Fita-me filipina

photo by Mabalay
“So gradually Doctor Aziz came to have a picture of Naseem in his mind, a badly-fitting collage of her severally-inspected parts. This phantasm of a partitioned woman began to haunt him, and not only in his dreams.” – Salman Rushdie.
O que realmente vejo, se de tudo parte invento? De meu conta-gotas pinga gato-de-botas, mil cambalhotas, país e ilhotas, silêncio, anedota, o mundo inteiro. Mapa infinito que só existe dentro, porque só daqui sou capaz de reconhecê-lo. Ponto de vista particular, que me faz ver o outro como sou: penso, escolho, abstraio e identifico. Como posso. E este charme verde-azulado fita-me, sem me ver. Como é.

que foto maravilhosa. Toda doçuca no olhar pirata e celeste. Bela indagação este sobre o que realmente vemos se nossos olhos inventam interpretações.
Como é.
Re-conhecendo, o que já está dentro.
Lindos – a imagem, o texto.
a gente olha e é azul
tem gosto de céu
a gente vê e é azul
dá pra ouvir o mar até
a gente enxerga e é azul
Patti fita a filipina e se pergunta, como posso? Lembro-me de meus tempos de judaísmo e Martin Bubber. Um judeu pergunta ao mestre hassídico Ravi sobre o fim do dia no sabá:
“Mestre, quando é que eu sei que a noite terminou e o novo dia chegou?”. O mestre responde: “Você sabe que o novo dia chegou quando há luz bastante para você reconhecer no rosto de qualquer outro um seu irmão”.
E toda essa energia elétrica que não consegue iluminar a cabeça de ninguém…