das minhas dores. Há algumas semanas iniciei a corrida descalça e, para surpresa minha- nada de dores, postura alinhada, pés mais fortes e como consequencia…uma vontade apaixonante de fazer agora tudo descalça! Experimente primeiro e diga depois. Como sempre, quanto mais natural melhor!
Nunca encontrei ninguém descalço em provas oficiais (Portugal) para além de uma dálmata já famosa nestas andanças. Mas há muita gente que já ouviu falar (especialmente desde que saiu o livro do McDougall). De tudo o que ouço nas provas, ou fora delas, os pontos de vista mais sensatos vêm sempre de quem já experimentou ou está a experimentar. A experiencia vale ouro sim, mas a nossa experiencia, não a dos outros. Boas corridas…
Oi, André,
Obrigada pelo comentário
Boas corridas!
Olá Pati
Muito bom o texto e a discussão. Parabéns pelo site!
Eu corro desde os 13 ou 14 anos (hoje estou com 28). E, desde então, sofro com recorrentes lesões, pricipalmente uma periostite tibial (a famigerada “canelite”) nas duas pernas.
Já usei todo tipo de tênis, dos indicados a supinadores aos pronadores excessivos, passando pelos “minimalistas”, indicados para provas curtas.
Por curiosidade – e para sair da rotina – iniciei um treinamento de provas rasas, numa pista de atletismo, com direito a sapatilha e tudo, há uns 3 anos atrás.
Durante o tempo em que treinei e competi nas pistas, não tive sequer uma lesão, mesmo com a intensidade sendo muito maior, apesar do volume ter dimunuído.
Nas pistas, com as sapatilhas, corre-se somente com o antepé e ponta dos pés.
Quando voltei às ruas, as mesmas lesões voltaram a me perseguir – e perseguem até hoje, quando corro de tênis.
Há algum tempo venho acompanhando as discussões sobre os tênis “ultraminimalistas”, o correr descalço… E, junto a isso a experiência das pistas, decidi experimentar.
Tenho o privilégio de morar a alguns metros da praia, um bom lugar para o barefoot running. E sempre que corro descalço na areia, a bendita dor nos tibiais não aparece. É como mágica.
Comprei o livro “Nascidos para correr” essa semana e já estou terminando de “engulí-lo”. É uma baita história, e uma grande motivação.
É quase impossível fazer todos os treinos descalço ou com tênis ultraminimalistas, mas sempre que posso, eu faço.
Já fui tachado de louco algumas vezes por correr com uma sapatilhazinha de neoprene, feita para hidroginástica, na esteira da academia, e por fazer alguns treinos proprioceptivos descalço.
Mas, se fôssemos feitos para usar tênis para nos locomover, já nasceríamos com eles.
Filmei meus pés por trás, na esteira, e depois os vi em câmera lenta. É revoltante! Assim como minha mecânica de corrida. É tudo torto!
Não consegui filmar correndo descalço. Não deixam. Vou tentar com a sapatilha de neoprene.
Assim que tiver a oportunidade, vou fazer e postar os videos.
Minha esposa, também professora de educação física, disse que é visivelmente nítida a diferença entre o correr calçado e descalço. É muito mais natural.
É isso. Foi um testemunho e um quase desabafo. Quando falo em correr descalço, frequentemente sou ignorado.
A internet facilita o diálogo.
Um abraço
Leonardo
Oi, Leo,
Adorei seu comentário. Demorei dois pra responder porque estava viajando.
Vi em uma loja de esporte aqui no Rio as tais sapatilhas de neoprene, as da vibram 5 dedos. Experimentei e ponderei: comprar, nao comprar, comprar, nao comprar… São caras. Correr descalço é outra coisa, ainda mais agora que tenho praia pra fazer isso. Nas cidades onde morei não dava, nem nos parques mais legais. Mas na praia é possível. De toda forma, acredito que elas protejam contra os lixos das praias e também sejam boas para caminhar de casa até lá. Você já comprou? No geral, tive uma boa sensação com elas nos pés e até achei a toda preta bonita.
Um beijo e adorei seu comentário.
Pati
Olá Pati!
Desculpe a demora pela réplica.
Estava tão entretido com o livro (terminei de lê-lo somente ontem), que só hoje lembrei que havia escrito esse comentário.
Essas Vibram Five Fingers dizem que são boas. Ainda não tive a oportunidade de experimentá-las. E são muito caras.
As sapatilhas que eu uso são todinhas de neoprene, até mesmo a sola. Ela possui somente umas inserções de antiderrapante. São, na verdade, concebidas para a prática da hidroginástica. E custam R$29,90!
Segue o link delas na Decathlon: http://www.decathlon.com.br/BR/sap-hidr-speedo-helanca-pr-27897363/
Elas protegem bastante os pés. Não precisam de meias especiais (os Five Fingers sim). Corro na areia fofa, areia dura, asfalto, calçamentos, e até naquelas ruas de blocos hexagonais das cidades litorâneas.
Não tive bolhas, machucados, dores. Nada.
E a sensação de pés descalços acho que é ainda mais acentuada com elas do que com as da Vibram.
E o melhor de tudo é que já estou conseguindo treinar num ritmo igual ou até superior ao que eu estava acostumado com os tênis.
Para minha esposa me acompanhar com seus patins, está tendo trabalho.
Experimente essas sapatilhas da Speedo. São baratas. Se não gostar, o arrependimento vai ser bem menor ($$$) que o das Vibram.
Ah… e o “Nascido para correr” me fez querer ainda mais partir para as ultramaratonas. Já pedi autorização para minha esposa – e ela autorizou – para participar de minha primeira maratona até o início do próximo ano. E de sapatilhas de hidroginástica!
Um beijo!
Léo
Terminei de ler o livro “nascido para correr”, mas antes de terminar, já comprei as “vibram five fingers”, muito bom, mas estou fazendo a transissão aos poucos, mas percebo que são estilos diferentes de corrida; de tênis e quase descalço, acredito que o amortecimento veio depois do estilo de corrida no calcanhar, é uma questão de cada um decidir, sou meio S. Tomé pago para ver. Mas sinto que com as VFF, o impacto se distribui na sola e no corpo todo, e com tênis (Mizuno Wave Creation 12) o impacto é mal distribuído, e a corpo fica muito instável pareço pisar num colchão. Mas vou continuar a transição fiquei convencido até agora com o que experimentei. E uma coisa que falasse muito no livro é o prazer de correr, de vencer as distâncias e apreciar o momento e o próprio corpo no ato de correr.Abraço e boas corridas