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Archive for April, 2007

Bippity-bippity-doo-wop

20070427 21:47

O cantor e também maestro Bobby Mcferrin rege a orquestra de Seattle em noites marcadas por simpatia e frescor criativo. O músico surge como um embaixador do clássico e do jazz, no balanço entre técnica, leveza musical e improviso. Mcferrin já tocou com Yo-Yo Ma, Chick Corea e Herbie Hancock. Atualmente, participa de vários programas de educação musical infantil.

Abriu a noite com a Sinfonia no. 1 de Profokiev. Seus braços dançavam com a música. Energia e vivacidade. No segundo bloco, apresentou “Le Tombeau de Couperin” de Ravel. Chegava o momento das improvisações vocais de Mcferrin. O músico explorou temas clássicos, outros de televisão, alguns musicais da Broadway e Disney, além de fazer o público cantar Ave Maria enquanto improvisava Bach. Música está em tudo. Fechou a noite com a Sinfonia no. 8 de Beethoven.

Profokiev Sinfonia no. 1

  • “Allegro con Brio”
  • “Larghetto”
  • “Gavotte: Non Troppo Allegro”
  • “Finale: Molto Vivace”

Ravel – Le Tombeau de Couperin

  • “Prelude”
  • “Forlane”
  • “Menuet”
  • “Rigadon”

McFerrin

  • IMPROVISAÇÃO

Beethonven Sinfonia no. 8

  • “Allegro Vivace con Brio”
  • “Allegretto Scherzando”
  • “Tempo di Menuetto”
  • “Allegro Vivace”

Em todo sólido , todo gás e todo líquido

20070427 13:34

Luzes acesas, computadores ligados, música. A mesa de jantar estava posta: suco e água com gás, um delicioso salmão com molho de endro (dill), arroz e salada. Eu e Laurent. Tudo. Todos. No meio de uma história, servidos.

***

Discutíamos com entusiasmo o vôo do físico Stephen Hawking no avião do Zero Gravity Corp, para experimentar a sensação de ter seu corpo em gravidade zero. Esta é a fase preparatória para uma possível viagem espacial a bordo Virgin Galactic, em 2009.

Portador de uma doença rara degenerativa, o físico tem movimento próprio apenas por meio de seus cálculos cosmológicos. Neste buraco negro, nossos passos e sobressaltos são pequenos e vulgares. Ontem, para sentir o novo, Hawking testou como é ficar em condições sem gravidade por 25 segundos. A sensação não foi corporal, talvez uma mistura entre o racional e o sonho da liberdade física.

Depois, em entrevista coletiva, Hawking falou sem encanto. Fez um paralelo sobre a possibilidade de o homem comum ir ao espaço e a vida caótica na terra. Falou da guerra, aquecimento global, a disseminação de epidemias incuráveis e o risco de ataques nucleares. Cá estamos, entre o retrocesso e o avanço. Sua voz digitalizada não revelava emoção com o futuro. Só dizia.

Hawking a bordo do Boeing 727, projeto Zero Gravity Corp, sobre o Atlântico
***

A mesa de jantar tinha um único copo, o suco de uva que eu ainda não havia terminado. Meus copos sempre demoram a esvaziar. Luzes acesas, micros ainda ligados, alguma música. Pratos limpos.

***

Comecei a ler o novo livro do escritor japonês Haruki Murakami, “Blind Willow, Sleeping Woman”. Sou suspeita para falar do escritor, sou fã. No primeiro conto, ele buscou referência no filme “Fort Apache”, 1948. Resgatou a fala de John Wayne: “Don’t worry. If you were able to spot some Indians, that means there aren’t any there (Não se preocupe. Se você foi capaz de ver alguns índios, isso quer dizer que não havia nenhum lá)”. Absorta.

Laurent, no outro sofá, tinha acabado de ler a New Yorker dessa semana e comentava dois artigos: um sobre a inevitabilidade do envelhecimento e outro sobre o massacre na Universidade Virginia Tech. O último questionava o direito civil de porte de armas nos Estados Unidos. O texto começava com uma cena brutal: enquanto os bombeiros retiravam os trinta e tanto corpos da universidade, os celulares nos bolsos dos estudantes baleados tocavam incessantemente. Pais desesperados procuravam um alô para saber se o filho estava bem. Sem resposta.

American Indian – Andy Wahrol
***

Se eu tivesse visto algum índio, teria certeza que não tinha visto nada. Talvez fosse o dono de um cassino na estrada. Apache. Don’t worry. Be happy.

