copy writing, translation, localization and communication in Portuguese

Archive for October, 2007

Yiddish for writers

20071026 14:10

Estou escrevendo uma crônica e pedi a ajuda de uma amiga judia com termos e insultos em yiddish. E ela escreveu:

The girl is a real “yenta” (busybody). She has the “chutzpah” (nerve) to talk about and judge all sorts of people, yet she is a lazy, “kvetching” (complaining) “momzer” (bastard). She doesn’t want her kids to be exposed to “faygalas” (gays) and gets all “fercockt” (messed up) over the littlest things. The “mishegoss” (crazy actions) that take place in that household makes me want to just “plotz” (explode). And the way that she treats my sweet “mensch” (person of good character) of a brother as if he is a total “nebbish” (loser), just adds to me thinking of her as a “zhlub” (insensitive, ill- mannered person). “Oy gavalt” (oh man, woe is me), for someone prone to “schmaltz” (overly sensitive behavior), it leaves me “fermisht” (all shook up). And what could I do? “Gunisht” (nothing). I am stuck in the “dreck” (shit) if I want to have a relationship with them. It makes me all “ver clempt” (choked up). Oy, the “tsoriss” (suffering) we must endure.

Hope that helps a bit, is more than ‘bubkes” (nothing)

L’intensité et raffinement

20071026 14:04

Nestlé Noir Litchi

Por que a Nestlé tem chocolates diferentes na França?

Made in China

20071024 10:37

OPI Nail Polish

Como diz uma música de Frank Sinatra, é muito bom viajar, mas é ainda melhor voltar para casa, descansar de verdade, tirar o peso dos ombros e ficar à vontade. A felicidade foi tanta que ontem reservei uma hora para ir ao novo salão de beleza do bairro: “Nail”. Queria aproveitar o dia de folga para depilar e fazer as unhas. Depois de um tempo na Europa, os preços americanos pareciam promoção especial. Entrei no salão e perguntei se tinha espera. “Não”, respondeu o atendente. “Está pronta?” Eis quando me dei conta que o manicure era o próprio rapaz. Um chinês de 20 e poucos anos, sorriso largo, ombros fortes e movimentos rápidos.

Xu mostrou-me a poltrona psicodélica do Homer, com massageador mecânico e controle remoto para definir a pressão do Shiatsu ou intensidade do modo vibratório. Pediu-me para retirar os chinelos e dobrar a barra da calça. Cada um com seu tocador de MP3 e mãos à obra! Eu estava feliz da vida com o novo audiobook The Fountainhead, de Ayn Rand. O chinês segurou meus pés com firmeza e começou o trabalho. Ao terminar, massageou meus tornozelos e pés com creme polidor. Fechei os olhos. “Ah, isso é tão bom quanto lavar cabelo no cabeleireiro”, pensei. Acorda Alice.

“Agora, vamos sentar ali”, apontou uma mesinha branca, com um banco de cada lado e nada de cadeira com massageador no encosto. Ele perguntou alguma coisa e eu não entendi. Pegou meu iPod para ver qual música eu estava ouvindo. “Ah, não é música, é um livro”. Xu sorriu. Minha mão estava tensa, inclinada. Ele pediu para eu relaxar, apoiando os dedos sobre meu punho. “The question isn’t who is going to let me; it’s who is going to stop me”, disse Howard Roark em Fountainhead.

E apareceu uma senhora com cara de porcelana, cheia de pó de arroz, sobrancelha feita com lápis e sorriso pronto. “Waxing?” Convidou-me para a sala de depilação, com misteriosa simpatia. Ela também não falava muito bem inglês. Pensei: será que ela é “delicada” como as garçonetes de Dim Sum chinês? Ela vai gritar “cera!!!” e um chinês vai aparecer do nada com um balde fervendo?

Expliquei como queria a sobrancelha: “só quero limpar o excesso, sem tirar muito”. Rezei para o dragão dourado chinês e os outros doze bichos do zodíaco. Em questão de segundos, o palito com cera quente já estava no meu rosto. Cola o papel! Puxa! Ai! Na cera usada no papel, vejo um monte de pêlos…

- Oh, my god!

- Not too much, not too much…

- But I want some hair – resmunguei enquanto via o traço fino que desenhava a sobrancelha-less dela. Excuse me, do you have a mirror?

