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Archive for November, 2005

Submarino na janela, ai ai…

20051123 11:13

Discutia com a equipe no Brasil o projeto de Web site para um novo cliente. A caixa postal apitava com a chegava de novas propostas de design. Eu abria um a um, refletia e quando necessário pedia mudanças. Já passava da hora do almoço. Olhei para a janela: um submarino nuclear passava, acompanhado de três barcos de guerra. Naquele momento, dei-me conta de que morava no quartel general dos EUA.

Ao lado de Seattle, fica a maior base de submarino nuclear do mundo. Heranças da Guerra Fria. O submersível de 160 metros estava apenas com a vela (pequeno espaço em que marinheiros podem observar os arredores, quando a embarcação está flutuando) e parte superior do casco fora d’água.

Normalmente, a marinha faz essas manobras durante a noite, para ninguém ver. No entanto, por algum motivo interno, eles precisavam trazer aquele monstro de guerra para fora da base exatamente às 2PM.

Esses submarinos carregam 24 mísseis, de oito foguetes nucleares cada. Um único foguete tem capacidade destrutiva de 100 quilotons. Ou seja, cada míssil com oito foguetes totaliza 800 quilotons. Um único submarino, 19.200 quilotons. Para se ter uma idéia, a bomba de Hiroshima era de 13.

A finalidade dessas máquinas de guerra é uma só: destruir o país inimigo inteiramente. Um único submarino, se perto da ex-União Soviética, seria capaz de lançar os 24 mísseis no intervalo de um minuto. Os 24 mísseis subiriam na vertical, abririam no espaço e lançariam seus 192 foguetes nucleares para terra. Estes desceriam no alvo: um em Moscow, outro na saída do Mar Negro, outro no Mar Branco, outro na saída para o Mar Amarelo, outro na saída para o Oceano Pacífico, além das principais cidades industriais soviéticas.

- E esse vilarejo, capitão?
- Tem mais bomba?
- Tem.
- Ah, então vamos usar. Que desperdício seria um foguete de quase 4 milhões de dólares sem alvo. Vamos torrar o estoque – hoho.

O fato é: acabou a Guerra Fria há mais de 10 anos. No entanto, a base de submarinos continua ativa, agora por outros motivos. O investimento em pesquisa e desenvolvimento é grande e em constante evolução. Os EUA têm 14 submarinos iguais a esse e quatro com mísseis não-nucleares. A Rússia tem 14 nucleares. O Kursk era um deles. A China tem cinco.

No museu em Key Port, ao lado de Seattle, é possível conferir apenas informações com 10 anos de atraso, o que garante a integridade de segredos militares. O museu é muito bem organizado, traz detalhes sobre biologia, história e guerra. Para ver todas as seções, são necessários dois dias inteiros.

Como trabalhar pelo resto do dia? A imagem do submarino superava qualquer design de site, por mais original que fosse. Vantagens e desvantagens de um escritório beira-mar. Antes fosse uma baleia.

Lendas e Folclore da Internet

20051120 13:40


por Caco Galhardo…


hiperlix

Vermelho e Amarelo no Azul

20051118 12:11

Quero mergulhar no Mar Vermelho
segredo do mundo que ainda não vi
Correr nua pela Arábia Saudita
sem ninguém perceber
efeito digital de burka-er

Quero viver no Mar Amarelo
Na costa da China, ser chinesa
efeito oriental china-er
Entender a Coréia do Norte ao longe
passar mensagens pelo céu
efeito político e social free-er

Cores do mar…
você é você e eu sou eu
viva Montaigne, amar é assim.

Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que…

20051117 15:26

Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria: ”Porque era ele, porque era eu” – Michel de Montaigne

O som deste domingo

20051113 11:52

O violonista Baden Powell, que ganhou o nome em homenagem ao general inglês fundador do escotismo, foi mestre na arte do dedilhado. Criador de um estilo próprio ao violão, Powell reformulou a MPB pós-bossa nova. Em 2000, aos 63 anos, lançava o álbum Lembranças. E naquele mesmo ano, seu violão ficou mudo. As cordas calaram na observância de um som que ainda existe, num “Encontro com a Saudade” e noutro “Samba Triste”.

O repertório, escolhido a dedo, traz clássicos da MPB e da bossa nova. Entre as canções, figuram “Falei e Disse”, uma parceria com o sambista Paulo César Pinheiro, “Tem Dó”, parceria com Vinicius de Moraes, “Pastorinhas”, de Noel Rosa e João de Barro, e “Inquietação”, de Ary Barroso. O álbum –todo instrumental – revela rigor estético ao violão e beleza.

