Outros sóis em Illnois
20090125 23:07Antes de perder o fôlego, ou deixar o frio passar, vou registrar rapidinho os highlights de Chicago.
- O FRIO
Agora já sei o que é frio: passear a pé pelas ruas de Chicago no inverno com -20 centígrados de temperatura. Chicago é congelante! Meus dedos doíam e eu não conseguia ficar sem luvas por mais de 5 minutos. O frio queimava, penetrava, perfurava, me fazia cantar, pular, gemer, rir sozinha. Só não chorei por medo de uma lágrima congelar ainda no olho/cílios e eu não conseguir piscar mais e o olho congelar também! Saí de Seattle na sexta-feira às 6 da manhã e cheguei em Chicago às 13h. Deixei a malinha no hotel e fui direto para a rua com a inocente idéia de aproveitar o fim da tarde sem pressa, caminhar à toa até às 6 da tarde, voltar para o hotel e ficar pronta para encontrar Laurent por volta das 8 da noite (ele estava em Chicago desde segunda-feira). Bem, nos primeiros 10 minutos na rua entendi o conselho de Laurent para não andar sem rumo. É frio, mas é frio-frio-frio para valer. Nos outros dois dias fui mais esperta e, como os locais, abusei dos táxis. - Arquitetura
A concentração de arranha-céus deixa qualquer um pequeninho, lá embaixo ou lá em cima. Vou deixar uma foto que reflete um pouco da arquitetura da cidade. O prédio mais alto do continente está lá.

‘Cloud Gate’ ou ‘The Bean’ é uma escultura no parque Millennium, dentro do Loop no centro, feita pelo artista inglês Anish Kapoor - Gastronomia
Para quem acha que a cozinha americana começa em hambúrguer e termina no prato de steak com fritas, o movimento da New American Cuisine veio para abalar certezas e arrancar sensações indescritíveis do público. Segundo alguns, com a missão bem diferente da Nouvelle Cuisine francesa –que pretende reinventar os clássicos da cuisine bourgeoise–, o movimento gastronômico que surge aqui nos Estados Unidos não tem um passado para reinventar, mas tem um mundo inteiro para explorar, descobrir, brincar, fazer colagens ou, simplesmente, propor o novo. Além do período atual propiciar aos chefs uma formação e visão mais global, dando acesso aos mais diversos produtos (desde vegetais/legumes/ frutas/leites/carnes locais, orgânicos e frescos até especialidades de cantos isolados do mundo), as cozinhas desses restaurantes contam com tecnologia superprecisa para cozinhar pratos até o ponto exato, tornar o irreal possível, brincar com texturas, temperaturas, estados físicos (sólidos, líquido ou gasoso!) e sensações. Os chefs dizem que fazem mais que um jantar e convidam o público para fazer parte de uma performance de arte que dura entre 4h e 5 horas. Tem certo sentido, sim.
Spice Cake, prato servido em cima de um travesseiro cheio de ar com aromas de especiarias, AlineaA fixação pelo restaurante Alinea começou há um ano quando lemos um artigo sobre o chef Grant Achatz na revista semanal New Yorker (artigo: A Man of Taste). A história de Achatz é impressionante, o chef prodígio que teve câncer na língua e agora passa bem. Antes de abrir o próprio restaurante e colocar suas idéias em prática, Achatz trabalhou por quatro anos como sous-chef de Thomas Keller, no restaurante French Laundry em Nappa Valley, Califórnia.
Popcorn Mango Lobster Butter, Alinea
Eu nem preciso descrever a cara de Laurent no restaurante! (:, wow, *.* Na sexta à noite, fomos ao Schwa, do chef Michael Carlson (discípulo de Achatz), uma etapa de preparação para o Alinea. Saímos dos dois restaurantes de boca aberta. Como disse Laurent, diferente do excelente Komi, em Washington D.C, que apresenta pratos já conhecidos reinventados, o Alinea e o Schwa ousam o novo.
- Museus
Visitei o Art Institute of Chicago, o McCormick Freedom Museum e o Museum of Contemporary Art, nessa ordem. Visitaria o primeiro e o último novamente, pois são museus que exigem mais tempo.
O Art Institute é museu para passar a semana inteira, com a imensa coleção de todos os períodos da arte que vai dos gregos até pop art. Adorei ver o original de American Gothic e sempre gosto de me perder nas galerias com impressionistas e abstratos.Já no Museum of Contemporary Art, a exposição multimídia “Protect Protect” da artista americana Jenny Holzer é para balançar qualquer um. Ela questiona as guerras e o valor da vida. Salas com instalações de letreiros eletrônicos de LED correndo frases sobre a guerra no Iraque, outras galerias com telas gigantes com arquivos recém-abertos pelo governo pintados, outra sala com ossos de gente ‘morta de morte matada de guerra’ de verdade e muitas provocações interessantes. Para conhecer um pouco mais sobre Holzer, vale ainda visitar o site dela, com as projeções gigantes em prédios (ela já esteve no Brasil).



