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Vestida de tinta e alegria

20100826 20:07

Tem gente que muda a vida da gente, que tem a capacidade de tocar no ponto certo, que sabe soprar carinho para abrir novo espaço. Tem gente que faz a gente acreditar em sonhos, a chorar com palavras verdadeiras, a cantar pra valer e com leveza, a entender a força dos frutos e a ouvir a alegria das flores. Tem gente que gosta de rosa e verde, de passarinho na cabeça, de monstros no colo, de se vestir de peixe e de levar um planeta no dedo. Tem gente que gosta de pavão e que tem ainda por cima um coração de leão. Tem gente assim, de verdade! O mais curioso é que porque gente assim é tão raro, tem outra gente que não sabe o que fazer.

O lançamento do livro “Vestida para espantar gente na rua”, de Miki W, vem para falar com alegria sobre o que há de especial em cada um. Miki que já escreveu dois livros na Internet sobre a importância de sonhar (Em Busca do Sonho Perdido e O Jardim dos Sonhos), agora fala sobre como é fundamental a gente acreditar naquilo que a gente é.

Ela é fofa demais. E Miki, na verdade, não espanta ninguém. Ela abraça o mundo com um convite verdadeiro. Ela abre a janela e diz: olha lá fora, olha o diferente, que bonito! que bonito! Sensível, alegre, melancólica, inteligente, talentosa e linda.

convite eu espanto gente

Sábado, dia 28 de agosto de 2010, é o grande dia. Lançamento do livro feito de tinta. Para quem ainda não conhece o maravilhoso trabalho de Miki, apareça na Livraria da Vila, na Fradique, às 16h. E venha vestido de você, inteiro, para abraçar essa menina dos sonhos.

  1. Siga a menina que espanta gente na rua aqui: @euespantogente
  2. Acompanhe o novo blog aqui: eu espanto gente na rua
  3. E venha na Livraria da Vila comemorar com ela!

<3

Pamplemussa

20100815 12:05

Abriu os olhos com o nascer do sol. Levantou-se, deu três passos até a janela para conferir o novo dia. Olhou o céu laranja e sentiu o gosto ácido de seu paladar vencido. Outro dia com a cor –e gosto– da pamplemussa. Os dias secos são chocantes pela beleza cristalina. Tudo permanecia do lado de fora nos seus devidos lugares, exatamente como JT viu antes de dormir: a melancolia e a preguiça, a lixeira cheia e o vazio. Desceu para preparar seu café, abriu a porta da frente, pegou o jornal do dia jogado no capacho de sua casa e não viu ninguém na rua. Com o bule de café fresco, foi para a sala ler o jornal.

Leu a publicação inteira enquanto saboreava xícaras de café amargo e fumava cigarro. Nada trazia tanto alívio quanto a fumaça perfumada de seus cigarros matinais misturada ao gosto encorpado de café na língua. Sem novidades, ainda assim era interessante observar os anéis cinza-azulados estampados no ar provisoriamente enquanto relia as velhas histórias recontadas com novas personagens e por novos autores. Tudo permanecia provisório: o artista do ano, o anel de fumaça, o livro do mês, outro anel de fumaça, a política, a guerra, o cotidiano, tudo fumaça. JT lia e memorizava trechos soltos, guardados para sua coleção mental de humanismos. Guardava esses recortes mentais sem categorizá-los muito, com a esperança que dali pudesse nascer uma nova versão pessoal.

Ele passava dias sozinho, cultivando suas singularidades. Se na juventude havia sido desregrado, agora JT encontrava no método sua salvação. Tudo na vida tinha seus horários, até a loucura, a leitura e a fé. Ele achava fascinante “o equilíbrio necessário entre liberdade e disciplina”. Tinha lido sobre isso em algum lugar e, apesar de ser um sujeito excêntrico, tentava ser coerente. Dez horas, banho tomado e vestido com uma de suas camisas brancas de botão e calças jeans. Seu armário repetia figurino, com todas as peças da mesma marca e tamanho; o uniforme para se transformar em qualquer um.