Breve perfil

Sua habilidade nas cordas não decorreu do acaso, desde menino interessou-se por música. Filho de violonista, ele acompanhava as reuniões musicais na própria casa. Aos oito anos, tomava aulas de violão com um professor particular. Foram cinco anos dedicados ao estudo de clássicos, num dedilhar sem fim. Aos 13, já animava bailes do subúrbio carioca, matava aula para tocar com os amigos no morro da Mangueira.

Quando terminou o ginásio, Powell fugiu para a Rádio Nacional. Fez excursões no país acompanhado pelo pessoal da emissora. Quando atingiu a maioridade, em 1955, entrou para o trio do pianista Ed Lincoln, tocando jazz em uma boate carioca. Aos 19, compôs em parceria com Billy Blanco a canção “Samba Triste” —gravada quatro anos depois, por Lúcio Alves.

O melhor ainda estava por vir. Aos 25 anos, conheceu o poetinha Vinicius de Moraes, de quem virou parceiro. Surgiram das mãos dos dois “Samba do Prelúdio”, “O Astronauta”, “Consolação”, “Samba da Benção”, “Tem Dó” e “Só Por Amor”. No fim dos anos 60, o músico foi para França com seu violão. Ao exibir seus sambas e composições eruditas, Baden fez tanto sucesso, que fechou um contrato para produzir a trilha sonora do filme “Le Grabuje”.

Na volta ao Brasil, partiu em uma pesquisa sobre as sonoridades africanas, com o intuito de incorporá-las em sua música. Passou seis meses na Bahia, quando estudava os cantos dos terreiros e o candomblé. Quando encerrou a pesquisa, compôs uma série de afro-sambas como “Tristeza e Solidão”, “Canto de Xangô”, “Canto de Ossanha” e outras bonitezas.

Enquanto isso, na Europa, fazia fama. Entre seus grandes feitos, participou do Festival de Jazz de Berlim, ao lado dos guitarristas Jim Jall e Barney Kessel; tocou com a Orquestra Sinfônica de Paris; gravou os discos “Baden Powell Quartet”, “Baden Powell”, “Baden Powell Trio & Opera Frankfurt”, entre outros. Com personalidade avessa ao rebuliço, preferiu silenciar a façanha. No Brasil, era lembrado em composições eternizadas na voz de grandes nomes da MPB. Mas seu forte era o violão, que sozinho, tinha caldo, tinha sonho e encantava.

Cadê a Luz?

20051109 16:18

Atentados na França já resultam em 6400 carros queimados, 274 centros urbanos atingidos e mais de 1700 presos. A revolta se alastrou pela Europa. Bélgica, Alemanha, Dinamarca e Espanha já mostram sinais. Violência alimentada por exclusão social e racismo.

O caso francês é crítico. É fato que árabes, 15% da população, vindos de ex-colônias francesas do norte da África, nunca se integraram verdadeiramente à sociedade. Árabe, só se for l’arab du coin, lojinhas de conveniências locais. A maioria dos norte-africanos vive nos subúrbios, em prédios ruins (apartamentos minúsculos, sem ventilação, com falta de banheiros etc), com ajuda do governo.

Se o desemprego na França é de 8.9% (The Economist Pocket World in Figures), dados revelam que mais de 40% dos casos são entre árabes. A segunda geração de imigrantes é ainda mais discriminada. Organizações não-governamentais lutam até para instituir o tal currículo anônimo, para ver se combate o racismo. Risível. Daí, CV aprovado e chega aquele árabe narigudo para entrevista, com olhões esbugalhados… Je m’appelle Kha… c’est a dire Charles.

O modelo de integração social francês fracassou. O Europeu, como um todo, foi por água abaixo. Não há oferta de trabalho capaz de absorver tanta mão-de-obra. Os imigrantes chamados durante os booms de crescimento europeu, principalmente nas décadas de 70 e 80, hoje estão à mercê do Estado. Seus filhos crescem excluídos e percebem desemprego, racismo, falta de oportunidade e acessos limitados.

E o que fazer? Se essa revolta mostra um grito de desespero, no entanto, para o Estado, revela uma explosão de fracasso. A resposta imediata do governo para controle da situação é repressão; por parte da sociedade, mais racismo. Mas qual a solução a longo prazo? Vale lembrar que em 2002, o candidato fascista Jean-Marie Le Pen quase venceu as eleições. Na reta final, o sósia do Maluf, seu Jacques Chirac, venceu por causa da rejeição a Le Pen. Imagina uma França fascista?