- Mirror…

- Thanks. Oh, yes! Sorry, that is perfect! Thanks.
Sim, estava perfeito. Ela sorriu.

Fui ao caixa e paguei a conta com prazer. Adorei o atendimento direto, sem fofoca e intimidades, comentário maldoso ou pergunta automática. Adorei o manicure homem e seu iPod. Ah, a massagem. Vidrei no sorriso enigmático da chinesa e posso aplaudir a perfeição da réplica: tenho duas sobrancelhas bem desenhadas e unhas de boneca. Viva eu Made in China!

dreamweaving

20071023 20:13

klimt painting

by Gustav Klimt

Era uma vez em Moçambique…

20071018 13:10

Presentation: Explaining how to use the programme

Presentation: Explaining how to use the programme

Apresentação do curso à distância
na Universidade Católica de Medicina de Beira

Fui acompanhar o lançamento do programa de educação à distância da organização holandesa Health[e]Foundation em três cidades moçambicanas: Beira, Maputo e Manhiça. São quase 100 novos participantes, entre estudantes de medicina, pesquisadores internacionais, técnicos e funcionários públicos. Viajamos eu, a diretora da fundação Fransje van der Waals e a gerente de projetos Esther Erwteman.

O programa é dividido em três partes: oficina para apresentação da metodologia, componente de auto-estudo com 20 módulos e seminário final com palestras especiais. Os participantes recebem o material completo no dispositivo de memória flash USB e isso permite que todos possam trabalhar offline nessas áreas com difícil acesso à Internet. A conexão só é necessária para sincronizar notas e receber novos cursos.

Presentation: Explaining how to use the programme

Estudantes do 6o. ano
da Universidade Católica de Medicina de Beira

O objetivo do encontro inicial é apresentar o passo a passo do programa, construir uma rede social de profissionais da saúde, explicar a importância da auto-avaliação e conversar sobre o desafio de estudar sozinho.

De Beira fomos para Maputo, a capital, em um dos hotéis mais chiques da África subsaariana. Um grupo de pesquisadores britânicos do Programa de Desenvolvimento de Microbicidas participou da orientação inicial do curso à distância. A apresentação foi também muito bacana (e fico feliz porque segurei em inglês!).

Presentation: Hotel

Hotel Polana
em Maputo

Se Moçambique não fosse um dos países mais pobres do mundo, eu sentiria menos culpa de ficar no Hotel Polana em Maputo e ter café-da-manhã com mais de 20 diferentes tipos de pratos (entre frutas, frios, queijos, salmão, croissants, brioches e omeletes feitos na hora), almoço com buffet de frutos do mar e jantar fechado feito por chef internacional só para convidados. Por outro lado, vi onde as famílias “brancas e ricas” do Zimbabue e África do Sul vinham curtir as férias e a época de ouro do jazz nos hotéis e casas de show de luxo de Maputo, nos anos 40 e 50.

Presentation: Casinha

A caminho de Manhiça

No dia seguinte, fomos de carro para Manhiça, 75km ao norte de Maputo. A cidade é extremamente pobre e vive de mineração e agricultura. O curso acontece em parceria com uma fundação de Barcelona, que trabalha ao lado dos médicos no único hospital da cidade.

No bate-e-volta até Manhiça, além da urgência da apresentação e da pressa por causa do próximo vôo, a pobreza chocante martelava meu coração. Sem manha, manhã e amanhã: Manhiça.

Fish dancing

20071017 23:22

Ken Douglas photo

Ken Douglas

I would like to be a fish
To be able to smile
Fish dancing
To be able to cry
Gleaming and gloomy
Mixing my tears with the sea
And wondering
I’m there, I’m not…

I would like to be a bird
To be able to fly
Bird trancing
To be able to spy
Above the traffic
Flying over the world
And wondering
I’m there, I’m not…

The problem is that
I’m your girl
And I follow the flow
Lost in translation
I’ve no name
You’ve no face and no time
I watch your show
Whispering and smiling
No fame, no saint, no sign,
I’m your girl
Running from trolls
Alone in São Paulo
I’m there, I’m not there
I’m there, I’m not…