JT gostava do anonimato e saia para escrever entre dez e meio-dia, todos os dias, na biblioteca central. Já na biblioteca, escolheu sua mesa de sempre e observou quem estava na sala. Observou alguns estudantes jovens na área de ciências, história e política, imigrantes na seção de línguas, curiosos passeando à toa, e alguns perdidos que sentavam com um livro na mão para passar a tarde. Reparava que quanto mais entretida a pessoa estava, mais invísivel ela ficava. Virava objeto. E de pensamento em pensamento, ele mesmo ficava absorto. Aos poucos, nada mais chamava sua atenção assim como ninguém mais se incomodova com a presença dele. “O homem quis ser invísivel”, ouviu seu pensamento… E ele sabia a fórmula para a invisibilidade.

Era tempo e o relógio batia com pressa. Pegou seu bloco de notas e caneta barata. Gostava de escrever à mão e sentir o peso de sua mão no papel. Às vezes, demorava para encontrar a primeira palavra –gostava muito das primeiras palavras — e ficava rabiscando a última folha do seu bloco até ter certeza do início. Nesta página final, o rabisco já não tinha forma e era o avesso da fumaça: tinta sobreposta e escura. Enquanto rabiscava qualquer pensamento, resgatou seu sentimento de estar assistindo a sua história acontecer, como platéia de si mesmo. Talvez ele se visse nas letras soltas de um livro, dando vida às palavras e forma às coisas. “Viviam no centro do mundo com a sensação de que sua vida devia estar acontecendo em outro lugar”. Será que letras tinham qualquer sensação? Será que o A se sentia melhor que o Z, ou o inverso. Apesar de achar o pensamento um tanto ridículo, permitiu-se. Começou a imaginar palavras iniciadas por diferentes letras, até escolher a palavra do dia. Em uma análise panóptica de seu local de autor, olhava para todos os espaços da página em branco, cuidando das letras que formariam a primeira palavra.

Lembrou do gosto na boca. PAMPLEMUSSA. Ácido e doce, pamplemussamorento. Profundo como o mar que é cama do misterioso barco. Pensou no tempo e na ilusão de passado, a promessa do futuro, o agora. Memória no espaço é como chuva de saudade. Chuva ácida e doce: pancadas de pamplemussa. JT pode ser um sujeito um pouco estranho, mas quando escrevia “tinha a sensação de que ela tocava diretamento o coração das pessoas”. Palavras-com-mãos. De seu centro, seu ponto constante, podia deixar a vida fluir com graça. Com ar. Sentia e mergulhava fundo. Tanta água. Regou sua própria árvore enquanto tentava acariciar o céu. “As folhas sacodem ao favor do vento, mas o tronco está ali, constante”, lembrou de ouvir essa frase de um amigo um dia no parque. Voltou à primeira palavra, PAMPLEMUSSA, seria ela, estava decidido. Com ela, embarcou na página nova ainda em branco e ousou novos mapas, viajando seus países.

Tocou o sino da Igreja. Meio-dia. Ele ainda não estava satisfeito com o texto que começara na manhã, mas sabia que a rotina da tarde poderia mostrar caminhos que ele não podia ver prisioneiro da página. Seguiu sua agenda de criador. Já era o momento da caminhada diária em busca de perspectiva. Será que funcionaria? Se alguém olhasse seu trajeto do céu, repararia que ele andava letras e desenhava palavras. Hoje a palavra era Pamplemussa, uma longa caminhada. “Mistério, expressividade, emoção e até um pouco de exotismo”, pensassem o que e se quisessem. Para JT, a caminhada fazia parte de seu processo de descoberta de possibilidades, de meditação e encontro.

Vestido com sua capa de invisibilidade e transformação, o jeans e camisa branca de botão, JT contornar as letras do seu caminho. Naquele dia, usou seu figurino multiuso para encarnar uma pessoa toranja vermelha e ácida, “conhecida por sua vaidade, tanto quanto pelo temperamento explosivo e a excentricidade”. Aos poucos, e principalmente para ele mesmo, tentava a ilusão de ser outra pessoa.