Por outro lado, vale perguntar: e aí, mundo árabe!? Quem vai surgir para liderar os fanáticos? Grande parte da revolta na França -e em outros países europeus- foi iniciada por radicais extremistas muçulmanos. Será possível outro caminho, que não se valha de intolerância, morte, retrocesso e estupidez…? Ou o caos é necessário; o desrespeito à vida, mera conseqüência? Outro dia, um muçulmano moderado dizia que não é necessário preocupação, porque entre um bilhão de praticantes, somente 50 mil eram fundamentalistas perigosos. Somente? Bem, cinqüenta mil é um exército de bom tamanho. Outros ataques: Filipinas, novembro; Jordânia, em novembro; Indonésia, em agosto; Londres, primeiro semestre; Espanha, no ano passado; Caxemira, EUA…

Vejo tudo isso com muita tristeza. Assim, meu rei, a solução é morar na Bahia e rezar para Iemanjá para ver se a vida melhora!

Eu sou um negro gato

20051107 22:20

 

BOTTOM
I grant you, friends, if that you should fright the
ladies out of their wits, they would have no more
discretion but to hang us: but I will aggravate my
voice so that I will roar you as gently as any
sucking dove; I will roar you an ’twere any nightingale.
“Sonhos de uma Noite de Verão”. W.Shakespeare

 

Eis quando a viúva tristeza vem, bate à porta, senta no sofá, invade a nossa secreta sala de visita . Às vezes, não é fácil identificá-la e pedir para ela se retirar. Indesejada, sim. Inesperada, talvez. Abusada que é, chama a celibatária solidão para dividir o espaço e o cabisbaixo vazio para um tango solo. Uma cena de cinema. A tristeza quando invade é capaz de tanto e tão pouco. Sufoca num abraço repressor, que abafa o presente e nubla a visão.

- Converse comigo, porque eu, só eu, te entendo… – diz ela. Dizem que sou neurótica endógena, uma expressão complicada para dizer que eu vim de dentro de você. Acho engraçado. Veja bem, sem perceber, foi você quem me chamou. Eu sempre aceito convites para desabrochar – continua.

O mundo do lado de fora não participa do diálogo, não ouve e nem pode ver. Ora, com a viúva dominando, a confusão do dia-a-dia não faz sentido algum. Desalento.

- Tome catecolaminas! – diz o farmacêutico que vende remédios sem receita.
- Pare de pensar e tome chá de camomila! – diz a avó sabida.
- Faça massagem no peito com argila! – diz a mãe zen.
- Saia com muitas meninas! – diz o pai preocupado.
- Isso é pura mentira! Pobre não tem depressão! – comenta a vizinha com o porteiro.

O irmão psicólogo disse que a depressão é um mecanismo da mente, que surge para provocar mudanças. O homem afunda para ressurgir. Flor de lótus ou Prometeu? Platão, em tempos remotos, dizia que essa tal de bílis negra era caso para a filosofia. Cogito ergo sum? Hipócrates que era uma doença do cérebro. Cere-belo ou cere-feio? Outros tempos, a tristeza arrebatadora tinha até certo glamour. Homo sapiens est romanticus.

- Eu estou nesse mundo desde que o homem existe – explica. Já me chamaram de loucura, de demoníaca, de irracional. Já recebi tanto nome que nem me preocupo com o título – ri (ela pode rir!)

É aquela parente distante que não se apaga da agenda de endereços. Quando em vez, ela aparece. Às vezes, resolve ficar e alimenta o cérebro da gente com doses de angústia e falta de sentido. Ah, se é fato que a gente é quem chama, como despachar a donzela?

- Game over!
- Você quer que eu vá embora? Então, entenda-me, decifra-me e conheça-te a ti mesmo! – diz ela, sarcástica, com ares de esfinge.

Eu não sou um leão, sou apenas um ator .
Não fique com medo, eu vou fazer um leão docinho,
tão docinho, que você vai rir… Arrr…
Viu? Rosno quase como um gato.

Júlia e Laís

20051102 22:00

Ju, jóia, jujuba
La, love, lambança

As flores-meninas dos amigos queridos Pitty e Mauro!
Elas crescem, os olhos voam em pensamento, idéias e descobertas.
A mais pura diversão!
Juju e suas pérolas; mirabolantes conexões.
Laís pára o mundo numa olhadela; sensações.
Daqui a pouco, essas pequerruchas me carregarão no colo!