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Archive for December, 2005

Log (sem acento)

20051227 17:06

17 de dezembro
Embarcamos numa fabulosa aventura para Baja, no Mexico. Saimos de New Port Beach, na California com o Tartan 35 – um veleiro com duas cabines. O barco estava preparado para todas as festas (incluindo um bolo para meu aniversario -u-hu, e ceia de natal e ano novo).

19 de dezembro
Chegamos em Ensenada, Mexico. A marina Coral tinha WI-FI e pudemos usar internet. Meu aniversário! :)

20 de dezembro
Ondas fortes surgiram. Uma tempestade que comecou no Hawai e atormentou o calmo Pacifico!! O porto mexicano estava fechado.

24 de dezembro
O porto abriu e resolvemos subir rumo San Diego, primeira cidade dos EUA no sudoeste. Chegamos meia-noite.

27 de dezembro
Hoje estamos em Mission Bay. Amanha, creio, em New Port Beach again.

Saudades de todos! Desejo, atrasado, um feliz natal. Em tempo, um otimo 2006!!

Com carinho, sempre,

Pat

O sítio e o Cachorro Louco

20051212 21:17

Férias. Sítio de meu pai! Que divertido era passar férias no sítio de meu pai. Dias de peripécias! Assistíamos ao meu pai matar porco, mostrar o passo a passo do cuidado com a horta, achar abóboras gigantes pela plantação.

Ele tinha uma lata velha, enferrujada, misteriosa, que ficava sempre na sala. Dizia que tinha um rato enorme dentro e ameaçava as crianças quando a bagunça parecia incontrolável.

- Cida, pega a lata do rato! Vamos parar com essa zona, senão eu abro…a lata!

Eu morria de medo que ele abrisse. Tinha certeza que desfaleceria só de ver o rato gigante que ele criava lá.

Como a vida não é feita só de hortas e porcos, um dia… aconteceu um acidente. A mulher do caseiro gritou esbaforida:

- Seu Ricardo, um cachorro tá comendo meu marido! Seu Ricardo!!

Todas as crianças (eu, Luciano, Kalilzinho, Amelinha, Ticinha, Tiago, Binho e sei lá mais quem –a casa de meu pai sempre foi cheia de crianças) estavam espalhadas pelo sítio. Uns brincando de fazer bolo de barro, outros brincando de pega-pega, outros de pescar no lago … De repente, ouvi a tia Cida gritar:

- Crianças, venham para cá! Corram! Fiquem! Abaixem!! O pai saiu com o revólver. Tem um cachorro louco solto!

- Do que ela tá falando? Que cachorro louco?, pensei eu.

Bem, movimento e medo geral. Luciano me procurando. Eu procurando Luciano. Meu pai, o caseiro, o cachorro louco, a tia Cida gritando e as outras crianças perdidas.

Na minha imaginação, acho que me meti embaixo da Kombi (hoje, o senso crítico faz com que eu reveja essa parte e pense que, de fato, eu tenha pulado dentro da Kombi). Luciano estava comigo. Ouvimos tiros.

Era a primeira vez -e espero, a única – que o pai saía para matar. Ninguém deveria estar no caminho. Eu pensei: “Ora, por que ele não pegou a lata do rato?” De qualquer forma, na minha memória, meu pai salvou o caseiro, matou o cachorro e enervou o vizinho dono do Dog Alemão.

Marketing: o micro dentro do macro

20051212 21:15

Você sabia que além da planta dos pés, na ponta dos dedos da mão você também tem todos os pontos essenciais da medicina chinesa? Nada mais de consultas com o pai Liu para furar suas costas inteiras. O negócio é inventar o TECLADO CHINÊS no Brasil e mandar fabricar na China, por questões de autenticidade. A invenção é simples: teclado com 100 micro agulhinhas em cada tecla. Assim, depois de 8 horas de trabalho, você vai para casa totalmente eqüilibrado.

<!– isso não é uma exclamação “!!” –> ai

Bonner ou Homer?

20051206 23:52
A edição do JN vira modelo da Carta Capital?

Situação: William Bonner, apresentador do Jornal Nacional, recebe nove professores da USP na redação do telejornal. Professores perguntam sobre público do JN. Bonner, entre os colegas de profissão, compara público médio do JN a Homer Simpson.
Resultado: Professor Laurindo Lalo Leal Filho publica matéria de capa da Carta Capital e polemiza arrogância de Bonner.

O que não foi perguntado, mas foi subentendido: Segundo Bonner, ele deu o exemplo de um trabalhador e pai de família. Para professores da USP, ele deu o exemplo de um homem burro, alienado e comedor de biscoito.

Simples, Bonner soltou uma pérola e Laurindo estava satisfeito. Eta jornalismão porreta!

Algumas leituras

20051206 21:51

Agora, Kite Runner! Dos romances do ano passado, Khaled Hosseini ficaria entre os favoritos. Ao lado de Murakami (Kakfa on the Shore) e Rushdie (Shalimar). Impossível parar de ler, imaginar, querer saber mais. A história? Bem, começa na infância do afegão Amir e sua amizade com Hassan, o filho hazara do empregado coxo Ali. Lindas linhas sobre amor, amizade, medo, racismo, covardia e traição. Temas universais. Depois, com a invasão russa, Amir e o pai Baba fogem para São Francisco, nos Estados Unidos. Trabalham no mercado das pulgas. Divertido e trágico. O tempo passa. Baba morre. Amir vira escritor. Porém, carrega ainda o peso do remorso de sua traição a Hassan. Reviravoltas. O destino apita, o tempo agita, o passado remonta. Amir recebe um pedido de socorro de Kabul e resolve voltar para limpar seu passado. E volta a Kabul, agora dominada pelo Talibã. Quanta dor…

Lindo livro. Mark Twain fez uma pesquisa imensa, foi e voltou para França durante mais de 12 anos, para descobrir a história de Joana D’Arc. Resolveu contar a vida da santa e guerreira em forma de romance.
O narrador é um órfão, dois anos mais velho que Joana. Ele a acompanhou da infância à fogueira. Narra como esta camponesa analfabeta de 17 anos, do nada, conseguiu apoio do governante, liderou um exército, reconquistou cidades do norte da França, coroou um rei… Sim, depois foi presa, interrogada por bispos corruptos, condenada como herege e queimada. Oh la la. Quem foi ela? Mark Twain conta com paixão e poesia.

