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Archive for May, 2008

Corteo – Cirque du Soleil

20080525 10:05

Narrado sob a ótica do defunto, Corteo é a história da morte de um palhaço e seu funeral. O espetáculo traz o mundo de brincadeiras e apresenta outra dimensão da lei da ‘gravidade’, um cortejo carnavalesco protegido por anjos, a passagem entre o céu e a terra.

Cirque du Soleil - Corteo - Dead Clown
O palhaço morto e Valentina – foto de Cirque du Soleil

Seria sonho? Cercado por seus amigos, o palhaço acorda e percebe que está em seu próprio funeral. Amigos, amores, colegas do circo, a vila inteira. Vamos acompanhar a força e fragilidade desse palhaço, sua sabedoria, graça e humanidade.

Bouncing beds
A infância – foto de Cirque du Soleil

Viajamos para a infância… do palhaço, claro! A cama vem do ar, amarrada por cabos, nas mãos de anjos. Em segundos o palco se transforma e acrobatas dão um show nessa verdadeira cama elástica, a cama mais-que-perfeita!

Cirque du Soleil - Corteo - Dead Clown
Escada- foto de Cirque du Soleil

Tudo pode acontecer, a vida é feita de desafios e não de impossibilidades. E a morte, meu caro palhaço, há de ser ilusão. Tem gente que sobe escada sem apoio, tem gente que aprende a voar com asas de anjos pela primeira vez, tem gente que anda de ponta-cabeça (o palhaço morto cruzou a cena de cabeça pra baixo, lá em cima, passo a passo num cabo de aço estendido e invisível). Não podemos ver os cabos atrás da cena e, na verdade, não queremos ver!

Para finalizar, achei no youtube uma cena quando a palhaça anã Valentina, presa por balões com gás hélio, sobrevoa a platéia. Veja bem, os balões têm gás suficiente para contrabalançar o peso da palhaça, sem deixar Valentina subir demais (ninguém gostaria de perder tão preciosa princesa, mesmo com a possibilidade da anã encontrar e alegrar personagens voadores da história recente brasileira). A platéia tem de dar empurrõezinhos nos pés da anã, impulsos para que ela volte para o palco e o circo continue e girar.

Essa é a segunda vez que vamos ao Cirque du Soleil. No ano passado, assistimos ao espetáculo Alegria. Agora estou na cama, ou estou no Reviravoltas, olhos fechados, ou olhos abertos. Tento rememorar cena por cena. Sim é possível, é bonito, é humano e faz bem.

Come as you are…

20080516 10:08

by Yves Geleyn

A animação é fofa, adorei a flor de pena de pavão e os dentes-de-leão. Ah, e gosto tanto de “The Bird and the Bee”. Again and again. :-)

Missing mountains

20080515 23:33

Mark Rothko

Texto criado para o blog
de um cavalo que fala inglês. ^.^

Alguém pode perder montanhas?
Can one miss
mountains?

Desculpe-me, amiga, eu estive tão preocupada em lhe dizer quem fui e mostrar quem serei, e esqueci de contar quem sou.

Sou a pessoa escrevendo esta carta para você.

Eu esqueci que nada pertence a outro tempo senão agora, a ninguém exceto ao presente. Eu esqueci de olhar para o céu acima e respirar.

Você é a pessoa lendo esta carta.

Todos os meus documentos são falsos, as palavras ditas outrora podem não mais caber em minha boca. A música que ainda vou compor nem dá lugar à dança, tampouco cria espaço para o sonho. O passado, que é mais velho que hoje, é incerto. Eu não existo em outro tempo senão agora.

Juntas, nós estamos aqui e ao mesmo tempo em lugar nenhum.

Sim, minha amiga, agora eu clamo liberdade e queimo as roupas que minha avó guardou para mim. Eu nasço com aquela montanha que nós vemos juntas.

Aquela montanha não existia no passado, porque ela só passa a existir quando nós podemos percebê-la, identificá-la. Sou feliz porque estou pronta para conceber uma montanha com você hoje.

Eu não estou preocupada sobre quantos nascimentos de montanhas eu perdi ou quantos perderei. Agora, estou deitada no solo úmido, coberta por um imenso lençol de estrelas. Eu sou Patrícia, sou montanha e também sou estrelas.

I am sorry, my friend, I’ve been very worried to let you know who I was and to make you see who I will be, and forgot to say who I am.

I am the person writing this letter to you.

I forgot that nothing belongs to any time but now, to anyone but the present. I forgot to look at the sky above and breathe.

You are the person reading this letter.

All my documents are fake, all past words may not fit my mouth anymore. The music I’ve yet to compose neither allows for dancing, nor makes room for dreaming. The past, which is older than today, is uncertain. I do not exist in any other time than now.

Together we are here and at the same time nowhere.

Yes, my friend, now I claim my freedom and burn the clothes that my grandmother saved for me. I am born with the mountain we are seeing together.

That mountain did not exist in the past, because it only exits when we perceive it, identify it. I am happy that I am ready to conceive a mountain with you today.

I am not worried about how many times I’ve missed the birth of mountains or any that I may miss in the future. Now I am laying down on damp soil, covered by an immense sheet of stars. I am Patricia, I am mountain and I am also stars.

Texto inspirado em “Season of Disbelief”, de Ray Bradbury e um poema que li na New Yorker de 12 de maio chamado “One Can Miss Mountains“, de Todd Boss.

Muto

20080513 00:46

MUTO a wall-painted animation by BLU from blu on Vimeo.

Muto eu
Muta você
Muta comigo
Sem se perder

Muto, uma animação bacana para alegrar a semana.

continho zen

20080509 01:51

Num templozinho perdido na montanha, quatro monges faziam zazen. Tinham decidido meditar em silêncio absoluto. Na primeira noite, a vela se apagou e o dojo mergulhou na mais profunda escuridão. O mais moço dos monges disse a meia voz:
- A vela apagou.
O segundo respondeu:
- Não deves falar, estamos em silêncio total.
O terceiro acrescentou:
Por que estais falando? Devemos calar-nos.
- O quarto, responsável pela meditação, concluiu:
- Só eu não falei!