Voa, voa passarinho

20071017 11:53

P-de-passageira / P-as-in-passenger

Era uma vez um avião pequeno no aeroporto de Vilanculos. O vôo seguia para Beira, ao norte de Moçambique. Entrei como passageira, com sorriso leve. Ar fresco e possibilidade infinita. Estava super feliz com a falação em português depois de quase dois meses só ouvindo holandês e inglês. Tempo para dar risada e relaxar os ombros. Antes do avião decolar, já estava na cabine com o comandante e instrutor da escola de pilotos Jorge Zandamela Neves e o piloto Roberto.

piloto

Piloto Roberto

O vôo demorou uma hora. O comandante Jorge explicou o funcionamento de todos os botões, novos aparelhos, diferenças de terminologia entre EUA e Europa. Reparei que todas as conversas com a torre e até mesmo entre o comandante Jorge e o piloto Roberto eram em inglês. Ele explicou que Moçambique adotou o idioma estrangeiro nos cursos de aeronáutica há 10 anos e que isso faz uma diferença enorme para educação continuada. “Eu recebo material do Brasil, em português, e fico intrigado. Por que não adotar termos da navegação internacional? Isso dificulta a vida de quem quer seguir carreira internacional”. Será? Algum piloto na escuta? Eu ouvia, filmava (o filme vai ficar em Amsterdã, porque não consegui transferir o arquivo para meu micro), tirava foto e olhava a imensidão verde.

P-de-perto // P-as-in-proche

Beira, Moçambique

Feliz. :D

Em outra Prainha

20071008 15:16

Dancing house

Nationale Nederlanden Building ou “Fred and Ginger”, de Frank Gehry
Praga, República Tcheca – foto de Luigi

Semana passada, Luigi Bertolucci, meu primeiro amigo na Cásper, também esteve aqui em Amsterdã. Luigi mora em Londres há 3 anos e tem muita história para contar. Pegou um avião por 50 libras e em uma hora estava aqui. Ah, como é bom morar pertinho de tudo.

Ateu e budista, inteligente e irônico, Lu sempre aparece com tiradas engraçadas. Promete que vai escrever um livro sobre suas aventuras na terra da rainha. Enquanto isso, vale conferir o Flickr do moço.

;)

Feita de louça

20071008 14:46

Quadro Leiteira

A Leiteira de Johannes Vermeer @Rijksmuseum

Sábado fui passar o dia em Delft, uma cidadezinha ao sul da Holanda, entre Roterdã e Hague. Peguei o trem às 11h da manhã na Estação Central de Amsterdã e encontrei Camila e Fenfen na plataforma de Delft, 1h mais tarde. Fenfen é uma jornalista chinesa muito fofa que faz mestrado com Camila.

O dia foi uma delícia, passeamos pelas ruas da cidade, tomamos café com direito à torta de maçã e sanduíche de queijo com pesto, visitamos a famosa igreja Nieuwe Kerk onde estão enterrados os Orange-Nassau e acontece os casamentos reais. Conheci também a Igreja velha, a famosa porcelana azul que deu fama à cidade, a feira de sábado e os deliciosos stroopwafels (waffles holandeses recheados com caramelo).

Foto Fenfen, Camila e Bernardo

No quintal, Camembert, Foie gras, vinho e cerveja antes do jantar

No fim da tarde, fomos papear na casa de Camila. Bernardo chegou de uma competição de remo da turma do mestrado. Pedro, o coelho, brincava sem pressa com as três meninas falantes no quintal.

O jantar foi maravilhoso: massa fresca à moda de Camila! O molho perfumado trazia camarão, leite de coco, azeitonas e o toque especial da chef. Conversamos sobre mestrado, a vida na Holanda, nos Estados Unidos, a China. O tempo passou rápido. O papo estava muito bom! Tomamos um café e peguei o trem de volta para Amsterdã, quase dez da noite.

Swallow, baby…

20071008 13:06

red-light-district-1

You will have to deal with me
Go down at the red light, go down, go down
And learn how it is hard to gulp down
Your hypocrisy
Swallow, babe, if you want me
Throw up your fantasies
Bodies, cherries, sissies, fleas
I’ll accept them all
Not a grown in downtown
But swallow me, babe, if you want me
Do you have stomach, part-time fucker?
It is all I ask you, behind the window
You are secretly grinding my soul down
Sweating hot like a pig when
It is so cold out there
Full glass, empty, again and again
I am tired of being quiet and nice
And alone at the sex fair
Swallow me, babe, if you need me