Passou decidido na frente da padaria enquanto fazia a curva do P dando a volta completa em um quarteirão. Caminhou dois blocos para cima, dois para baixo e subiu mais um para atravessá-lo no meio, cruzando o A. Nada parecia acontecer, nenhuma ideia nova, mas ele seguiu sua proposta percorrendo o primeiro M. Já havia caminhado pelo menos meia hora. No segundo P, resolveu começar pela curva e terminar pela perna, descendo para um estacionamento de shopping. Perdeu-se entre carros para sair na porta dos fundos, onde entrou em um restaurante barato para comer um salgado, seu l minúsculo seria uma pausa vertical. Comeu em pé e aflito, em busca de respostas e calma. Tinha pelo menos 10 minutos. JT “era um tipo curioso, que cultivava com cuidado a própria singularidade.” Sem muita conversa, pagou a conta e torceu para que ninguém cruzasse seu caminho no segundo tempo. Fez o E em três blocos e começou a montar seu M, montanhoso. Ele migalhava-se. Subiu e desceu e subiu e desceu duas paralelas. Já estava quase no fim. A caminhada era mais importante que o destino. Não havia chegada. No primeiro S sentiu-se sozinho e sombrio. Sabia estar perto do fim. No seu segundo S começou a soluçar sem trégua. “Ainda hoje me parece mais misterioso, tocante, com a emoção à flor da pele.”. Terminou com o A, completamente abandonado.

Voltou para casa. Como previsto na agenda, era o momento de ouvir música. Colocou Chopin. “Drama, poesia, sedução, cada um dos noturnos oferece um universo”, lembrou de ler isso em uma crítica. Ali afundou-se até o fim de tarde em busca de seu lado criativo. Silêncio interno.

Tocou o alarme. Às seis, JT tinha outro compromisso. E aquele dia, seu compromisso era especial. Talvez o último. Pela janela, olhou para a rua. Tudo ainda permanecia do lado de fora nos seus devidos lugares, exatamente como JT viu ao acordar: a melancolia e a preguiça, a lixeira cheia e o vazio. Sem saída. Buscou todos os relógios da casa e colocou-os num saco plástico qualquer. Pulou compulsivamente no saco, até ouvir os vidros quebrados e os pinos soltos. Será que havia parado o tempo? Buscou todos os blocos de nota nas gavetas da casa, jogou-os na banheira e encheu-a d’água. Acariciava o papel molhado e chorava e rasgava as palavras ao meio. Não conseguia mais escrever. Espuma de papel picado e sujo. JT já era um autor publicado, mas não sentia forças para continuar. Depois de tantos livros, estava certo que tinha chegado ao seu limite. “Tinha nostalgia da inocência, de quando escrevia sem ter ninguém para o ler nem entrevistar. Ele gostaria de não ser visto, de diluir-se nos próprios textos. Mas é difícil voltar atrás”.

A vida de JT terminou ali, embora ele tenha vivido ainda alguns anos mais. Sem esperança e sem vontade, ele se entregou à doença e à loucura. Foi mandado para uma casa de loucos, no fim do mundo. “Morreu aos 78 anos, congelado, na neve, após fugir do hospital psiquiátrico, onde passou os últimos anos escrevendo em letras minúsculas – invisíveis”.


Escrito numa tarde de março, a partir de pescarias de jornal, durante um encontro no tapetão com Miki.

Enquanto o arroz cozinha

20100807 15:45

Estou aqui enquanto o arroz fica pronto, comendo Kumquat, com o Pingo no meu colo (daqui a pouco, ele vai para outro lar) e sei que a vida anda. Duas despedidas tão recentes. Tenho um vazio no peito, no olho, no quarto, na boca, no ar, na vida. Um vazio io io io io io io sono brasiliana. E tenho, ainda assim, a vida. O que faço com isso? A vida e o que isso significa, os caminhos e descaminhos que ela apresenta, seja o que eu decida fazer dela. Ainda não tenho decisões e por isso ainda acho prematuro ousar qualquer certeza. Não sei. Só há caminhos. Caminhos escuros, solitários, longos, difíceis, mas caminhos. Há o mar que me espera na distância da primeira rodoviária e o vazio io io io io io io sono solo. Há, acima de tudo, no momento, dor e silêncio. Uma dor sem fim. O que faço com isso? Com a dor? Com a vida? Enquanto o arroz cozinha…

O jogo de bolinha

20100703 12:38

Morcego é Passarinho?

