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Archive for November, 2006

Snow

20061129 23:43

Mama África

20061115 20:16

O que a Mama África fez que Bush Filho, Bill Clinton, Monsanto, Bill Gates estão todos fantasiados de Madre Teresa? Quantos bilhões de dólares as farmacêuticas americanas estão levando nos acordos com o governo americano. Como achar este valor? Dinheiro que paga não só as farmacêuticas e campanhas políticas, mas também financia diversos outros interessados.

Em 2003, Bush lançou o plano de ajuda PEPFAR 2003-2009, com a doação de U$15 billhões de dólares para o combate da AIDS nos países mais atingidos pela epidemia. Em 2004, grande parte do orçamento daquele ano foi destinado à compra de medicamentos patenteados (ou seja, dos grandes laboratórios farmacêuticos como Merck, Abbott, Pfeizer, Bristol-Myers, Roche). Este mesmo período foi marcado pela eleição presidencial americana. A campanha de Bush recebeu forte apoio das mesmos laboratórios e outras empresas envolvidas com a guerra no Iraque. Sem surpresa, Bush foi reeleito.

Além da droga

Em pesquisa divulgada em 2004, a Organização Mundial da Saúde estimou que 39,4 milhões de pessoas no mundo estavam com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Das pessoas afetadas, 65% (25,4 milhões) viviam na região sul do continente africano, conhecida como África Subsaarina: Angola, Moçambique, África do Sul (Bono), Namíbia (Jolie-Pitt), Malawi (Madonna), Lesotho, Suazilândia e Zimbábue. Porém, para resolver a epidemia na África, não basta garantir “distribuição gratuita” dos medicamentos. Primeiro, sem treinamento ninguém sabe o que fazer com aquilo. Outros dois fatores devem ser considerados:

  1. uma vez iniciado o tratamento, este não deve ser interrompido para o resto da vida do paciente; em caso de descontinuidade -temporária que seja-, o corpo gera resistência e vírus mutantes são espalhados. Podemos pensar em populações inteiras contaminadas com vírus mutantes!
  2. falta infra-estrutura: não há hospitais e nem pessoal de saúde (médicos) capacitados para prescrever o tratamento.

Sobre o primeiro ponto, eu só tenho uma pergunta: o governo americano vai doar remédios para o resto da vida de todos os pacientes que iniciaram o tratamento, uma vez que não se deve parar? Êta lobby bom. As farmacêuticas estão felizes. Afinal, seria extrema falta de noção iniciar um trabalho na África sem a certeza da continuidade? Pobre África, que sofre de problema histórico.

É mais fácil, por ora, solucionar o segundo ponto, a falta de pessoal qualificado. O governo americano contrata inúmeras ONGS e departamentos inteiros de universidades públicas para desenvolver treinamentos em linha de produção. São cursos sobre questões básicas de gestão de saúde e cuidado ao paciente soropositivo.

Milhares de profissionais e estudantes de escolas de Saúde Pública (com salários entre U$5 a U$20 mil por mês, o que totaliza bilhões de dólares por ano) trabalham na produção enlouquecida e sem planejamento de cursos de formação. Público: enfermeiras, técnicos de medicina e conselheiros. Sim, porque os médicos africanos não estão na África. Os que estão por lá são todos de ONGs internacionais, muito bem pagos por suas organizações.

Só o I-TECH, Centro Internacional de Treinamento e Educação em HIV, ligado à Universidade de Washington, recebeu este ano 19,2 milhões de dólares. Este dinheiro foi investido em treinamentos na África, Ásia e Caribe, feitos às pressas para usar o orçamento do ano fiscal.

Então vem Bush, sempre cristão, dizer que os africanos precisam seguir o princípio ABC, com base na abstinência e fidelidade. Povo mais sem-vergonha, né, presidente? Campanhas para sexo só após o casamento ou celibato. Ah, rapaz, vai aprender com o Brasil que sexo é bom no carnaval!

Também vamos para o céu

Bill Gates -com a maior fundação do mundo- inventou um gelzinho lubrificante que mata o vírus ali, no ato. Nada de falar para o povo parar de transar. Nada de falar que sexo depois do casamento é mais seguro. No lugar de dizer para mulherada que elas precisam forçar o maridão a usar camisinha, Gates confere autonomia à mulher. Agora ela pode se proteger, sem depender da vontade do outro. Em outra frente, Gates investe na descoberta da cura, na busca incansável por vacinas.

A Monsanto, vilã dos orgânicos, também tem sua cota no desenvolvimento de suplementos nutricionais. Fome Zero 2, uma solução imediata. Porque quem tem anti-retroviral no estômago, também precisa de comida.

A Fundação Clinton aproveita os fundos e patrocínios do governo para promover mais cursos para médicos na África e Ásia. Inúmeras ONGS e Fundações correm em paralelo, na realização de programas descentralizados. Todos se criticam, poucos se abraçam numa ação conjunta. Re-trabalho em escala.

Mama África é a mãe de todos. É tão bom ajudar a África, um senso de realização pessoal, o gosto de fazer o bem. Isso me faz lembrar de Sharon Stone, em Davos 2005. A loira arrecadou 1 milhão de dólares, numa cruzada de pernas, para o governo da Tanzania comprar redes contra mosquitos.