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Um sousafone…

20090506 23:43
babyottozeplin

Otto, de radrobot.org.

EAD em Moçambique

20090506 22:58

Ainda não posso deixar o link para o relatório, porque agora o bichinho vai passar de mão em mão para pegar assinatura de gente importante e sofrer mudanças internas na Universidade de Washington (UW). De toda forma, não vejo a hora de ver a pesquisa publicada. A vida é rara, o mundo é grande e o objetivo da educação é muito mais belo que politicagem interna e tapas no ombro. No entanto, pelo menos aqui na casa de Alice, vou me dar o crédito merecido por esse trabalho bonito e, sim, cansativo.

Preparação: de outubro a dezembro

Tudo começou em outubro do ano passado, com muita pesquisa sobre a história recente moçambicana. Eis aqui uma breve introdução para contextualizar meu amigo leitor.

Moçambique é o quinto país mais pobre do mundo, ocupando o 172 lugar de uma lista de 177 países avaliados. Com graves atrasos na rede de eletricidade (só 13% tem luz) e distribuição de água potável (só 32% tem água), a população sofre para ter as mínimas condições de vida . O capengante sistema público de educação e saúde rasteja graças à ajuda internacional*.

Depois da independência de Portugal em 1975, o país enfrentou uma guerra civil de 1977 até 1992. A luta foi travada entre o partido Frente de Libertação de Moçambique apoiado pelos soviéticos e o partido de Resistência apoiado pela África do Sul (e Estados Unidos). O pouco da estrutura que restava depois da guerra de independência foi destruída.

A taxa de HIV é alta (20%) e a expectativa de vida é baixa (50 anos). Por causa da guerra e doença, Moçambique é um país adolescente, com 45% da população mais nova que 15 anos. O passado duro também é marcado pelo  baixo índice de alfabetização (57% homens, 32% mulheres). Não há profissionais da saúde porque falta escolas de nível básico. Não há escolas porque falta muita coisa. O problema do baixo letramento é  também fruto do modelo de colonização português com economia baseada na exploração agrícola. Em 1975, cerca de 90% da população era analfabeta porque negros tinham difícil acesso à escola. Os brancos e “assimilados”, como eles falam, estudavam em escolas privadas católicas ou nas missões. Os mais influentes, mudavam-se para a Europa. 

Mergulhamos juntos até aqui? Então agora vou voltar para a fase de preparação da “Avaliação Nacional para Educação à Distância: Capacidade e Demanda”. Eu precisava encontrar e entrar em contato com instituições de ensino técnico de saúde, descobrir ações de Educação à Distância (EAD) já em uso, fazer uma lista dos locais para visitar, levantar dados oficiais sobre desenvolvimento de infra-estrutura, tecnologia, saúde e educação em Moçambique nos últimos 10 anos. Só com essa lição-de-casa feita pude traçar um primeiro termo de objetivos da avaliação e roteiro da pesquisa para a equipe da UW apresentar para o governo. Também, definir com o grupo da UW os questionários a serem usados.

Pesquisa de campo: fevereiro

Como janeiro não é um bom mês para visitar instituições de ensino, a pesquisa de campo foi marcada para fevereiro. Visitei 4 estados (lá chamados províncias) e 7 cidades (lá chamados distritos). Minha dupla de pesquisa não falava português e, então, em 4 semanas eu precisei conduzir os:

  • 4 grupos de discussão com trabalhadores de saúde em hospitais (de 5-8 pessoas cada)
  • 4 grupos de discussão com professores em escolas técnicas de saúde (de 5-8 pessoas cada)
  • 4 grupos de discussão com alunos  (de 5-8 pessoas cada)
  • 4 entrevistas individuais com diretores e diretores pedagógicos das escolas técnicas
  • entrevistar o diretor de um projeto de EAD que foi feito através de rádio e correspondência para formar professores de escolas pública nos anos 80 e 90,  Miguel Buendia (que publicarei a entrevista inteira nesse site porque vale!)
  • entrevistar o diretor do Instituto Nacional de Educação à Distância (INED)
  • entrevistar a coordenadora nacional da rede de Telecentros e Rádios Comunitárias no país
  • entrevistar o coordenador de uma das rádios comunitárias em um distrito rural
  • entrevistar diretores de três ONGs na área da saúde com projetos educativos: HAI, FGH e HeF

Já ciente da falta de domínio de português da minha dupla, resolvi felizmente gravar e tomar copiosas notas de tudo. Minha dupla também esqueceu de levar máquina fotográfica e todos os registros possíveis, fiz quando a mão não estava escrevendo. A boca ficou perguntando o tempo todo (entrevistou até o poste) e o ouvido atento.