Bia achou que seria divertido inventar uma história em grupo e chamou toda a turma para participar: Juca, Caju, Camile, Emília. Caju não pareceu muito animado…

– Acho que não tenho talento para inventor de história, disse Caju.
– É só uma brincadeira, Caju, vai ser legal. Vamos formar uma roda e ver se dá certo – todos deram as mãos e formaram uma grande roda.
Vou começar uma história e passar a bolinha. Quem receber a bolinha, precisa continuar a história do ponto onde parei. Depois, essa pessoa vai inventar mais uma parte e passar a bolinha para a próxima pessoa continuar.

BIA: “Era uma vez uma menina chamada Kika e ela adorava seu gato Mr. Cat. Só que um dia, misteriosamente, Mr. Cat desapareceu!” – passou a bolinha para Emília.

EMÍLIA: “…
… é, Mr Cat desapareceu e Kika ficou sem cabeça! Saiu pelas ruas gritando, Mr. Cat, Mr Cat… já era o início da noite quando Kika tropeçou num homem muito sinistro… – e passou a bolinha para Camile

CAMILE: “… muito sinistro mesmo. Ele estava vestido de preto e com uma capa preta tão longa que batia no pé!” – passou a bolinha para Caju.

CAJU: “… aí a Kika perguntou para o homem se ele tinha visto o Mr. Cat, ora.” – e passou a bolinha para Juca

– Ah, Caju, conta um pouquinho mais… Juca, segura aí a bolinha que o Caju vai tentar – pediu Bia

CAJU: “… e o homem respondeu: não

JUCA: “… o homem respondeu não, mas kika na hora percebeu que ele estava mentindo, porque sua capa preta estava cheia de pêlos de gato. E Kika conhecia aqueles pêlos cinzas como ninguém”, completou Juca passando a bolinha para Emília.

EMÍLIA: “… Engraçado, senhor pois sua capa está cheia de pêlos, como a minha blusa. E os pêlos da minha blusa são do meu gato, Mr. Cat. E os da sua blusa, de quem são?“, continuou Emília passando a bolinha para Bia.

BIA: “…De quem são os pêlos?, você me pergunta –, falou a Bia com a voz do homem que segundo a Bia era uma voz bem fininha, parecia até de outro mundo–. São do meu cachorro, Mr. Dog!“, passou para Camile.

CAMILE: “E cadê seu cachorro?” — perguntou Camille, passando a bolinha para Juca.

JUCA: “Morreu!

–”Morreu?” – todos perguntaram juntos! “Juca, como o cachorro morreu?”

JUCA:”Morreu de tristeza porque se apaixonou por uma gata. Foi morte do coração, é assim que se morre do coração, quando se tem um amor impossível. Morreu agora mesmo”, explicou o homem e passou a bolinha para Emília.

EMÍLIA: “Acho que o senhor está inventando isso, porque ninguém nunca ouviu falar de um cachorro que se apaixonou por uma gata. Todo o mundo sabe que cachorros não gostam de gatos!” – passou a bola para Caju.

CAJU: “Você está muito enganada pois todos sabem que cachorros adoram gatas. Por isso correm tanto atrás delas!” – achou sua resposta fantástica e passou a bolinha para Bia.

BIA: “… e Kika começou a chorar… Se seu cachorro morreu porque se apaixonou por uma gata, e pelo estado da sua blusa, teve o ataque do coração no seu colo, o senhor sabe me dizer o que aconteceu com a gata?”- passou para Camile.

CAMILE: “A gata se apaixonou por um passarinho, como era de esperar. E deu um salto mortal e morreu.” – disse Camile passando a bolinha para Juca.

– Poxa, mas todos morrem no final?, perguntou Emilia chateada.
Kika ainda não morreu!, disse Juca.

JUCA: “Foi quando Kika reparou que o homem da capa preta tinha dentes muito grandes…” – disse Juca passando a bolinha para Caju.

CAJU: “Daí o homem da capa preta pegou Kika e deu uma dentada no pescoço dela. Ela morreu viva para sempre. Fim.” – passou a bola para Bia.

