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Archive for July, 2007

Genealogia

20070731 20:09

Eu não uso o MSN com freqüência. Hoje, fim de tarde, resolvi entrar para ver se os homenzinhos continuavam verdes.

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Leio a frase ao lado do nome do meu irmão Ricardo e descubro que ele tem uma Lista de Casamento no Submarino. Ele vai casar com a Carolzinha.

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Meus pais se separaram quando eu tinha 1 ano e Luciano, 2. Então, a vida desde sempre apresentou duas casas, a da mãe para todos os dias, descobertas, brincadeiras, provas, dúvidas, certezas, broncas, medos, carinho, rebeldia, zen e gritaria … e a do pai, para férias e fim de semana.

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Meu pai casou de novo quando eu tinha 3 anos e teve mais dois filhos, Mel, hoje 24 e casada com filho, e Kalil, 23. Então, a vida desde sempre apresentou mais dois irmãos, Mel e Kalil, para brincar nas férias e fim de semana.

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As férias eram de pura bagunça, balas e brincadeiras de crianças. Viagens para o sítio, pescarias no Pantanal, almoços nas casas dos tios Kalil ou as descobertas nos estoques das lojas de meu pai, sempre cheios de caixas, placas e tintas (para pintar as placas para promoções especiais com Lamartine- na época não tinha computador). Os quatro filhos, mais todas as outras crianças – filhos de amigos e das irmãs da tia Cida, mulher de meu pai.

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E Ricardo é meu irmão. Por histórias e sentimentos que meu pai guardou para ele, só conheci este meu novo irmão, o irmão do meio, quando eu tinha 21 anos. Ele tinha 17. Foi amor à primeira vista. Hoje tenho 28 e ele 25.

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Quero acreditar que continuamos sem contar correndo as novidades um para o outro, como irmãos, porque eu moro nos Estados Unidos.

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Os homens verdes ficaram maduros.

Macrocosmo

20070725 21:03

Water lilies – Monet

O chinês segurou meu pé com as duas mãos. Não disse uma palavra; prudência desnecessária. Aquele pé parecia conter todas as respostas do mundo. Resumia-me. Introduziu a primeira agulha.

Eu abandonei as defesas do corpo e meus cílios cerraram-se no instante infinito. Um tempo livre de bagagens ou inférteis suspiros de pressa: até o desconhecido parecia profundamente íntimo.

Danço, danço, danço o ballet moderno do meu interior brasileiro. Se meus dedos tivessem lábios, selariam beijos por toda a terra para evitar a palavra. Encontros de reconhecimento e liberação. O campo é azul e verde demais.

Ai meu pé! Flechas. “Qual de nós é o mais adequado para a festa?” – perguntou um índio bêbado que cruzou meu caminho. Pegou uma maçã e a dividiu ao meio. “Qual das partes tem mais sabor de maçã?”. As duas são iguais, ora veja. Mordi a da esquerda. “Conte-me, ainda tem gosto de maçã inteira?” A fruta esfarelada se misturava com minha saliva. Um novo conjunto particular. Sentia o perfume doce e o gosto de lágrimas. “Desculpe-me, seu índio, eu não saberia responder”.

O chinês tossiu. Era o fim da consulta. Vi um pouco do mundo e ele perfez meu pé. Tem razão e ainda somos todos inteiros.

Um tanto filosófica… Que tal comprar vinho de qualidade para evitar ressaca?

Quem mexeu no meu tofu?

20070719 23:47

medalhão de glúten e legumes com molho de laranja


A mesa está cheia de sabores, perfumes, texturas e cores. Pimentas e especiarias para estimular o paladar, provocar a memória e revelar os gostos do mundo. O homem gira ao redor do prato. A história é decidida em banquetes, com sabores delicados ou fortes, delícias salgadas, toques quentes ou frios, mordidas molhadas, sorrisos doces e olhares ácidos.

