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Archive for November, 2004

joie de vivre!

20041129 11:23


Laurent – S. Francisco do Sul

Uma lição de fé e liberdade… “Se eu não acreditasse em nada, não poderia acordar no dia seguinte. E só isso me move” – disse, em Paris. Há anos em terra estrangeira: nasceu sem nação.Em cada pensamento, um re-pensar. Refez-se tantas vezes. Refaça-me! Com seu jeito especial de contar histórias, de ouvir, de ler e reler tudo o que aparece pela frente, de amar, de ser crítico, de me fazer rir, de delirar, de ser Laurent! ;) Habilidoso com as palavras, com as mãos, com os olhos.

cuscuz marroquino, legumes e peixe grelhado

20041129 02:10


cuscuz marroquino, legumes e peixe grelhado

Conheci poucas pessoas que, realmente, pudessem encontrar paz e revelar tanto carinho enquanto preparavam alimentos. Cada ingrediente no seu recipiente para o momento de maior intuição. Laurent compõe.

Enquanto conta histórias sobre a Tailândia, ele prepara Pad Thai e pratos leves. Lembranças de Bourdeaux, momento do ataque francês. Na mesa, um Tournedo Henry IV -medalhão de filé mignon com patê de fígado de pato. Ou um pato mesmo. Ou um simples pedaço de baguete. Com crosta, de preferência. Noite fria para esquentar: curry indiano ou borsht com uma colherada de iogurte? E vem um prato perfumado, delicioso, deleitante. Os jantares em casa são os melhores, a dois ou a dez.

Laurent aprecia os prazeres da vida. Ensinou uma sagitariana a apreciar ainda mais o quanto bom é viver e morrer a cada dia. Como muito educado, educou-me. Como muito revoltado com o mundo, fez-me ainda mais revoltada! É fogo e ar… inteligente e gente! Este é monsieur Laurent!

Sua vez

20041125 18:41


- aqui lá vai o cisne..

- o quê?

- o quê?

- o quê?

- o …

“Babau! Vire-se amigo: no momento estamos rezando o Padre Nosso. A cada um sua vez de ser comido…” (Pai Ubu – Ubu Rei de Alfred Jarry)

Definição

20041125 18:11

Garota, eu vou pra Califórnia
Viver a vida sobre as ondas
Vou ser artista de cinema
O meu destino é ser star
(…)
Eu dou a volta, pulo o muro
Mergulho no escuro, salto de banda
(…)
A vida passa lentamente
E a gente vai tão de repente
Tão de repente que não sente
Saudades do que já passou
(…)
Na minha vida ninguém manda não
Eu vou além desse sonho

- Vamos mudar no fim do ano? – perguntava Laurent desde janeiro.
Okay, vamos. Como dizem os orientais, pense nas pequenas ações de sua vida, nas grandes, não pense muito. Simplesmente execute. O arrependimento morrerá no ato, na companhia da descoberta, do ensejo, do retiro e da dor.

Rosa das Palavras

20041121 02:39
sentidos

Mata Maria Mutema com Chumbo Confesso em Cabeça. Algo escondido dentro de algo. O lado de fora e o lado de dentro: um o reflexo de outro, distorcido em imagem convexa.
O andrógino que, quando dividido – ou descoberto ao meio -, já não pode mais buscar por unidade. O outro que, amando o semelhante, julgava-se anormal. Quixote Riobaldo rasga o sertão nordestino em aventuras cavalheirescas. Essa Dulcinéia Diadorinesca às avessas. Se a de Cervantes fez o homem confessar loucura, a de Rosa, fez Riobaldo viver tormento durante toda sua andança.
Nonada começa, no ar (noir) seco do sertão caminha, no rio (que desde lá insunua sua terceira margem) corre. O místico e o transcedental que voltam os olhos para o terreno. Rosa roça e troça com todo o pequeno pensamento.


LIVRARIA CULTURA: Grande Sertão, Veredas

formada

20041120 00:55
a comemoração

TCC

20041119 14:13

Passei com nove…!!

Banca especialíssima: Carlos Costa, Lucia Freitas e Welington Andrade.

Feliz, tão feliz, ué!! :)

A língua que muda o mundo

20041119 12:04

Diz quem foi que inventou o analfabeto
e ensinou o alfabeto ao professor
Me responde por favor

Como será a vida de um analfabeto funcional, sujeito que representa a maior parte da população brasileira? Quais são os obstáculos que ele enfrenta? Qual o grau de participação que ele tem na sociedade? Como ele participa e usufrue da produção material e cultural dos centros urbanos? Como sobrevive e beneficia-se de seus direitos de cidadão?

Em São Paulo, ou em qualquer outra grande capital, a indústria de transformação, o comércio e a atividade social exigem, cada vez mais, o uso da língua escrita. Seja para fazer uma conta, uma anotação, ler um informativo, um manual de instruções, planejar o orçamento doméstico; seja para ler o rótulo de um produto e entender indicações de uso; seja para ler uma bula de remédio e saber a dosagem correta a ser ingerida; seja para momentos de lazer.