– Ah, só faltou falar uma coisa, Caju… – falou Bia com a bolinha na mão…

BIA: “Para alegrar a Kika, o homem da capa preta deu um outro gato para ela. Mas este gato não se apaixonava por qualquer passarinho, só por morcegos! Assim, seu novo Mr. Chat ficou para sempre ao lado de Kika”

Para Mikolita
3 abril 2010

Kiki de Montparnasse

20100627 11:00
Ingres, 1862

"Le Bain Turc", de Ingres, 1862

Um banho turco inspirou Ingres em 1862… [foim-foim do violino!]
Ingres inspirou Man Ray 50 anos depois… [foim-foim do violino!]
As notas fizeram sentido ao ver Kiki … [foim-foim do violino!]
Kiki dançou pra muita gente e amava Man Ray … [foim-foim do violino!]
Man Ray era de Kiki mas diz que não amava ninguém. … [foim-foim do violino!]

O Violino de Ingres, de 1924, de Man Ray

"O Violino de Ingres", de Man Ray, 1924

Ah, pequena Alice, Alice Prin, Aliki, nossa Kiki de Montparnasse. Curiouser and curiouser? Vamos acompanhar sua infância pobre no interior à vida agitada e boemia na capital francesa.

Uma delícia conhecer Paris nos anos 20 através das reviravoltas e caprichos da modelo, dançarina, atriz e pintora Kiki. De corpo roliço e nariz de verdade –daqueles para marcar gerações–, Kiki foi modelo para pintores e artistas no período entreguerra. Paris, a cama para o surrealismo, cubismo, dadaísmo. Kiki, a musa de L’Ecole de Paris. Olhos para Maurice Mendjizki, jeitos para Amedeo Modigliani, pose para Fujita Tsuguharu, violino e amor para Man Ray. Kiki para os dadas Tristan Tzara, Francis Picabia e também para os surrealistas Louis Aragon, André Breton, Paul Éluard, Moïse Kisling, Max Ernst e Philippe Soupault. Kiki e Paris.

Lágrimas, Man Ray, 1932

"Lágrimas", Man Ray, 1932

Ao amor, à liberdade e à arte.

Quer mais?

Livro: Kiki de Montparnasse
Autor: Catie & Bocquet
Tradutor: Tatiana Salem Levy
Galera Record, 2010 – (c) Casterman, 2008
Páginas: 416
Quanto: R$46

manta

20100626 14:24

Kuroshio Sea – 2nd largest aquarium tank in the world – (song is Please don’t go by Barcelona) from Jon Rawlinson on Vimeo.

its only a paper moon

20100419 19:44
origamifashion2
photo by Mauricio Velasquez Posada – via Craft

Le Petit P

20100323 06:44

Pedrinho, meu sobrinho que tem um aninho e quase três meses. Olha só quanta fofura cabe na pessoa:

Fotos foram tiradas pela tia Mi na semana passada, numa encantada tarde no mundo do Pedro.

Do outro lado do buraco…

20100320 20:44

Para Laura Guedes
nossa leitura no parque
e nosso pastel na feira
com carinho, P.

…o jardim mais encantador que já se viu. …the loveliest garden you ever saw.

Down the Rabbit-Hole, “Alice in Wonderland” – Lewis Carroll

“The Rose Garden” – Paul Klee

Ecoam passos na memória

Ao longo das galerias que não percorremos

Em direção à porta que jamais abrimos

Para o roseiral

Footfalls echo in the memory

Down the passage which we did not take

Towards the door we never opened

Into the rose-garden.

Burnt Norton/ No. 1 of “Four Quartets” – T.S.Eliot

do encontro da pessoa

20100316 06:57

elenakalis
Foto de Elena Kalis em Alice Underwater

Nenhum problema tem solução. Nenhum de nós desata o nó górdio; todos nós ou desistimos ou cortamos. Resolvemos bruscamente, com o sentimento, os problemas da inteligência, e fazemo-lo ou por cansaço de pensar, ou por timidez de tirar conclusões, ou pela necessidade absurda de encontrar um apoio, ou pelo impulso gregário de regressar aos outros e à vida.
Como nunca podemos conhecer todos os elementos de uma questão, nunca a podemos resolver.
Para atingir a verdade faltam-nos dados que bastem, e processos intelectuais que esgotem a interpretação desses dados.

Fernando Pessoa, Livro do Desassego [333]

Se eu pudesse, colocaria todas as nossas doses de certezas absolutas em garrafas plásticas descartáveis e etiquetaria na frente: lixo tóxico.