Rejeitei por muitos anos a idéia de dietas pisci-vegetarianas, vegetarianas ou macrobióticas. Faltava-me motivos para renunciar a feijoada com couve, o peito de pato grelhado com batata sauté, o cordeiro assado com iogurte, o arroz marroquino, o ossobuco italiano ou o joelho de porco com chucrute do amigo alemão. Não me convencia a lógica de trocar churrasco por proteína de soja. Perguntava-me como alguém havia duvidado do equilíbrio perfeito das camadas suculentas da lasanha à bolognesa?

barcas de tofu com cinco pimentas, com purê de manga

A gota d’óleo

A dieta em casa sempre foi bem variada e, acredito, sem excessos. Laurent adora cozinhar e faz tudo com muito carinho e talento natural. Mas nem tudo é simples assim! Com susto, descobri no ano passado que meu nível de colesterol LDL beirava 300 (o nível normal é abaixo de 200, o alto é 200-239 e acima de 240 é bem alto). A tendência era só aumentar. “Herança genética”, disse o médico. Fui orientada a reduzir o consumo de produto animal, com única exceção feita para peixes. Para uma pessoa com colesterol alto, carne vermelha ou branca, queijo e ovos devem ser consumidos com moderação: duas a quatro vezes por mês.

de Olga Lyubkina

Aquela pirâmide!! :) Eu não quis tomar medicamento aos 28, sem pelo menos tentar a dieta nova. No começo foi duro. Confesso, passei por um período de rejeição e tristeza: “como não posso ter ovo quente!”, “adeus meu prima dona, camembert, gruyère! adeus quiche”, “por quê, por quê?!” – :) . Laurent ajudou muito. Ele adotou o novo estilo de vida antes de mim. Passou a investigar receitas novas e alternativas com baixo teor de gordura animal.

De 300 a 185

Depois de um ano com novos hábitos, agora tudo é mais divertido. Brincamos com alimentos e colecionamos novos livros de receitas. Descobrimos que é possível ser low-fat, com sabor e criatividade.

patê de lentinha com pecan, homus,
picles de pepino, alcaparras e azeitonas


Não sou radical, mas tenho a filosofia de que se for para furar a dieta, que seja por uma boa causa – hehe! Ter critério para decidir quando vale a pena comer carne, queijo e ovos, ou não. As oportunidades ficam cada vez menos interessantes ou tentadoras, vale dizer. Nem em Nova York quis experimentar o famoso hotdog de rua ou o sanduíche de pastrami judeu.

Os resultados estimulam: meu nível de colesterol caiu de 285 para 175, em menos de um ano. Estou na faixa normal, sem remédio! Frutas, saladas, legumes, grãos combinados à vontade. Peixe, duas vezes por semana. E muita sutileza ao explorar os maravilhosos presentes da terra. A mesa ainda está cheia de perfumes e cores, mas agora com novo equilíbrio.

o famoso falafel com cuscuz marroquino e salada


Para ouvir meu primeiro podcast sobre vegetarianismo em Seattle e Nova York, clique aqui.

Restaurantes citados no podcast:
- Gobo
- Candle Cafe

Vou ignorar este post. Posso apenas lhe desejar bom apetite.

:( vira-vira sem volta

20070718 10:12

Quero atualizar o blog, mas preciso de fôlego…

  1. provas da Universidade de Washington
  2. prazo de entrega do curso de e-learning para África
  3. criar novo blog no wordpress de receitas (nova!)
  4. migrar o blog reviravoltas para wordpress (novo! – hehe)
  5. escrever post sobre semana em Nova York: velocidade, arte e gastronomia
  6. escrever post sobre pisci-vegetarianismo e redução do colesterol
  7. partilhar minha felicidade com livro de Paul Auster
  8. divulgar o novo site pakalil.com
  9. escrever post para jogo que Lucia Freitas me convidou

Enfim, resolvi dar uma de “joão-sem-braço” ou “alice-sem-mão” por um mês. Para matar saudade e rir um pouco, sigo os blogs amigos. Mas… tenho coração.

Ontem, enquanto estudava para a prova do fim do mês, ouvi o locutor da rádio pública interromper a música para anunciar em tom grave e alarmante: “Passenger plane crashed in the heart of South America’s largest city, Sao Paulo”. Larguei tudo e corri para o computador.

Quanta dor. Explicações tardias não são capazes de aliviar a sensação de impotência, vazio, descaso da aeronáutica e das cias aéreas. Fosse público que o aeroporto estava perigoso e os próprios pilotos tinham medo de aterrar na pista curta, que Congonhas estava sobrecarregada e houve lobby para permitir pouso de aeronaves grandes no local, que não havia ranhuras na superfície da pista e os conseqüentes riscos de falta de atrito dos pneus, empoçamento e derrapagem. Fosse público, antes de ser trágico.

Acompanhar notícias de morte é sempre muito ruim. Quando o assunto é familiar, o contato e atualizações telefônicas permitem uma sensação menor de isolamento. Mesmo assim, é duro demais. Quando o fato é um desastre nacional, você fica perdida com “sua” notícia, entre o pensamento, a dor e a distância.

Michi

20070711 12:19

“One encounter, one chance”