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Archive for July, 2006

Gripe da Pata

20060731 23:50

Seattle e São Paulo têm muito em comum. Sábado, foi um ioiô entre frio e calor, uma gangorra no ar: hot air, cold air, hot air, cold air. Quem não gostou foi a dona Garganta e o sinhô Nariz. “Bai bor beia, benina”, reclamavam. Na noite, a dona Mão puxou o cobertor, num impulso. “Tá calor, cê tá louca?”, disse outra Boca. Eis quando o sinhô Nariz se torceu, numa patulância inequacável.

Não tem mais teto, não tem mais nada…

20060730 09:59


Hoje, Israel fez seu ataque mais sangrento no Líbano, desde 12 de julho. Matou 56 pessoas, entre as quais 37 eram crianças. Todos civis. Famílias inteiras.

Israel e os Estados Unidos estão sem pressa para o cessar-fogo. Marinha, aeronáutica e artilharia israeli-americana devastam o solo libanês. Nesta madrugada, inúmeras vilas perto do porto de Tyre, da capital Beirute e das vias de comunicação entre o Líbano e Damasco, na Síria, foram bombardeadas. Tudo é alvo de Israel, sem chances nem para hospitais, universidades ou áreas obviamente residenciais. Um massacre. O número total de mortos nesses 18 dias, desde o início dos ataques, já ultrapassa 600. A maioria civis.

Não tem mais teto,
Não tem mais nada…

A atrasada ONU pediu ontem, sábado, três dias de trégua, para conseguir levar comida e remédio. Israel não aceitou. No fim da tarde de hoje, no entanto, com a pressão internacional contra o ataque criminoso, Israel disse que segurará os bombardeios por dois dias. Quanta generosidade. O Líbano segue em luto nacional.

Geek por dentro!

20060729 21:46


Geek por dentro!
Laurent sempre chega com mil novidades, pesquisa tudo o que vê pela frente, brinca de inventor, de escritor, de nerd, de poeta… Ele pode ser até de butique ou ainda curtir picnic, pode ser chic sem arrebique. Agora, oh vida, virou geek…

Internet Wireless

20060729 10:50

Sábado, 8h30AM, nós ainda na cama, com cara de cinco minutos. Toca o celular de Laurent. Tonny, a técnica da empresa de cabo Comcast, estava perdida no bairro. Depois de um mês a compartilhar o sinal de Internet do vizinho –sem que ele soubesse-, chegaria a nossa conexão oficial. Acordei. Deu tempo para gente escovar os dentes e esperar o carro da Comcast, da janela.

Aparece na curva um caminhão branco, que tocava música de sorvete. Era Tonny. Ela é uma ex-funcionária da empresa Boeing que agora zanza daqui, zanza para lá. Nos anos 80, a fabricante de avião cortou muita gente e deixou Seattle num mar de desemprego. Depois veio Bill Gates e resolveu o problema: a empresa Microsoft trouxe prosperidade à terra da chuva. Em Belleville, um bairro ao norte da cidade, programadores indianos, diretamente de Bangalore, marcam a era da globalização. Aqui, as pimentas e perfumes são de cardamon, canela, mostardas, cominho, noz moscada, cravo… Os vizinhos latinos não chegam nem a esquentar com seus hot jalapeños e sweet chipotles. Ficam ilegais na região sul e sudeste, semi-escravos. Trabalham no setor primário e gritam por inclusão.

Abrimos a porta. Entra a americana Tonny, uma loira, acima do peso, com grave dificuldade para respirar. Talvez seja claustrofobia: aquele elevador velho do prédio pode dar uma sensação asfixiante. Usava botas, calça jeans e uma camiseta branca, com a logomarca da empresa. Estava nervosa. Tonny está na Comcast há quatro semanas. Seu trabalho ainda não é rotina: uma mistura de medo, no início do atendimento, e excitação, quando ela finaliza cada caso.

A sua dificuldade em respirar começava a me causar certo desconforto. Parecia sofrer de asma. Se eu tivesse uma das bombinhas de minha mãe… Bem, ofereci café. Ela disse que não tomava mais de duas xícaras de café por dia, mas agradeceu. Eu ofereci um suco. Ela disse que tinha acabado de tomar uma Soda Pop. Sentei no sofá com meu lap, ainda conectada pelo vizinho, e fui ler o jornal. Ela respirava fundo, ligava e desligava o outro computador, concentrava-se na solução do problema.

No jornal Seattle Times, li sobre o atentado na Federação Judaica, há dez quadras daqui. Um muçulmano entrou armado no prédio e abriu fogo. Matou uma mulher e feriu outros 5. Ainda bem que não fui trabalhar ontem, teria passado na frente do prédio.

Ontem, conversei com meu amigo libanês que mora em Londres, Ghassan Saba. Ele é dono de uma fábrica de perfumes, óleos e outros “produtos caros para pessoas ricas (como ele mesmo diz)”. Inevitável não falar sobre o Líbano. O choque. A estupidez de Israel, essa guerra armada. Mais de 400 civis mortos, a infra-estrutura do país destruída, um atentado à humanidade. Os Estados Unidos, a consentir e apoiar atrocidade, enviam a Condessa do Arroz para negociar com o Líbano. Como assim negociar com o Líbano? Vai negociar com Israel! Mais, o grupo terrorista Hizbollah, que não é libanês e sim palestino, só existe porque um monte de árabe ficou sem terra em 1948, com a criação do estado judeu. Como assim, negociar com o Líbano? A família do meu pai foi para o Brasil porque o Líbano virou um caos pós-48. Quer ensinar negociação para fenícios, Condessa. Então, primeiro, vamos à história.