O livro-reportagem A Língua que Muda o Mundo narra o dia-a-dia dos migrantes nordestinos Josuel, Luiz, Severina e Sinvaldo. Eles freqüentavam o curso supletivo da ONG Ação Educativa, na turma que se referia às terceiras e quartas séries primárias do ensino formal. O livro conta as dificuldades que esses quatro estudantes, que vieram tentar a sorte em São Paulo, sofrem por serem excluídos do mundo da informação.

A partir de seus históricos e sempre sob a ótica do analfabetismo funcional, verificamos em quais tipos de circunstâncias práticas e sociais a falta de domínio da língua escrita afetou -e afeta – suas trajetórias. Dessa forma, a investigação, também intenta trazer à tona a discussão de o quanto o (des)conhecimento da língua interfere no recorte que é dado, por cada um de nós, à realidade.

O Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional -INAF, pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro, instituição sem fins lucrativos ligada ao IBOPE, em parceria com a ONG Ação Educativa, revela que somente 28% da população brasileira têm domínio das capacidades de leitura e escrita. Os dados mostram que três em cada quatro brasileiros não entendem o que lêem, não sabem escrever e não conseguem sequer interpretar o que escutam.

eu te amo, meu amor

20041114 02:13

E será domingo novamente. Poderei ficar na cama até o suor de meu corpo me incomodar. Ouvirei um “bom dia” de meu marido, que ainda não terá escovado os dentes. French Kiss? “Mmmm”, responderei olhando para a parede, desviando meu hálito para o vazio. “Bom dia”. Levantarei, com coragem e preguiça. Minha cara de “café da manhã na padaria” será como um convite. “Vamos?”.

Lá, encontrarei os balconistas da Orquídea Palace, que vendem os quitutes que o padeiro faz durante a madrugada. Diz a lenda que ele é um homem que acorda antes de todos. Não sabemos mais nada sobre ele. Só sei que o homem-massa existe porque o pãozinho está na cesta.

No caminho de casa, cruzarei com os taxistas que começam a gritar, normalmente, por volta das sete da manhã. Aquele ponto de táxi tem histórias. Sabemos de tudo, fofoca por fofoca, por meio deles: quais são as mulheres que flertam por uma corrida, qual o novo morador da rua, qual o último escândalo do prédio etc. Quando o assunto acaba, eles escutam música sertaneja. Na ocasião, saberei quem são os novos estudantes que moram no térreo e por que dona Pura sumiu.

Dona Pura é uma velhinha sem filhos e sem marido. Ela tem uma irmã e uma sobrinha. No prédio, todos dão um pouquinho de atenção a ela. “Sei, sei”. “Mmmm”. “Verdade”. “Dor de novo?”. “É o frio”. “É o calor infernal”. Outra noite, ela passou mal. O casal vizinho ligou para a irmã mais nova dela e, no dia seguinte, dona Pura sumiu. Vai saber.

Iremos à feira da Liberdade olhar o que há de novo. Como sempre, pouco. Barulho, sol, comida nas barraquinhas, pessoas caminhando sem olhar para frente, japoneses e mais japoneses. Sentaremos em um café da esquina para ler o jornal. Lá, discutiremos todas as notícias da semana: o secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, e sua mensagem de Natal aos soldados americanos; a morte de soldados americanos no Paquistão; as últimas explosões no Iraque; a campanha mundial anti-tabaco; os problemas econômicos palestinos; os colonos judeus que estão na Faixa de Gaza e no norte da Cisjordânia; o desemprego e a inflação no Brasil; o crime organizado no Rio de Janeiro; o circuito cultural de São Paulo; os filmes em cartaz. Falaremos mal de muita coisa. Além das notícias, criticarei um pouco o jornal, as edições das matérias, as apurações medíocres, os temas vazios, a abordagem tendenciosa etc. Depois, em silêncio, pediremos perdão por tanto julgamento.

Outro dia, em uma discussão sobre ética em jornalismo, tivemos de assumir que todo jornalista julga. Um grupo de estudantes entrou em crise. O verbo julgar carrega um peso bíblico. “Atire a primeira pedra”.

Ainda na Liberdade, olharei o centro budista e lembrarei de alguns ensinamentos. Ao lado, tem uma igreja católica. Dizem que o próximo papa será negro. Será? E, para variar, encontraremos um hare krishna vendendo incenso. Quem sabe aquele grupo evangélico, da Galvão Bueno, também gritará suas verdades. Tantas religiões.

No caminho de casa, cruzaremos com aqueles moleques que bateram minha carteira outro dia. Tudo bem, de importante e valioso só perdi meu planejamento para 2004. Agora, sigo sem planos os meu destino.

Voltamos. Leremos pelo resto do dia. Um drink para relaxar sempre vai bem. Namoraremos um pouco, um muito e um pouco novamente. Prepararemos um jantar gostoso, cheio de invenção – ah, como é gostoso cozinhar boniteza, comer perfume, conversar ouvindo boa música.

Por fim, será segunda novamente.

Morte e Vida Severina

20041101 14:05

S de Sôdade

“Escrevi um diário com toda a minha vida para você”, disse Severina. “Hoje, vou te dar uma versão menor, porque eu ainda não terminei tudo. A história completa, tem tanto segredo, que nem sei se devo mostrar”, brincava. Entregou uma versão resumida de seu projeto autobiográfico. Um desafio que ela mesma se propôs a realizar.