Também, na lista de atividades extras feitas em Moçambique, apresentei o projeto de pesquisa para o Centro de Controle de Doença dos Estados Unidos (CDC-USA) em Maputo e para o Ministério de Saúde (MISAU). Ah, um dia antes de voltar, fiz uma apresentação durante o primeiro Seminário Internacional de Educação à Distância de Moçambique, com a ilustre presença da Fundação Oswaldo Cruz do Brasil, para contar mais sobre a pesquisa e fazer um resumão da situação no país.

Entrada de dados: março

Em casa, fiz metade das transcrições dos áudios, terceirizei a outra metade. Enquanto isso, a tradução do português para o inglês deixei por conta da UW que disse ter essa capacidade interna. O tempo ia sem demora.

Ainda em março, ficou sob minha responsabilidade escrever um primeiro documento com “achados preliminares” para ser entregue ao CDC e MISAU. Em adição, definir uma estrutura de relatório, capítulos e temas por capítulo, para o próximo passo.

Relatório: abril

Os capítulos a serem escritos e autores ficaram definidos como abaixo:

  1. Introdução: Moçambique
  2. Introdução: o que é Educação à Distância
  3. Introdução: qual foi a metodologia da pesquisa (entrevistas, focus group)
  4. Capacidade das Instituições de Formação Técnica em Saúde de Moçambique - autor: P.K
  5. Sumário dos Principais Programas de EAD em Moçambique - autor: P.K
  6. Análise da Infra-estrutura de Moçambique: eletricidade à internet - autor: P.K.
  7. Potencial para EAD no país - autor: P.K e A.N.
  8. Demanda de EAD para trabalhadores de saúde segundo stakeholders - autor P.K.
  9. Recomendações

Hoje, entreguei meu último capítulo. Agradeço do fundo do meu coração todo o apoio, carinho, paciência para revisão, questionamento, edição e atenção de Laurent nesse mês. Todo o material foi entregue em inglês corretíssimo, um capítulo por semana, sem furar.

Fiz minha parte –e, cá entre nós, muito mais que minha parte. Estou muito feliz com a pesquisa, aprendi muito, apanhei outro tanto.

Sempre em frente, nunca pra trás

A semana que vem vou desligar computador, fechar lojinha e ir para o meio de lugar nenhum. Daqui uma semana volto! Até lá.

——-

*mais de 60% do produto interno bruto do país vem de ajuda externa. Tal disparate atualmente levanta sérias perguntas sobre efetividade da “ajuda”: é para estimular a autonomia e crescimento do próprio país ou para produzir uma nova forma de dependência via essa militante “neo-colonização”? Quanto disso motiva corrupção e uso errado do poder? Dentro desse mesmo tópico, leia também o artigo “Mama África” que escrevi sobre a ação da indústria farmacêutica no continente africano.

A Drifting Life

20090502 16:29

Li uma resenha sobre  A Drifting Life“, de Yoshiro Tatsumi, e não me segurei.  A crítica comparava a narrativa de Tatsumi com a beleza meditativa da prosa Haruki Murakami e simplicidade elegante de Osamu Tezuka. Comprei o manga e li essa semana antes de dormir, para relaxar a pressão desses dias intensos de trabalho. É muito bom. Um metamanga sobre a história do manga no Japão e uma maneira deliciosa para aprender mais sobre o assunto.

driftingA Drifting Life

Consigo ver a ligação entre o estilo de Yoshiro Tatsumi e Osamu Tezuka, da série Buddha (lindo) e Astroboy (não li Astroboy). Também, por seu caráter histórico, “A Drifting Life” me fez lembrar tanto do maravilhoso manga sobre Hiroshima, “Gen: Pés Descalços”, de Keiji Nakazawa. Todos marcam o estilo gekiga mangaka (quadrinho dramático?), com histórias complexas contadas de uma maneira íntima e econômica, realista e melancólica, com encanto e graça na medida. O humor inteligente brota da leveza do olhar, a forma de contar e os traços de cada autor. Agora, na lista para ler, entrou um outro manga de Tatsumi, “Abandon the Old Tokyo”.

tokyo
Abandon the Old Tokyo

A busca, o caminho e o cagueta

20090418 12:00

manonwire1

Li o artigo de J.J. Abrams na Wired de maio durante o café na padaria. Vale ler, é sobre “a mágica do mistério”. É bem escrito, inteligente, engraçado. Enfim, depois, no caminho de casa, fiquei pensando sobre os momentos de descoberta e transformação que temos ‘com aquilo que não tem google, nem nunca terá’: amar, a experiência pessoal ao ler, escrever, (re)começar e explorar sabores; em perder países, mergulhar só para desafogar mais na frente. Você pára, contempla, diminui o ritmo, fica alegre pelo fato de se surpreender. É o caminho de toda pequena transformação, de qualquer conquista. O final tanto faz, desde o começo. Morreremos todos, haja céu ou cloud.

azul e verde

20090409 20:47

godscreation

Deixo ir, com amor e profundo respeito, sem apego, medo, eco. Deixo ser. Uma porta, uma cara, uma vida e outra. Mundo inteiro.  Iguais. Diferentes. Essencialmente iguais. Quando esse ciclo acabar,  palavras e silêncio, quero um espaço para nada mais, somente o céu e o mar. Inteiros. O céu. E o mar.