Fechei o micro. Um atentado aqui do lado. Tonny estava aflita com outra coisa. Não conseguia configurar o sistema. Estava literalmente deitada no nosso chão, com a barriga para baixo e o telefone celular na mão. Conversava com outro técnico e respirava mal. Laurent também estava angustiado. Eu não sabia ajudar. Ela perguntou nossa nacionalidade. Eu disse que era brasileira e Laurent disse que era americano. Nunca ninguém acredita que ele é americano. “Morei muitos anos fora e minha mãe é francesa. Talvez seja isso”. Ela entendeu. No Brasil, Laurent também não é brasileiro. Na França, também não é francês.

Laurent resolveu ajudá-la. A mulher estava a beira de um ataque. Ele seguiu o passo a passo da configuração, com o tutorial no CD-ROM que ela trouxe. Caso resolvido. Tonny agradeceu e saiu com pressa. O vizinho, que não nunca soube da nossa existência, vai comemorar a velocidade de sua conexão.

Drum of the Mount

20060728 20:25

Os tambores do monte anunciaram que tinha um sonho no meio do caminho. E no meio do caminho tinha um sonho.

Telecommuting

20060728 20:13

Hoje trabalhei de casa. Acho que depois de um ano com a Active Duck, canso-me um pouco da politicagem e social de escritórios, pessoas excessivamente nervosas, a correr para cima e para baixo.
Pedi para fazer
telecommuting hoje, ou seja, trabalhar de casa.

Olha, esse trem é uma delícia de bom! Um pão de queijo! Acordei sem pressa. Tomei café com preguiça. Pensei. Sonhei. Trabalhei e, nos intervalos, vi uns projetos da Duck. Almocei. Contemplei a vista num sem fim. Sonhei. Trabalhei mais um tanto no curso para a Namíbia, em inglês. Será que segunda posso fazer telecommuting de novo? Acho que não.

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20060725 21:21

Vibrações das bregas vocais

20060724 20:58

– Decidi que vou mudar de voz a partir de agora – falei num tom mais grave, com segurança. Tenho pensado sobre isso durante os últimos 10 anos. Chegou o momento – a voz engrossava a cada frase.

- Como assim, mudar de voz? – perguntou ele.

- Apresentar minha voz de maneira diferente. Um dia, todo mundo faz isso. Tem gente que muda de voz naturalmente, no final da adolescência. Uma transformação calma, suave. O vozeirão que chega e abre a porta da vida adulta. E tem gente, meu amor (falo com uma voz de Ângela Roro), que deve praticar a mudança. Isso acontece com algumas pessoas, quando a voz persiste no tom agudo pela vida toda.

- Você pode, pelo menos agora, durante essa conversa, falar com a sua voz normal?

- Quero ter uma voz mais contralto.

- Mas você não pode fazer isso comigo.

- Como assim?

- Eu não vou mais te reconhecer.

- Vim tanta areia andei (imito Beth Carvalho)

- Que isso agora?

- Se alguém perguntar, eu devo dizer o quê? Talvez eu possa dizer que é uma gripe. Aos poucos, a nova voz vai virar rotina.

- Amor, eu acho que não é legal mudar de voz assim.

- É como eu sonhava, baby (imito Sandra Sá)

- E quando a gente namorar… Eu gosto da sua voz antiga.

- Essa é minha nova voz, amor. Nova voz, amor. Amor, nova voz. Prazer. Você é o primeiro a conhecê-la. Você gosta?

- Gosto, mas não para você.

- Me dá um beijo. Faz de conta que eu só estou rouca…

- Pensa com calma. Essa mudança pode mudar sua personalidade.

- Como assim?

- Pode não combinar com seu estilo, jeito de falar…

- Amor… (voz grossa)

- Amor…

- Amor… (voz grossinha)

- Amor…

- Amor…

- Amor…

Good Morning!

20060716 10:08

Click na foto para ampliar.

A sala do novo apartamento no topo de Queen Anne, um dos bairros mais tradicionais de Seattle. Primeiro domingo. Acordamos com o beijo do verão. O céu estava limpo. Das janelas da sala é possível ver o Mount Rainier, parque nacional de 952 quilometros quadrados. A estação de esqui da região, no inverno. O monte chega a 4300 metros de altitude. Cachoeiras e cavernas de gelo aproveitam o sono do vulcão. Ele dorme. Um ponto turístico de Washington.

Na frente, também podemos ver a beleza do Lake Union. Este enorme lago, 2.3km quadrados, fica dentro de Seattle. Os veleiros que estão no lago podem ir e voltar da Baía de Puget Sound, ligação com o mar, via a eclusa. Água doce, água salgada. Uma vez em Puget Sound, pode-se sonhar com um oceano inteiro pela frente.

Os pesqueiros vão ao Alaska em busca de salmão (entre julho e agosto, o salmão do rio Copper, conhecido como sockeye, faz a festa). É a pesca de salmão mais rica do mundo. Nessa época do ano, milhares de peixes vão do mar para o rio Copper para desovar. Agora, é possível encontrar 500 gramas de salmão sockeye no supermercado por apenas U$ 8 dólares. Quando acaba a vez deste salmão, começa a pesca do siri da neve. Eles são gigantes e deliciosos.

Laurent acorda. Eis nossa pequena e incrível cozinha! Ao fundo, a mesa de jantar. Não posso tirar foto do quarto, porque ainda não arrumei a cama. E nem minha porque ainda estou de pijama e descabelada amalucada e bem feliz.

;)

Enfim, nós!

20060711 00:51

Mudamos de apartamento neste sábado.
:)