Voa, voa passarinho

P-de-passageira / P-as-in-passenger

Era uma vez um avião pequeno no aeroporto de Vilanculos. O vôo seguia para Beira, ao norte de Moçambique. Entrei como passageira, com sorriso leve. Ar fresco e possibilidade infinita. Estava super feliz com a falação em português depois de quase dois meses só ouvindo holandês e inglês. Tempo para dar risada e relaxar os ombros. Antes do avião decolar, já estava na cabine com o comandante e instrutor da escola de pilotos Jorge Zandamela Neves e o piloto Roberto.

piloto

Piloto Roberto

O vôo demorou uma hora. O comandante Jorge explicou o funcionamento de todos os botões, novos aparelhos, diferenças de terminologia entre EUA e Europa. Reparei que todas as conversas com a torre e até mesmo entre o comandante Jorge e o piloto Roberto eram em inglês. Ele explicou que Moçambique adotou o idioma estrangeiro nos cursos de aeronáutica há 10 anos e que isso faz uma diferença enorme para educação continuada. “Eu recebo material do Brasil, em português, e fico intrigado. Por que não adotar termos da navegação internacional? Isso dificulta a vida de quem quer seguir carreira internacional”. Será? Algum piloto na escuta? Eu ouvia, filmava (o filme vai ficar em Amsterdã, porque não consegui transferir o arquivo para meu micro), tirava foto e olhava a imensidão verde.

P-de-perto // P-as-in-proche

Beira, Moçambique

Feliz. :D

4 Comments

  1. Fabio Chiorino wrote:

    já falei aqui, mas devo repetir. Esse diário de bordo é delicioso. Tem que haver um livro para compilar as histórias e fotos. Mas aí vc tem que voltar pra cá um dia, para que possamos brindar o lançamento da Livraria da Vila. Combinado?
    beijos, Patricia.

  2. Ana Carmen wrote:

    Primeiro: como você está linda na foto.
    Segundo: como Moçambique é verde!
    Terceiro: onde está Moçambique urbano nessa mancha grande verde?
    Quarto: que medo. Até em Moçambique há mais bom senso na aviação que no Brasil. Tenho medo de controladores de vôo que não falam inglês.

  3. Lucia Freitas wrote:

    Deu saudades de você (linda, linda). Me lembrou tempos de piruetas nos ares com a Esquadrilha da Fumaça. É tão bom voar… pena que o Brasil seja este lugar descuidado de tudo. Me pego pensando: será que somos, nós, cidadãos, descuidados como nosso governo?

  4. pakalil wrote:

    Mas tem o outro lado da moeda: Moçambique é menor que São Paulo. Qualquer piloto precisa voar para países vizinhos e a língua nacional da África do Sul e Zimbabue é o inglês. No Brasil, o piloto pode ficar na ponte Rio-São Paulo, BH, Brasília, Salvador, Manaus, Porto Alegre por anos. E não precisa falar inglês mesmo, vai de uai, meu, bah, axé e tchê mermo bro!
    ;)

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