A grin without a cat
20090329 10:04
Meu gatinho morreu hoje.

rest – Picasso
do tempo dos cabelos longos
e da vida toda
do tempo em que eu tinha tempo
e não sabia

Viajei para quatro das dez províncias moçambicanas e conheci alguns distritos bem pequenos, sem luz, água tratada ou rede fixa de telefone. A correria foi grande para essa investigação nacional sobre Educação à Distância (EAD). O objetivo da pesquisa é determinar possibilidades e oportunidades para oferecer cursos para os trabalhadores da saúde (sem formação superior, apenas com 12ª classe) que estão nas áreas mais afastadas do país. Muitas vezes, esses técnicos de nível básico e médio são os únicos funcionários nos postos de saúde e hospitais no interior.
Além de conhecer a capacidade dos Institutos de Formação de Saúde nas capitais provinciais e comparar com a realidade dura nos postos distritais, levantei o histórico dos principais programas à distância realizados em Moçambique (desde os cursos de alfabetização via rádio nos anos 80 até os cursos de gestão online oferecidos atualmente). No relatório final, vou analisar e discutir a viabilidade, praticabilidade, demanda, perfil do público, potencial e limitações do uso dessa modalidade de ensino na saúde.
Na última quarta-feira, apresentei os achados preliminares da pesquisa no Centro Regional de Desenvolvimento do Benfica, em Maputo, durante o Seminário sobre EAD do Ministério da Saúde. Estavam presentes além do pessoal do Ministério da Saúde, do Centro de Controle de Doenças/CDC-US, da I-TECH/Universidade de Washington, diretores pedagógicos das Instituições de Saúde de Moçambique e o pessoal da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Saúde do Brasil.
Tenho mais de 25 horas de entrevistas gravadas em mp3 e muita informação para colocar no papel, tabular, analisar e pensar. Conversei com toda gente, fiz em média cinco entrevistas por dia, além de grupos de discussão, reuniões, reuniões e reuniões. Agora, eis o momento de arregaçar as mangas, organizar dados, unir pontos, analisar tendências, responder tantas perguntas e escrever pra valer!
Como eles dizem em Moçambique: show!
Estou ali no sofá com vários livros na mão, jornais, revistas, além do dicionário, Wiki e uma livraria inteira.

Kindle 2 é…
Kindle é o presente e o futuro, pá! Quando recuperar o fôlego, eu volto! Totalmente fã!
Na primeira semana de março, fui convidada por Tecka Matoso para participar do ‘Histórias do Mundo’, no Sesc Consolação. O projeto teve participação de brasileiros no mundo, que contaram histórias de longe para as crianças presentes. Preparada para o vaivém da Internet em Moçambique, enviei uma apresentação multimídia baseada em lindo conto de Mia Couto. Ela narrou a história para um grupo de crianças acompanhada por um amigo na percussão. Eu tentei participar via Skype, mas não rolou. De toda forma, adorei!