A pressa é inimiga. Tantas palavras para o trabalho e falta ar para escrever aqui. Escolhi a foto porque acho bonita,  tem a ver comigo, mas principalmente porque um passarinho estava na minha cabeça. Fui à caixa postal para ter um break do trabalho e ver se o papelzinho que tanto espero estava lá. Nada. Daí comprei um coelho para minha amiga Lu Leone. Meia-volta e no meio do caminho, no meio da conversa, um passarinho de primavera fez cocô na manga da minha blusa!! O Laurent fez piada e limpou a sujeira com a grama verde do vizinho. Eu acho realmente que a Violet anda por aqui. Verde.

Little Red Riding Hood

20090408 23:21

Slagsmålsklubben - Sponsored by destiny from Tomas Nilsson on Vimeo.

Greyed Rainbow

20090408 18:56

pollock-greyedrainbowJackson Pollock (1953)

White on White

20090408 18:47

picture-2

K.Malevich (1918)

Violet Way

20090403 18:34

violet
Violet em Londres, 2001

Escrever um relatório de pesquisa para o governo de dois países tem sido um aprendizado. A etapa inicial de transcrição das 25h de entrevistas já acabou. Ontem tive uma reunião na universidade para definir os capítulos do relatório, dados relevantes e recomendações fundamentais. O bichinho está ganhando importância: a pesquisa será apresentada em conferência internacional sobre EAD na África e também em Washington capital, além aqui de Seattle.

Conto com o apoio de mais três colegas da universidade, todas mestres e doutoras, que participarão da revisão do relatório e escreverão os capítulos iniciais: ‘quem/o quê?’, ‘por quê?’ e ‘como?’. Mesmo assim, tirar o leite do material para os outros sete capítulos, apertar a cuca, bem… essa parte vai sobrar para os mais fracos. Acho bom. Fico feliz em escrever e, realmente, até por uma questão de língua, abusarei mais da riqueza dos dados.

Espero ter mãos para explicar de maneira clara e com cuidado os pontos que merecem atenção para o desenvolvimento de projetos de educação no país.

Fui roubada no domingo, mas Violet é uma menina de sorte

Domingo não foi o dia para ninguém. Meu gatinho morreu e eu tive minha bolsa roubada. O ladrão deu  azar também. Violet, a guria aí da foto, é que é uma menina de sorte. Explico-me… Durante o dia, depois da notícia do Luan, resolvi carregar o iPod e tirei o pequeno da bolsa. Depois, fui ler um livro no kindle no sofá e deixei o brinquedo por ali. Mais tarde, fui verificar o número do cartão de crédito para comprar um dicionário online e tirei a carteira da bolsa. Como não gosto de telefone, lógico que o aparelho não estava comigo. A chave? Mmm, deixei na mesa. Quando a idéia de sair para jantar surgiu na roda — aqui em casa depois de uns copos de vinho com amigos (Chris e Andrew) e certo conversê–, só peguei a bolsa na cadeira e fui. Enfim, Violet foi passear com Laurent e amigos para comer mariscos e tomar cerveja com uma bolsa completamente vazia. Só meu caderninho de notas lá dentro. Horas depois, cheguei em casa, sem bolsa, e admirei o feito:

- Ah, minha carteira ali na mesa, que bom!
- Ah, meu iPod no carregador!
- Ah, a chave, exatamente no lugar da chave. hihi
- O celular ali, Laurent, olha!
- Óculos de longe! Óculos de sol, silly version! Óculos de sol, de verdade!

Laurent perguntou: mas por que você trouxe a bolsa, então? Eu até agora não soube responder a pergunta, mas acho que levei a bolsa para o ladrão ter o que roubar!

Mas quem é Violet?

Violet é a menina da foto. Acho que eu já falei isso.

Próximos capítulos

Depois que essa pesquisa acabar, precisamos de ar para sonhar, relaxar, amar, navegar, voar… Bora com essa pesquisa que a vida continua. Tento segurar o samba no pé. Dance, girl, dance, dance.

A grin without a cat

20090329 10:04

gatinhos

Meu gatinho morreu hoje.