A canadense Debra Cantrell, uma ongueira bem-sucedida, recebeu o convite do marido de mudar de vida e cruzar o mundo. Bem, antes de dizer sim, como boa pesquisadora, Debra foi investigar mais sobre a tal empreitada. Fez uma pesquisa com mais de 100 casais que decidem morar num barco. “Um novo estilo de vida, sim, mas será que é para mim?”, é a questão inicial. Debra discute a mudança sob o ponto de vista feminino. Ela fala sobre os medos, angústias, desafios e conquistas. No universo dos capitães do sal, uma mulher, enfim. E assim, ela conheceu o mundo do mar antes mesmo de iniciar sua trajetória.


Este livro esqueci de comentar. Achei cansativo; talvez eu não estivesse no espírito para Ian McEwan. O texto é datado e traz reflexões sobre atentados terroristas e a guerra no Iraque. Estes pensamentos não evoluem na história, o que para mim foi fatigante e deixou o texto truncado. Bem, à trama: Londres, sábado e um dia na vida de Henry Perowne, um neurocirurgião. Acompanhamos tudo através de sua lente da razão, eis o homem da ciência. O livro é cheio de digressões. Durante o dia, Perowne fala de Rosalind, sua mulher; Daisy, a filha que gosta de literatura; Théo, seu filho músico; joga squash com o melhor amigo; sofre um pequeno acidente de carro que termina numa discussão com Baxter, que estava no outro carro…

A cara da morte

20051204 17:28

Ah, dor dilacerante! Belle Diblanche estava muito deprimida, por causa do fim de um romance. Sofrimento sem fim. Trancada em casa, chorava seu lamento para Jacques, o papagaio indiano comprado em contrabando. Ele era o único que lhe dava ouvidos e, sem ter o que inventar, gastava o gogó imitando a angústia da dona. O pássaro estava mesmo é irritado de tanto chorar. Ora, bastava Belle trocar o discurso que seus dias voltariam a ser alegres! Jacques atravessou a última semana a chorar, gritar por Frederick, o nome do amado de Belle.

Em uma noite florida de maio, Belle, em desespero, resolveu se matar. Falou adeus para Jacques, que retornou um “Tchau, adeus, adeus!”, sem grandes emoções. Destrancou a gaiola e disse: “Agora, você está livre!”. Foi ao banheiro, abriu o espelhinho e tomou todos os comprimidos que encontrou na frente: aspirina, laxante, antiácido, cataflan, vitamina B, engoliu o creme anti-rugas e finalizou com os antidepressivos. Deitou em sua cama e esperou a morte chegar.

Sua visão ficou turva. De repente, Jacques entrou no quarto e disse: “Não posso deixá-la morrer, Belle! Por ordens superiores de Shiva, no entanto, preciso marcá-la. Farei com que você carregue o rosto da morte para o resto de seus dias. Foi um pedido seu”. Bicava a boca maldita de Belle, a bochecha triste, o nariz pequeno…

Belle acordou no hospital. Não queria se olhar no espelho, não podia. Jacques foi pego pela polícia e morto. “Pasmem: papagaio perigoso agora percluso!”, bradou o tira.

Depois de um mês, Belle voltou para casa. A dor sobre Frederick não existia mais. Agora, a cara da morte definia sua vida. Ela queria fugir do destino que Shiva lhe reservou. Em dois meses, descobriu uma equipe médica em Lyon, especialista em transplantes de órgãos. Na consulta, tirou a máscara que escondia seu rosto e disse: estou disposta a tudo, preciso apagar essa marca.

Plástica não resolveria. Os médicos franceses estavam na corrida para fazer o primeiro transplante de face do mundo. Chegava a oportunidade ideal. Nos dois meses seguintes, a equipe buscou um doador de rosto para fazer a operação.

Em agosto, encontraram a pessoa perfeita. Genie tinha a mesma idade de Belle, 38 anos, e tentara se enforcar. Salva pelos pais, foi para o hospital, mas estava em coma há quatro meses. Suas chances de sobreviver eram mínimas.

A família de Genie, em dor, aceitou ver o rosto da filha em outra mulher. Belle estava feliz com a nova chance. Mudou-se para Lyon e esperou o dia da cirurgia, quando a doadora tivesse morte cerebral. Em um mês, chegava o grande dia. Enquanto o rosto era tirado de Genie, na outra sala de cirurgia, Belle aguardava. O procedimento médico durou 15 horas.

Em dezembro, seis meses depois do acidente, Belle comemorava seu primeiro natal. Mas ela estava estranha, passava o tempo falando sozinha, como se não tivesse controle da própria boca.
- Eu quero peru!, disse Belle.
- Eu sou vegetariana, não gosto de peru e me recuso a abrir!, respondeu a boca de Genie.
- Gosta de papagaio? Olha que eu importo outro da Índia!, ameaçou.

Cane Masters

20051202 00:15
Mark Shuey x Bill “Superfoot” Wallace
Para mais informações, consulte o Mestre da Bengala