Slavery

20070423 11:34

http://www.gapingvoid.com/
by Hugh MacLeodFerrou :)

P selector

20070423 10:04

Propriedades dentro do elemento <p> recebem características de <p>. Quando as propriedades estão acima de <p>, em um <body> pai, <p> recebe a mensagem como se fosse por inspiração divina, uma tendência natural e maior que <p>. E <p> simplesmente <é>, sem saber ou duvidar. Eis o kantismo do css, a mostrar propriedades inerentes à constituição universal do style.

Pote solar: entre o ocaso e a noite

20070420 21:19

Eis o primeiro projeto do site Instructables, o pote de luz. A idéia é simples: um pequeno painel solar na tampa do pote converte a energia da luz do Sol em energia elétrica durante o dia, carrega uma bateria e, na sobretarde, a lâmpadinha acende sozinha. Um charme para acompanhar o pôr do sol.

Laurent tem interesse por energia alternativa e reutilização de materiais. Quando leu sobre o projeto, ficou empolgadíssimo. Comprou as jarras para pickles do IKEA e as lampadinhas LEDs em uma loja de jardinagem. Depois, foi só seguir o passo a passo dos Instructables. Montou o brinquedo em uma hora.

The Meaning of Life

20070417 17:24

Calidoscópio

20070413 08:24

Linha reta
quando dança
curva

E um brinde ao vox de Lu Terceiro, cheio de lux, que me acordou com as curvas da Árvore da Vida. Lu é sempre cheia de surpresas, com cheirinho de alecrim. Um haicai resposta ao visitante K! E ainda, muitas cores para o pessoal do Haja Saco, que me faz rir um bocado.

Aporia & Intelligentsia

20070411 08:02
Acima, o Obelisco Espacial – Será?
Ao canto, o Obelisco dos Heróis – Foram?
Adentro, o Obelisco de Ramses II, na Praça do Concorde.


Levanto-me e desapareço, sustentada apenas pelas raízes da dúvida e da liberdade. A única certeza é ausência de verdade; eis uma resposta apropriada. Ou conveniente. Mesdames et messieurs, apresento a infinitude do beco sem saída.

Binários são os computadores e somos nós. Sim e Não. Belo e Feio. Inteligente e Burro. Arte e Vulgar. Inferior e Superior. Desrespeitoso e Educado. Verdadeiro e Falso. Que tenhamos mais espaço para alongar nossos pensamentos e deixemos julgamentos e significados valerem somente para nós mesmos, sem impô-los ou conferí-los aos outros. Todos têm o direito de duvidar, amar, odiar, inventar, ou até, crer.

Os protetores da democracia estão preocupados. Querem ainda definir o que é o bem e o mal, estabelecer o que é digno, indicar o que fulano e beltrano devem acessar, pensar, fazer, escrever e manifestar. O que fazer com tantas vozes? Apresento a elite ultra-moderna, nossa vanguarda intelectual e política, temerosa em plena era da anarquia colaborativa, da distribuição da informação, da participação coletiva, da Web 2.0.

Essa semana surge a discussão sobre a necessidade de manual de conduta online, para blogueiros e participantes de debates no ambiente virtual. Padrões coletivos na Web servem para códigos e comunicação entre máquinas, por razões de compatibilidade, acessibilidade e evolução tecnológica. Definir regras para a expressão do homem é abrir a porta do passado.

Que cada um cuide de sua própria casa, defina suas normas, estabeleça seu estilo. “Neste sítio você pode fazer isso, naquele aquilo”. Sem generalizar o modelo ou globalizar regras e limites. Nem o padre, nem a mãe, nem o estado pai. Nem o professor inteligente, o executivo de sucesso, o namorado lindo. Cada indivíduo deve ter liberdade para escolher os grupos dos quais quer participar, o blogs que quer criar, o estilo como vai se expressar de acordo com sua identidade de cultura, afinidade de interesses, semelhança de gostos e atração de sentimentos. Em cada turma, sim, uma regra de participação deve ser seguida. “Na minha casa ninguém entra de sapato ou boca suja”.

Hesito, titubeio, gaguejo. Como bem lembrou o amigo, qualquer opinião é uma grosseria. Deixemos cada um escolher seus próprios caminhos. Que demos espaço para o diálogo acontecer e transformar. Somente na distância da morte (física ou conceptual) é possível exercitar o questionamento do conteúdo, o hábito de duvidar, de construir sentidos, destruir valores e renovar noções ad infinitum.